quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Alunos com necessidades educativas especiais são todos apoiados?

Um docente da Universidade do Minho afirma que muitos milhares de crianças e jovens com necessidades educativa especiais poderão não estar a ser apoiados. Como seria de esperar, a ministra da Educação considerou que o estudo «não tem nenhuma relação com a realidade»... Em que se terá baseado Maria de Lurdes Rodrigues para fazer uma afirmação tão assertiva? Aquela mulher nunca se engana e raramente tem dúvidas!... Estamos bem servidos!...
Ver artigo do jornal PÚBLICO sobre o mesmo assunto.

O professor não pode ser forçado

“Como dissemos, os professores são mais do que amontoados de conhecimentos, competências e técnicas. O desenvolvimento de um docente implica muito mais do que a aprendizagem de novas competências e comportamentos. (…) Os docentes também são pessoas. Não podemos compreender o ensino ou o educador sem compreender a pessoa que ele é (Goodson, 1991). Também não podemos mudar o professor, num sentido fundamental, sem mudar essa pessoa que ele é. Isto significa que a mudança efectiva e duradoura será, quase inevitavelmente, lenta. O crescimento humano não é como aquelas plantas que crescem rapidamente, sem grandes necessidades de cultivo: ele pode ser alimentado e estimulado, mas não pode ser forçado. Os professores não se tornam naquilo que são simplesmente por hábito. O ensino está ligado à sua vida, à sua biografia e ao tipo de pessoas que são.”

Michael Fullan e Andy Hargreaves, Por que é que vale a pena lutar?, Porto Editora, Porto, 2001 (pp. 52-53)

OCDE divulga novo relatório

A OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico) publicou um novo relatório sobre a Educação em vários países, incluindo Portugal.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Estatísticas para estrangeiro admirar

Educação estatística
A redução do número de chumbos e de desistências revelada pelas estatísticas do Ministério da Educação é uma boa notícia. Mas os números dos chumbos significam pouco. Se forem o resultado da baixa exigência ou das ordens administrativas que tornam persona non grata qualquer professor que insista em reter alunos, pela simples razão de o estudante não ter aprendido, não passam de uma mentira maquilhada. Apesar das boas intenções da ministra e do esforço de milhares de docentes dedicadose competentes, há na prática uma orientação na escola pública para a diminuição dos níveis de exigência. Há perigo deste esforço de inclusão realizado pelo lado do facilitismo só contribuir para a melhoria estatística aparente e resultar na formação de numerosos exércitos de analfabetos funcionais. Como o capital humano é cada vez mais o elemento decisivo na competitividade das economias, este facilitismo também provocará empobrecimento futuro do País. A escola foi no século XX o principal factor de mobilidade social. Casos como os do actual Presidente da República e de muitas outras pessoas que agora são médicos excepcionais, engenheiros de gabarito, ilustres juristas, etc, só foram possíveis porque andaram numa escola pública exigente, que reconhecia o mérito.
Armando Esteves Pereira (Director-Adjunto)
Correio da Manhã 10 de Setembro de 2008

Tudo clarinho como a água cristalina

José Manuel Fernandes, o Director do jornal PÚBLICO, escreveu hoje em editorial o texto que se segue, sublinhando que «este teatro político não é uma comédia, é uma tragédia que pagaremos muito caro no futuro». Nenhum Professor deixará de estar de acordo com estas palavras.


Os números da ministra, os da OCDE e o dia-a-dia da escola


A engenharia estatística feita para apresentar, de forma artificial, o sucesso do nosso sistema de ensino obrigou a baixar os níveis de exigência e é um erro que pagaremos muito caro no futuro


