Este é um espaço onde poderei dar conta das minhas reflexões, alegrias, inquietações e também das minhas indignações. Deixo claro que não hipotequei a minha liberdade a nenhum partido político. Tal como escreveu o ilustre escritor Miguel Torga, meu comprovinciano, «Não posso ter outro partido senão o da liberdade»...
Paulo Guinote, professor de História do 2.º ciclo e autor de um blogue muito popular chamado “A Educação do Meu Umbigo”, escreveu, a propósito dos últimos desenvolvimentos nas conversas da ministra da Educação com os sindicatos, uma nota que intitulou “nem carne nem peixe, mas bacalhau também é comestível”.
À TSF, o blogger explicou que houve uma tentativa de chegar a um consenso, mas alertou para o modo com o 1.º ciclo do modelo de avaliação está a terminar (…).
O Conselho Europeu e o Parlamento Europeu alcançaram na semana passada um acordo que visa reduzir o download através da Internet de obras sujeitas a direitos de autor sem que sejam pagos os respectivos royalties.
A directiva ainda tem de ser confirmada pelo Parlamento Europeu, mas ela deverá permitir que um utilizador possa vir a ser impedido de aceder à Internet como sanção. Os termos em que isso acontecerá ainda não são claros. De facto, ainda que o acordo estipule que o corte do acesso à Internet “respeitará os direitos individuais”, não é ainda claro que ele passe obrigatoriamente por um juiz.
Que o corte do acesso só tenha lugar após uma decisão judicial que prove a responsabilidade do autor do acto, parece uma obrigação elementar. Mas é significativo dos tempos que vivemos e do ataque aos direitos individuais que haja quem defenda que a sanção seja aplicada pelos fornecedores de acesso à Internet (ISP), sem mais considerações, a todos os que possam parecer estar a infringir a lei.
Que a nova norma será difícil de aplicar é evidente. Basta pensar num computador doméstico, usado por todos os membros de uma família. Se o corte do acesso for decidido unilateralmente pelo ISP, sem processo e sem direito a defesa nem exigência de prova, tratar-se-á de uma prepotência inaceitável que justificará as mais violentas reacções de rejeição por parte dos utilizadores.
Mas mesmo que haja um processo judicial, como se tentará provar a responsabilidade de um dado membro da família? Para isso ser levado a cabo não podemos senão imaginar uma profunda devassa da vida privada de todos os elementos da família - interrogatórios separados com acareação? Estímulos à delação? Interrogatórios aos amigos para confirmar as preferências musicais de cada membro da família?
Ou será que se prescindirá da responsabilização individual e se criará a nova figura de "responsabilidade familiar", condenando todos os membros da família ao exílio da Internet?
E isto para além de uma questão prévia não menos importante: como sabem os ISP que alguém, através daquele computador, está a fazer download de um dado filme ou de um dado CD senão através de uma devassa da sua vida privada? Não se perceberá que, em nome da defesa dos direitos de autor, se estão a destruir princípios que não são menos importantes?
Quando os ISP (e outras empresas) nos diziam que, de vez em quando, davam uma olhadela ao nosso tráfego sempre nos juraram pela sua saúde que apenas o faziam para obter estatísticas e para detectar problemas técnicos e sempre nos garantiram que nunca tentariam saber o que fazia cada utilizador individual. A nova directiva vem provar que todas essas promessas e protestos eram falsos. Se não o fossem, os ISP estariam na primeira linha da recusa da nova norma europeia.
Que a nova norma se vai revelar inútil todos o sabemos. Há mais de uma maneira de esfolar um gato - ou de aceder a música e filmes com direitos sem pagar um tostão. A lei será, quando muito, um incentivo a formas mais sofisticadas de pirataria. Que a nova norma é injusta (e insensata) também sabemos. Os piratas que a indústria estupidamente persegue constituem o grosso dos compradores das obras de autor.
