sábado, 2 de outubro de 2010

É este o caminho para reduzir o défice?

Governo compra Mercedes de 141 mil euros

02.10.2010 09:32 Por Maria Lopes

O objectivo do Governo é receber as altas individualidades estrangeiras e os convidados do Estado com dignidade e cumprindo “as obrigações protocolares”. O automóvel utilizado até aqui era já em segunda mão quando foi comprado em 1998 (um BMW 750 iLA), estava “tecnologicamente desactualizado” e apresentava uma factura muito alta em manutenção (desde 2004 já gastara 38.308 euros) e precisava agora de uma intervenção de 23 mil euros. A decisão? Optar por um novo.

A Presidência do Conselho de Ministros (PCM) adquiriu assim, através da ANCP Agência Nacional de Compras Públicas, um Mercedes S450 CDI no valor de pelo menos 140.876 euros. Pelo menos, porque este é o preço de tabela, mas, tendo em conta as personalidades que deverá transportar, terá sofrido adaptações, sendo, por exemplo, blindado. Mas a PCM não esclareceu essa situação ao PÚBLICO e também não especificou se se trata do modelo mais longo (e mais espaçoso, como o era o BMW que estava ao serviço), que custa mais 4000 euros. O contrato de aluguer operacional por quatro anos custa 2807 euros por mês e inclui manutenção e pneus para 160 mil quilómetros, diz a PCM, que não adianta o valor residual que será necessário pagar no fim do contrato.

Para cumprir a regra estipulada no PEC de que o Estado só pode comprar um veículo por cada três abatidos, a PCM abateu à sua frota o BMW 750 iLA que o Mercedes substitui, mas também um BMW 525 tds (em Abril) e um BMW 740 iA (que fora apreendido e que foi restituído ao proprietário).

O Mercedes, matriculado na segunda quinzena de Agosto, será usado na cimeira da NATO, mas poderá ser já usado pelo rei de Espanha, que estará em Lisboa na próxima semana (dias 6 e 7). Ou ir até ao Porto com o Presidente italiano, que estará no encontro da COTEC com Juan Carlos.

A secretaria-geral da PCM diz que a ANCP escolheu a “proposta economicamente mais vantajosa para o Estado”, mas fica por explicar a razão pela qual o Governo não optou por um veículo híbrido, cuja oferta é já ampla no mercado. A marca alemã tem modelos muito próximos do adquirido, que até são mais baratos.

PÚBLICO


Um comentário:

Fliscorno disse...

Bom, face a tão excelso veículo, espera-se que se seja um caminho de luxo.