Para assinalar a abertura do ano lectivo, o PÚBLICO pediu a 85 professores que dissessem o que iriam fazer para melhorar a escola. Não escolhemos uma amostra científica nem procurámos que fosse representativa, apenas tivemos o cuidado de que fosse aleatória e de não condicionar as respostas. Ora lendo o trabalho que hoje editamos verifica-se que uma grande parte dos professores, talvez a maioria, afirma ou dá a entender que ensinaria melhor se o ministério atrapalhasse menos. E são numerosíssimas as respostas em que se percebe até que ponto chegou a desmotivação de muitos docentes.
No entanto, milagrosamente, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues e o primeiro-ministro José Sócrates vieram dizer-nos que tudo corre às mil maravilhas na área da educação. Há mais investimento (?) e conseguiram-se melhores resultados a todos os níveis, sobretudo no sucesso educativo dos alunos. Distribuíram aos jornalistas alguns quadros em abono da sua tese, provando que a percentagem de chumbos diminuiu (mas já não entregaram os números absolutos, para se perceber melhor o universo a que se referiam as percentagens...), e ainda disseram, humildemente, que o êxito se devia aos professores.
O que significa que estamos perante um paradoxo: professores que viveram um ano conturbado e de contestação conseguiram o milagre de estarem fortemente motivados para alcançar os objectivos com mais sucesso. Não bate certo. Até porque o inquérito também não encontrou, antes pelo contrário, esses professores altamente motivados.
Existindo um paradoxo, tem de existir uma explicação. A primeira seria estarmos perante uma geração de alunos mais motivada e mais interessada na aprendizagem e no sucesso. Seria óptimo se fosse verdadeira, mas é falsa: a maioria dos alunos são os mesmos do ano passado, só que um ano mais velhos. Por esse lado não houve milagres.
A segunda explicação é a que foi ontem dada pela generalidade dos professores que se pronunciaram: há instruções para chumbar menos alunos, houve exames mais fáceis e aumentou-se tanto a burocracia que é quase preciso ser um herói para, como se diz em eduquês, "reter" uma criança ou um adolescente. É muito mais fácil deixá-lo prosseguir, mesmo que mal preparado. Infelizmente é esta a resposta verdadeira, a resposta que foi sendo antecipada ao longo do ano lectivo, quando aqui se escreveu que o Ministério da Educação estava mais preocupado com boas estatísticas do que com um bom sistema de ensino e alunos realmente qualificados.


Vale a pena citar, a este propósito, José Pacheco, director do Centro de Investigação em Educação (CIED) da Universidade do Minho, que ontem explicou à agência Lusa que "as elevadas taxas de retenção que se registavam há uns anos eram incomportáveis para qualquer Governo, por causa da comparação dos resultados a nível internacional. Agora reter um aluno é um processo difícil, o que faz com que, estatisticamente, haja uma diminuição significativa dos chumbos".

Ou então Jorge Ramos, especialista em História da Educação, que concretizou: "Os níveis de exigência estabelecem-se de acordo com os objectivos esperados por parte do Estado e o objectivo actual é que toda a gente termine o seu percurso escolar. As competências e os objectivos esperados para cada ano de escolaridade passam a ser definidos em função de toda a população de uma determinada faixa etária."

Acontece porém que, mesmo utilizando as estatísticas portuguesas, em particular as do Ministério da Educação, a OCDE sempre vai produzindo estudos comparativos que, mesmo condicionados pelos dados enviados de Portugal e não podendo avaliar fenómenos como o criticado "facilitismo", permitem comparações interessantes.
Por exemplo: ficámos a saber que Portugal é um dos países da União Europeia onde se dedica menos tempo ao ensino da língua pátria e da Matemática, precisamente as duas cadeiras centrais, básicas, de qualquer currículo escolar; ou que os docentes portugueses de todos os níveis de ensino são os que dão mais horas de aulas e os que mais tempo têm de permanecer nas escolas, razão por que é provável que sejam dos que têm menos tempo para preparar as aulas e dos que mais horas gastam a preencher papéis e a desempenhar funções burocráticas.

Fazendo o cruzamento das estatísticas "embrulhadas" para eleitor ver com as da OCDE e acrescentando a leitura que os especialistas fazem do "milagre" do sucesso, só se pode chegar a uma conclusão: depois da fase da massificação do ensino que, naturalmente, se traduziu numa perda de qualidade por passarem a aceder ao sistema alunos com uma base familiar mais frágil, aquilo que devia ser a fase da qualificação e da exigência está ser substituído por uma mistificação que procura transformar o insucesso em sucesso, fingindo que, assim, se ganhou qualidade.