Mas o que a nova norma não esconde é o conceito que permeia de forma cada vez mais violenta as nossas sociedades: em nome da defesa dos direitos das empresas, todos os atropelos aos direitos individuais são permitidos.
A Internet não é hoje uma forma de entretenimento. É o meio através do qual se exerce uma parte fundamental da cidadania. Amputar um cidadão dessa ferramenta constitui uma punição semelhante a um degredo, uma negação do exercício de direitos cívicos fundamentais.
Agora estão a levar os nossos vizinhos e não ligamos. Um dia virão buscar-nos a nós e será tarde.
Ouvi e não queria acreditar: Adelino Gomes, provedor do ouvinte da RDP, defende que se usem estrangeirismos, porque «toda a gente diz isso, hoje, na Academia…». Estou mesmo a ver um «académico» desses que andam com uma enxada nas mãos e penduram um radiozinho na cerca enquanto cavam entender must e case study… Mas — preparem-se! — o provedor tem um argumento que ele julga imbatível: «o must é mais rápido» de pronunciar e «mais impactante». Bem, se quisermos uma língua sintética, o melhor é regressarmos ao latim, não ao inglês. Mas isto não ficou assim. O provedor, que debatia a questão do uso dos estrangeirismos com a linguista Regina Rocha, contra-atacou: «Mas deixe-me fazer aqui uma adversativa. E esta adversativa que eu queria trazer é a seguinte: quando nós dizemos must — “é um must” — toda a gente pode utilizar essa palavra e toda a gente compreenderá rapidamente o que se diz…» Tem um vasto programa: quer pôr-nos a todos a falar inglês, porque a língua portuguesa é manifestamente insuficiente para nos exprimirmos. Em suma, para o provedor, os jornalistas só pecam por defeito, deviam usar mais estrangeirismos. «Culpam excusare altera culpa est» (desculpar uma culpa é outra culpa), já diziam os Romanos. No próximo programa, ameaçou, vai voltar aos estrangeirismos. Ai, ai...
Agora que o professor deu atenção ao currículo e às actividades de aprendizagem sob a óptica do estímulo e da variedade, poderá estar a perguntar a si mesmo: Como é que eu organizo a minha sala de aula de forma a acomodar alunos com necessidades de aprendizagem diferentes? Como será que um ensino diferenciado realmente se manifesta na sala de aula, dia após dia?
Dediquemos algum tempo a rever os exemplos de sala de aula do capítulo 1 (páginas 10-11). Iremos verificar que a característica mais importante que distinguia as salas de aula de Larry Kimmer e de Marie Fuentes era o uso que faziam dos grupos. Sem chamar a atenção para os alunos que trabalhavam em conjunto, Larry e Marie construíam pequenos grupos com necessidades de aprendizagem semelhantes. Em outras alturas, talvez servindo-se de informação recolhida a partir do formulário de Projectos, apresentações e desempenhos, das páginas 40-43, agruparam os alunos de acordo com as suas preferências de aprendizagem. Ou, usando as fichas geradas pelo Inventário de interesses, das páginas 37-39, criaram grupos de aprendizagem colaborativos. Este uso flexível dos grupos de alunos é a essência do ensino diferenciado.
O Programa Nacional de Barragens pode estar em causa. A Comissão Europeia encomendou um estudo a uma entidade independente e os resultados revelam que o Estado Português avaliou mal os impactos e a verdadeira necessidade destas barragens. Só que, entretanto, o Governo já adjudicou grande parte das barragens e arrecadou mil 383 milhões de euros.
