quinta-feira, 3 de setembro de 2009

'Cantas' bem, mas não me alegras...

Professores: “delicadeza” de Sócrates não chega para mudar o voto

O que é que o governo precisa [de] fazer para provar aos professores que está arrependido? O primeiro-ministro José Sócrates admitiu falhas na forma como o seu executivo lidou com o sector da educação e garantiu mais “delicadeza” no futuro; a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, reconheceu “dificuldades de comunicação” com os professores e assegurou “fazer melhor no futuro”. As promessas chegam tarde para sindicatos, movimentos independentes, associações ou docentes do ensino público. Ninguém acredita neste “arrependimento” em véspera de eleições e todos dizem que o Ministério da Educação teve quatro anos para mudar de atitude.

A pouco mais de três semanas das legislativas, qualquer inversão no discurso do governo “soa a desespero”, avisa Carlos Chagas, presidente da Federação Nacional do Ensino e Investigação. E só serve para provocar um “sorriso de descrédito”, acrescenta Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional dos Professores. Reconhecer falhas no final do mandato ― esclarece o presidente da Associação Nacional de Professores ― é o mesmo que aceitar o mau desempenho de um docente durante um ano lectivo inteiro: “Entretanto, os alunos é que saíram prejudicados”, critica João Grancho.

Não serão portanto palavras como “reconciliação” ou “mais atenção” que vão mudar o sentido de voto dos professores, assegura Ilídio Trindade, coordenador do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MUP). Não é o único a pensar isso. O i quis saber junto de 50 docentes do ensino básico e secundário se o discurso do primeiro-ministro durante a entrevista concedida à RTP teve peso suficiente para mudar a sua opinião. A esmagadora maioria deixou claro que são indiferentes a qualquer mudança prometida por José Sócrates.

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