Num país onde os níveis formais de qualificação da população continuam ao nível dos da Turquia (só 28 por cento da população entre os 25 e os 64 anos completou o ensino secundário), este teatro político não é uma comédia, é uma tragédia que pagaremos muito caro no futuro.

PÚBLICO 10 de Setembro de 2008

FNE manifesta-se sobre taxa de sucesso escolar


A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) desvalorizou os dados que indicam uma subida da taxa de sucesso nos ensinos básico e secundário, considerando mais preocupante o insucesso nas transições de ciclo.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, afirmou que os dados do Ministério da Educação, que indicam que a taxa de insucesso nos ensinos básico e secundário atingiu este ano o valor mais baixo da última década, não chegam a ser “uma boa notícia”. “Não tive acesso ainda a todos os dados mas para a FNE o mais preocupante é o aumento dos níveis de insucesso na transição de ciclo”, sublinhou João Dias da Silva.

FENPROF alerta: regras e limites nos horários dos docentes devem ser cumpridos

«A elaboração dos horários dos professores e educadores tem, este ano, regras e limites legalmente estabelecidos no Despacho n.º 19 117/2008, de 17 de Julho, que não estão a ser respeitados em algumas escolas e agrupamentos, de acordo com informação chegada aos Sindicatos da FENPROF», anunciou esta Federação em comunicado publicado no seu sítio.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

«Não existe nada gratuito»...

O diário PÚBLICO publicou hoje um artigo de opinião da jornalista Helena Matos, no qual discorre sobre os apoios escolares, sublinhando que «não existe nada gratuito»...

Extracto do mesmo artigo:


“Por agora, e embora já em contagem decrescente para entrarmos nessas polémicas, o que ocupa as medidas sucessoras da portaria da bolacha Maria são os apoios escolares. Para este ano lectivo anunciam-se mais refeições gratuitas, mais livros gratuitos e um maior número de alunos abrangidos pelo princípio da gratuitidade. Em primeiro lugar conviria lembrar que não existe nada gratuito. E os primeiros a quem tal deve ser recordado são precisamente o Governo que se compraz, qual aristocrata caritativo, a anunciar tanta gratuitidade como àquelas organizações como o Fórum Não Governamental para Inclusão Social que nunca se sabe quem representam e muito menos o que fazem, mas que, imbuídas duma espécie de superioridade moral, exigem ciclicamente uma escolaridade obrigatória "realmente gratuita". Todos aqueles livros e demais material, além da própria escolaridade em si mesma, custam muitíssimo dinheiro aos portugueses.

Também às famílias o valor deste apoio deve ser recordado. Como aliás devia ser dado aos utentes o valor real de cada consulta num centro de saúde, dos tratamentos nos hospitais públicos, das refeições nas cantinas escolares, etc. Porque não só o gratuito não existe como muito provavelmente, ao transformá-lo numa espécie de prémio de presença para aqueles que agora se chamam carenciados, se está a contribuir para que estes não valorizem a escola. Seria, por exemplo, interessante avaliar, a meio do ano escolar, o estado de conservação e utilização de muitos destes livros e material supostamente gratuitos. Como também seria importantíssimo cruzar os dados destes apoios com os dos resultados escolares. Talvez então se percebesse que, na escolaridade obrigatória, a maior parte dos alunos não tem maus resultados por não ter material escolar ou os manuais. (No caso destes últimos, a sua ausência em algumas disciplinas, como o Português, seria até uma bênção!).

O melhor apoio escolar é uma escola que funcione bem, seja exigente com todos os seus alunos e não trate aqueles que rotula como mais pobres - e que nem sempre o são na realidade - como crianças de quem há menos a esperar, tanto no comportamento como na avaliação. E naturalmente uma escola que seja respeitada para o que é essencial que os seus alunos saibam que custa muito dinheiro. Logo é um privilégio poder frequentá-la sem pagar.”