A Porto Editora acaba de lançar no mercado a obra Vocabulário da Língua Portuguesa, sob a orientação científica do Professor Malaca Casteleiro. Na apresentação da referida obra, a editora nortenha refere o seguinte, escrevendo segundo as normas do novo Acordo Ortográfico:
«O Vocabulário da Língua Portuguesa, editado pela Porto Editora, é uma obra lexicográfica de referência, única no panorama nacional, que constituirá certamente um instrumento indispensável de consulta e de esclarecimento das dúvidas levantadas pela aplicação do novo Acordo Ortográfico. O trabalho que permitiu a elaboração deste Vocabulário é fruto do grandioso esforço de uma dedicada equipa de lexicógrafos e especialistas, que contou com excepcionais meios técnicos e humanos e foi possível graças a uma qualificada nomenclatura, reunida ao longo de anos de investigação da língua portuguesa.
Para a realização deste projeto arrojado, a Porto Editora contou com a assessoria do Sr. Prof. Doutor João Malaca Casteleiro, nas mãos de quem tem estado, desde o início, a concretização dos aspetos conceptuais e operativos do novo Acordo Ortográfico.
Com a publicação do Vocabulário da Língua Portuguesa a Porto Editora dá assim o seu contributo para a criação de um vocabulário ortográfico da variedade europeia e assume, uma vez mais, o papel determinante que tem desempenhado ao longo dos anos na área da investigação linguística e da publicação de obras de carácter lexicográfico em Portugal.»
Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa
orientação científica de João Malaca Casteleiro
Preço de Capa: EUR 69,00
Preço Especial Professor:EUR 62,10
Em síntese, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora apresenta:
● mais de 180 000 vocábulos representativos do vasto património lexical da língua portuguesa
● mais de 5000 vocábulos próprios do português do Brasil, bem como africanismos e asiaticismos
● mais de 800 palavras da norma galega do português
● mais de 12 500 nomes próprios de pessoas portuguesas e lusófonas
● cerca de 8500 topónimos, incluindo termos geográficos relevantes da história mundial
● anexo com cerca de 2000 palavras estrangeiras de uso corrente não adaptadas ao português com identificação da língua de origem
● mais de 1500 abreviaturas e símbolos mais usados na língua portuguesa
O Grupo Parlamentar do PSD promoveu recentemente na Assembleia da República um debate no qual participaram todas as principais organizações da classe (ANP, FENPROF, FNE, ANDE, MUP, PROMOVA, APEDE, SINDEP, SIE, SPLEU, SPZL, SINAPE), vários professores a título individual, o Sindicato dos Inspectores do Ensino, a CONFAP e uma representação dos Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo.
Resposta a esta questão por Vincent Dupriez, da Universidade de Louvain.
De nombreux chercheurs se sont penchés sur les processus de changement au sein des systèmes et des établissements scolaires. Dans le cadre de telles recherches, il est d’usage de différencier deux types de changement : les réformes et les innovations. Les premières renvoient à un changement planifié, décidé à partir d’une autorité centrale et adressé à tous les professionnels dépendant de cette autorité. On parle à ce titre d’une réforme des programmes, d’une réforme des structures scolaires (l’enseignement par cycles, par exemple) ou encore d’une réforme pédagogique. Les innovations, par contre, renvoient à des initiatives plus locales. Bonami et Garant (1996) définissent l’innovation comme le fait d’introduire de façon volontaire, dans un établissement par exemple, une pratique en vue d’une meilleure efficacité dans la réponse à un problème perçu ou en vue d’une utilisation plus efficiente des ressources disponibles. Précisons également que l’innovation n’est pas une novation. Elle ne correspond pas nécessairement à une action fondamentalement nouvelle. Elle est par contre nouvelle pour les acteurs concernés et dans leur espace de référence. L’innovation renvoie donc à une initiative décentralisée et le plus souvent à un processus collectif de recherche d’amélioration de la qualité du travail. A vrai dire, ces deux types de changement peuvent également cohabiter et le succès d’une réforme passe probablement par sa capacité à susciter des innovations locales.
Na conferência “A neurobiologia das emoções numa perspectiva actual”, promovida pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), o autor de livros como “O Erro de Descartes” ou “Ao Encontro de Espinosa” procurou responder a três questões: “O que é a emoção?”, “O que são os sentimentos?” e “Como é que sentimos uma emoção”.
