quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Professor que matou os irmãos estava perturbado com o novo modelo de avaliação

Nada faria prever que um professor calmo e com vários anos de carreira protagonizasse uma das histórias mais dramáticas de que há memória no seio de uma família na Foz, Porto. Arnaldo Ferreira, de 54 anos, era adorado pelos alunos e visto pelos colegas como um professor empenhado e amigo, mas tudo se precipitou num quadro negro psíquico que ninguém adivinhava e que culminou na morte dos dois irmãos à facada em Março de 2008 na padaria Formosa, na Foz.

As alterações ao modelo de avaliação e da carreira do docente a par de uma alegada dívida da padaria de 200 mil euros à Segurança Social terão dado origem a uma obsessão que se adensou perigosamente até à tragédia.

É o próprio acórdão, que recentemente condenou Arnaldo Ferreira a 14 anos de prisão efectiva pelo fratricídio, que refere amiúde a incapacidade psicológica de Arnaldo. O professor de Matemática e Ciências da Escola EB 2-3 de São Pedro da Cova, em Gondomar, não conseguiu fazer face às exigências profissionais após a alteração no modelo de avaliação dos professores.

Arnaldo chegou até a pôr um anúncio nos jornais para requisitar, a título pessoal, um assistente. A professora que acabou por responder ao anúncio ajudou-o durante cinco meses na planificação das aulas e na preparação dos exames.

Continua…

Fonte: i-online


Comentário:

As alterações ao modelo de avaliação e da carreira docente só por si não levarão a que uma pessoa se torna num assassino, que seja capaz de cometer fratricídio.

Mas no caso vertente, o próprio acórdão que condenou Arnaldo Saraiva a prisão efectiva reconhece a incapacidade psicológica do docente, o que terá sido motivado pelas alterações introduzidas na carreira docente.

As alterações à carreira docente não matam. Mas moem!… Disso não há dúvida nenhuma!...

Um docente «adorado pelos alunos e visto pelos colegas como um professor empenhado e amigo» passou a constar do rol de assassinos.

Isto é um assunto que deveria levar os responsáveis do Governo a meditar longamente sobre o assunto…

É preciso ler os pequenos sinais, sob pena de não sabermos interpretar a realidade que nos rodeia e de julgarmos que vemos tudo com os nossos olhos…

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