Programa de intenções (políticas) do Ministério da Educação

O Ministério da Educação divulgou hoje o programa das suas intenções (políticas), a realizar até às eleições do próximo ano. Com tantas 'obras', o trabalho nas escolas não será perturbado?

E o espectáculo continua!...


A ministra da Educação exulta. Este resultado “é fruto de trabalho”! Não há dúvida nenhuma! Sobretudo das “Produções Balofas”, que levam à cena o espectáculo que pretendem, na altura mais conveniente, segundo o plano definido, procurando causar um grande impacto na opinião pública.

Por enquanto, estas encenações, de que desconhecemos o preço, mas que não serão baratas, vão dando resultado... Mas o espectáculo não irá durar eternamente!...

Roger Moore sabia bem do que falava ao afirmar: “Na arte de representar, o mais importante é saber ouvir, porque na vida real a gente nunca sabe o que alguém vai dizer-nos. A não ser que se trate de um político.”

Por cá, poucos são os pais que aceitam que os seus filhos fiquem retidos, devido a não saberem o mínimo; pelo contrário, o que a maioria quer é que eles transitem, não se importando se sabem ou não. Mas no Brasil há pais a recusarem a progressão dos filhos, porque estes não sabem nada…

Mais sucesso no último ano?

A ministra da Educação e a sua equipa estão radiantes. O Primeiro-Ministro não cabe em si de contente. O caso não podia ser para menos. Nunca o sucesso tinha sido tanto nestes últimos dez anos... Já estou a vê-los a comprar champanhe para comemorarem este feito histórico. O que me admira é que esta gente consiga tanto sucesso assim tão depressa...
Quem veja a Educação de fora, atribui este sucesso à equipa da Educação, que pôs os "malandros" dos professores a trabalhar... Mas quem conhece bem esta área sabe que este sucesso foi conseguido graças a uma conjugação favorável dos astros... Os resultados em Educação não surgem assim tão de repente. E a legislação por si só também não produz sucesso, mas pode dar uma ajuda... Este sucesso é balofo, pois não traduz a qualidade das aprendizagens. É que os níveis obtidos pelos alunos não se referem só às aprendizagens realizadas, mas reflectem também outros crítérios definidos em cada Departamento Curricular, como devia ser conhecido por muita gente...
O sucesso no 9.º Ano de escolaridade nem é de estranhar. Com testes tão fáceis como foram os últimos, estranho é não terem sido ainda melhores.
Os governantes podem deitar foguetes; os professores estarão nas Escolas a fazer o seu trabalho, pois também se alegram com o sucesso dos seus alunos, mas apenas com o sucesso efectivo. Pena é que o seu trabalho seja perturbado por aqueles que desejam o sucesso a qualquer preço, quanto mais barato melhor...

Sobre a Escola, que resultados?

«Eis algumas confissões de um professor que votaria no partido que convencesse Maria Filomena Mónica a aceitar ser Ministra da Educação. Mesmo não lhe querendo mal, e sabendo que pouco lhe deixariam alterar...»
Extracto de um artigo de opinião publicado no Diário do Minho, que pode ser lido aqui.

O que deveria integrar a mudança administrativa na Educação

Dão sempre mau resultado as mudanças impostas de cima, sem darem margem de liberdade aos professores para as integrarem nas suas práticas e tempo suficiente para reflectirem sobre elas. Recomendo a leitura de um extracto do livro Por que é que vale a pena lutar?, de Michael Fullan e Andy Hargreaves, editado pela Porto Editora em 2001. A obra original foi publicada em 1991!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Abaixo o Estudo Acompanhado !

As aulas de substituição para ocupar os “furos” dos alunos não deixam espaço para a socialização. O alerta é de José Manuel Gonçalves, especialista em Educação, que considera esta medida uma das “grandes falhas” da política do Ministério da Educação.

domingo, 7 de setembro de 2008

Líder do PSD falou...