Falando para cerca de 500 pessoas, entre alunos, professores e investigadores, sobretudo das áreas da neurobiologia e comportamento humano, António Damásio apresentou as suas teorias em torno de uma "pergunta central que fez há muitos anos" sobre o que é a emoção. Para o investigador e professor da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos da América ─ país onde se radicou ─, a emoção é "essencialmente um programa de estratégias activas e cognitivas".
Segundo António Damásio, a emoção desencadeada por determinado estímulo dá origem a "um programa de acções", diferentes conforme o tipo de emoção, que provocam alterações rosto, no corpo ou no sistema endócrino (estratégias activas). O corar de um rosto, a tensão muscular, o aumento do ritmo cardíaco, ou o aumento da secreção de determinada hormona são exemplos dessas alterações fisiológicas.
Contudo, falar da emoção apenas como um programa de acções é restrito demais, considera o especialista, sustentando que existem também as estratégias cognitivas, "certos estados mentais que fazem parte do programa completo de acções". Como exemplo, o neurobiologista referiu que "a tristeza obriga a certa estratégia cognitiva": num estado de tristeza, uma pessoa não pensa num jantar agradável e divertido, mas é capaz de pensar na morte.
"É sabido que é difícil uma atenção focalizada em momentos de extrema tristeza ou que durante emoções de medo pode haver uma capacidade de aprendizagem aumentada", disse. Mas a questão da emoção é ainda mais complexa, porque as emoções (esses programas de acções) são desencadeadas por determinados estímulos que não têm obrigatoriamente o mesmo efeito em pessoas diferentes.
Os estímulos podem ser objectos ou situações, actuais ou existentes na mente, e alguns são evolucionais e outros são aprendidos individualmente. "Situações que causem medo ou compaixão são muito antigas e são colocadas em nós pela evolução, estão nos genomas", por isso são evolucionais, explicou António Damásio.
"Mas se o estímulo que desencadeia emoções é uma determinada pessoa que nada tenha a ver com a História ou evolução, mas com aspectos de aprendizagem que tenham só a ver connosco", está-se perante um estímulo individual, acrescentou.
Três tipos de emoções
A propósito, o cientista referiu três tipos de emoções: as de fundo, que são mais vagas, como o entusiasmo ou o desencorajamento, as primárias, que são mais pontuais, como a tristeza, o medo, a raiva ou a alegria, e as sociais, que são um resultado sócio-cultural, como a compaixão, a vergonha ou o orgulho.
Passada a exposição da sua teoria sobre a emoção, António Damásio debruçou-se sobre o que são os sentimentos, explicando que são por um lado alterações do corpo que podem ser reais ou simuladas, e por outro estados alterados de recursos cognitivos.
"Nem todas as alterações que sentimos no corpo são necessariamente as que se estão a passar", pois é possível o cérebro simular essas alterações sem que elas realmente aconteçam.
Quanto aos "estados alterados de recursos cognitivos", António Damásio refere-se à percepção que a pessoa tem de que algo se modifica no seu espírito, na maneira de pensar ou na tendência para agir de determinada forma. No final da palestra, o investigador tratou de explicar "como é que sentimos uma emoção".
Tradição secular está nas mãos de dois sexagenários que detêm a patente das vasilhas
Um dos símbolos de Aveiro depende unicamente de quatro mãos. As barricas de madeira em que são colocados os ovos-moles são feitas por dois primos sexagenários. São eles que detêm a patente da tradição. Um dia destes passam a arte.
Se Joaquim e Abílio Ferreira se “reformassem” amanhã não havia mais barricas para guardar os ovos-moles de Aveiro. A tradição e a patente está nas mãos destes primos, de 67 e 64 anos, respectivamente, que há mais de 50 anos decoram as lojas de Aveiro com as barricas que os familiares começaram a fazer nos anos 30 do século passado.
A oficina da Ferreira Lopes & Ferreira, Lda, já não é a mesma. Passou da Rua de Sá, no centro de Aveiro, para Ervideiros, nos arredores da cidade. Mas algumas das máquinas são as de sempre. “Têm mais de 100 anos”, atira com orgulho Abílio Ferreira, o torneador.
É um negócio de família. Ninguém mais a pode fabricar ou sequer usar em imagem sem autorização desta micro-empresa que tem tantos trabalhadores como patrões. Abílio transforma os pedaços de choupo em barricas de nove tamanhos. Da número um que leva 35 gramas de ovos-moles à nove com capacidade para dois quilos de doce. Joaquim pinta-as com as tradições da região. O moliceiro é a mais procurada, mas o Farol da Barra (o segundo maior da Europa) e as marinhas também têm saída.
As máquinas são meros auxiliares. Já podiam ter equipado a oficina para poupar mão-de-obra, “mas deixaria de ser artesanato, uma arte, as peças seriam todas iguais, o que não acontece desta forma”, justifica Abílio. Máquinas são os primos. A barrica mais pequena demora 20 minutos a fazer. Pegar num pedaço de choupo e transformá-lo na maior das vasilhas já pintada demora 40 minutos. Um registo só ao alcance de quem sabe tudo de uma arte que, para já, não tem seguidores.
Talvez por respirarem saúde, apesar das idades de reforma e pré-reforma, os primos Ferreira ainda não traçaram o futuro. Os filhos não parecem vocacionados para pegar no negócio. “A solução poderá passar por ensinar a arte a outros familiares ou contratar pessoas continuando nós a supervisionar e a gerir a empresa”, dizem. Outra hipótese é vender. A única certeza é que, por eles, “a tradição não acabará”.
Joaquim e Abílio Ferreira fazem, em média, uma centena de barricas por dia. Não se queixam das vendas, “que têm vindo a aumentar nos últimos cinco anos devido ao acréscimo de turistas na região de Aveiro”. Dizem que cada vez mais nas pastelarias há quem prefira pedir para colocar os ovos-moles nas barricas de madeira, “que depois pode ser usada como porta-lápis, por exemplo”. Acrescentam que são muitos os que pagam 50 euros pela colecção de nove barricas para decoração.
A concorrência das barricas em porcelana não os afecta, nem sequer a hipótese do copo de plástico, que está a ser equacionado pela Associação de Produtores de Ovos-moles, para ser colocado no interior da barrica de madeira para que o doce fique melhor acondicionado. Mas Abílio não percebe a ideia do copo “porque os ovos-moles aguentam perfeitamente 15 dias nas barricas sem qualquer alteração do sabor devido às características do choupo”.
E que tal se a ‘SÁBADO’ mostrasse como é avaliação do desempenho docente nos países da Europa e noutros cujos estudos internacionais consideram os seus sistemas educativos um bom exemplo?
Estudantes dinamarqueses vão poder consultar a Internet durante os exames
Na Dinamarca, os estudantes finalistas do ensino secundário vão poder consultar a Internet durante os seus exames finais. A medida foi autorizada pelo Governo e o sentimento geral é de que os alunos são suficientemente sérios para poderem usufruir desta medida sem copiarem. Os chats e a troca de e-mails durante o exame estão, obviamente, proibidos.
Um total de 14 liceus da Dinamarca estão já a testar este novo sistema de exames com consulta e todas as escolas do país foram convidadas a juntar-se a esta nova modalidade até 2011.
Durante os exames, os alunos podem aceder a qualquer página que desejem, mesmo à da rede social Facebook, adianta a BBC, desde que não escrevam mensagens. Os chats e a troca de e-mails, quer seja entre os alunos quer seja com pessoas do exterior, estão proibidos.