A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, falou ao País, dirigindo-se a elementos do seu partido político, no encerramento da iniciativa daquela força partidária denominada "Universidade de Verão".

Criticou a estratégia seguida pelo Governo, considerando-a «uma estratégia de manter as aparências, de esconder os fracassos e de iludir os Portugueses sobre a real dimensão dos seus problemas e da forma de os enfrentar» e sublinhou: «O Governo gasta imensa energia e recursos a tratar da comunicação e imagem, mas o objectivo não é informar, não é esclarecer ou mobilizar. O objectivo é enganar-nos ou distrair-nos.»
Manuela Ferreira Leite observou que «os Portugueses, vivem hoje um clima de desânimo, justamente frustrados por verem desperdiçados os sacrifícios que lhes foram pedidos em troca de promessas num futuro melhor», acrescentando: «Há desilusão onde devia haver esperança, há lassidão onde tinha que haver dinamismo, há indiferença onde devia estar mobilização e vontade de lutar.»
Sublinhando que «este clima de mistificação só tem sido possível porque está apoiado por uma máquina de comunicação e de acção pouco democrática», realçou que para a maioria das pessoas a vida está cada vez mais difícil «salvo para o pequeno grupo que caiu nas graças ou na dependência do poder socialista».

Depois de referir que «do Governo do PS não resultou qualquer benefício para o País», contrapôs que de um governo do seu partido «resultará o progresso».

O discurso de Manuela Ferreira Leite não deixa de ser o discurso de uma líder de um partido político que pretende conquistar o poder. As críticas que fez serão justas, mas de uma líder do maior partido da Oposição esperava-se mais: que apresentasse propostas para resolver problemas detectados.

Manuela Ferreira Leite, antiga ministra da Educação, abordando este tema na sua intervenção apenas lhe dedicou duas linhas, tendo afirmado que com este Governo do PS «a confiança na qualidade e exigência do sistema educativo não melhorou e a classe dos professores conheceu um ataque sem precedentes, ao seu prestígio e autoridade».


Ver artigos do PÚBLICO e da RTP sobre este assunto.

Ler discurso completo de Manuela Ferreira Leite aqui.

Se todos os professores...

O mal-estar dos Professores e Educadores portugueses é uma realidade que o actual Governo provocou e fez alastrar... Gente sem nenhuma sensibilidade não merece estar à frente de uma área tão nobre como é a Educação. O actual ano lectivo não promete ser fácil, pois a avaliação segundo o modelo desenhado pelo Executivo terá de ser posto em prática. Entretanto deixo aqui as reflexões do ilustre escritor português Vergílio Ferreira, na obra Signo Sinal, a propósito da função docente:
«Não se trata, portanto, de um professor ser um escravo a quem se dá um esmola de escravo. Imagine só que todo o professorado fazia greve. Desmoronavam-se os impérios.»
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Menos professores por turma?

O Governo fez anunciar e depois publicar instruções, que as escolas deveriam seguir na organização do presente ano lectivo, conforme o Despacho n.º 19308/2008, publicado no Diário da República n.º 139 - Série II de 21.07.2008, no sentido de ser reduzido o número de professores de cada turma no 2.º Ciclo. Foi uma atitude demagógica, pois isto não veio alterar nada ao que já vigorava nas escolas. Desde que comecei a leccionar, e já lá vão mais de 20 anos, no segundo Ciclo o Professor de Língua Portuguesa e de História e Geografia de Portugal era habitualmente o mesmo, assim como o de Matemática e o de Ciências da Natureza. Ora o que é que o Governo vem inovar nesta área? Absolutamente nada. Apenas os mal informados poderão pensar que há aqui algo de novo. No entanto, continua a ser afirmado que o Governo pretende reduzir o número de docentes no 2.º Ciclo, para que as crianças não fiquem "traumatizadas" com a passagem de um só professor para vários, conforme a edição on-line do semanário SOL. Ora se se conhecesse o mínimo da organização do 1.º Ciclo, já se saberia que o alunos agora já não têm apenas um professor. Então o que são consideradas aquelas pessoas que asseguram as Actividades de Enriquecimento Curricular (Inglês, Expressões e Educação Física)? Os responsáveis pela pasta da Educação desconhecerão isto?... Haja paciência para aturar tanta demagogia e tão pouca inteligência!...