A Dinamarca é um país modelar no que toca à absorção de novas tecnologias. Há mais de uma década que os alunos estão autorizados a escrever as suas respostas no computador, podendo prescindir da entrega das respostas em papel.
O governo dinamarquês defende que se a Internet está tão omnipresente na vida quotidiana dos dinamarqueses, então deverá igualmente fazer parte das aulas e dos exames.
Sanne Yde Schmidt, que coordena este projecto numa das escolas pioneiras, em Copenhaga, disse à BBC: “Se queremos ser uma escola moderna e ensinar aos alunos coisas que são relevantes para eles na vida moderna, temos que os ensinar a usar a Internet”.
Uma das principais preocupações das pessoas que estão a coordenar o projecto é, obviamente, a possibilidade de os alunos poderem copiar. Mas Schmidt diz que a solução é confiar nos alunos. De todo o modo, quem for apanhado a copiar pode ser expulso. “Nós confiamos neles. Eu acho que a percentagem de pessoas que copiam é muito baixa porque as consequências são muito graves”, Sanne Yde Schmidt.
Os professores consideram igualmente que este tipo de exames com consulta deixa de obrigar os estudantes a “regurgitar” factos e números, dando-lhes em vez disso a oportunidade de analisarem a informação que lhes é dada.
O ministro dinamarquês da Educação, Bertel Haarder, disse igualmente que os “exames têm que reflectir a vida em sociedade”. “A Internet é indispensável, incluindo no exame. Tenho a certeza que em poucos anos a maioria dos países europeus estarão na mesma situação”.
FENPROF é recebida terça-feira com estatuto da carreira e avaliação na agenda
07.11.2009 - 20:22 Por Lusa
A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) é recebida terça-feira, dia 10 de Novembro, pela nova ministra da Educação, Isabel Alçada, para uma reunião com agenda restrita aos temas do estatuto da carreira docente e modelo de avaliação dos professores.
No final do Conselho Nacional da FENPROF, que decorreu hoje, Mário Nogueira, dirigente da Federação anunciou a realização da reunião com a nova equipa ministerial e salientou que “o maior de todos os desafios da nova equipa ministerial é ganhar os professores”.
Apesar de considerar que já houve “alguns sinais negativos”, nomeadamente por parte do primeiro-ministro, José Sócrates, a FENPROF vai para a reunião “com expectativa”, disse o dirigente. “A abertura ao diálogo, intenções e vontade do Governo para alterar as opções mais negativas impostas na anterior legislatura, começarão a ser clarificadas após a primeira reunião com a equipa ministerial, que terá lugar no dia 10 de Novembro”.
A não suspensão do modelo de avaliação, aproveitando o inicio de um novo ano lectivo, é vista como um sinal negativo. “Foi um erro iniciar o segundo ciclo avaliativo com o anterior modelo. Ele deve ser iniciado já com um novo modelo”, defendem os representantes sindicais, considerando possível, com negociação, ter um novo modelo definido ainda neste ano lectivo”.
“Os sinais podiam ser melhores”, mas, segundo o secretário-geral da FENPROF, “é positivo” que a actual ministra conheça o sector, “porque já deu aulas, visita escolas com muita frequência e esse conhecimento pode permitir-lhe começar melhor que a anterior ministra”, Maria de Lurdes Rodrigues.
Também o novo cenário político do país “torna possível alterar alguns dos caminhos mais negativos que marcaram a anterior legislatura, que foi de permanente confronto”, refere o cokunicado final aprovado por consenso no Conselho Nacional.
Um sinal disso, consideram, é que os dirigentes da Federação foram já recebidos, na semana passada, por todos os partidos com representação parlamentar, excepto o Partido Socialista, cuja postura condenam.
Mário Nogueira anunciou também que o Conselho Nacional decidiu, na reunião de hoje, convocar o décimo Congresso da FENPROF dias 23 e 24 de Abril, em Montemor-o- Novo.