sábado, 6 de setembro de 2008

Um hino à amizade

Estou a ler o livro As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai, um escritor húngaro, depois de ter ouvido falar nele no programa "O amor é..." de Júlio Machado Vaz e Ana Mesquita, que costumo acompanhar aos domingos na Antena 1. Movido pela curiosidade, comprei-o durante as férias e confesso que estou a lê-lo com muito prazer. Já me falta pouco para chegar ao fim e afianço que é um livro que vale a pena ler, porque é uma longa reflexão sobre a amizade. Deixo aqui um extracto do mesmo, a parte que considerei mais bela.
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Sindicatos franceses manifestam-se a favor do serviço público de educação

Várias organizações francesas ligadas à educação, entre as quais os principais sindicatos de professores, apelaram a «todos os cidadãos preocupados com a escola» para que participem numa manisfestação nacional no domingo 19 de Outubro em Paris, «em defesa da escola pública», anunciou o diário francês LE MONDE.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Reformas educaticas que fracassam...

Michael Fullan e Andy Hargreaves escrevem no Prefácio da sua obra Por que é que vale a pena lutar?, editada pela Porto Editora, a propósito das «reformas educativas que repetidamente têm fracassado»:
«Cremos que isto se deve ao facto de elas terem ignorado os professores ou simplificado, excessivamente, o ensino. As reformas têm fracassado porque não focalizam a escola ou o professor como um todo relacionado com a aprendizagem dos alunos. Não existem receitas fáceis, mas os fracassos fáceis são uma realidade.»

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Entrevista de Andreas Schleicher


O físico alemão que comanda os rankings de educação da OCDE, Andreas Schleicher, deu uma entrevista à revista brasileira Veja, no início do passado mês de Agosto. Embora a entrevista tenha como referência a realidade brasileira, vale a pena reflectir sobre algumas das ideias transmitidas.

"Por que a China e outros países em desenvolvimento estão à frente do Brasil?
Antes de tudo, por um fator que pode soar abstrato e até demagógico, mas é bastante concreto: são países que decidiram colocar a educação em primeiro lugar. Isso se traduz em medidas bem práticas implantadas por alguns deles. Uma das mais eficazes diz respeito à criação de incentivos para tornar a carreira de professor atraente, de modo que passasse a ser escolhida pelos estudantes mais talentosos. Essa é uma realidade bem longínqua para muitos dos países em desenvolvimento, como o Brasil."

"Cá por mim, isto há-de ir"

Começa um novo ano escolar. Os professores reúnem esforços e vontades, preparam materiais, pensam em estratégias motivadoras. Os alunos despedem-se das férias com a nostalgia dum tempo agradável e sem exigências. As famílias agradecem a existência de profissionais que os libertam duma tutela incessante. E que, além disso, ensinam os filhos a pensar e a conviver. Tarefas que, por experiência, os pais e mães acabaram por considerar quase impossíveis. E isto, quando apenas têm um ou dois filhos. Que se passará – interrogam-se muitos deles admirados – com grupos numerosos como são as turmas, integrando distintos alunos cada um deles filho do seu pai e da sua mãe? Não foi tarefa fácil tomar conta dos filhos ininterruptamente durante o verão. Excepto nos dias de acampamento, da estadia em casa dos avós ou do fim de semana passado com os amigos.
Quero apresentar a todos quantos integram a comunidade educativa, um interessante slogan para o novo ano: “Cá por mim isto há-de ir”. Que o esforço seja constante, que a convivência seja pacífica, que o trabalho seja estimulante, de forma a que cada um possa contribuir para um progresso significativo na aprendizagem.
A parte mais complexa, a meu ver, é a que cabe aos profissionais do ensino. É nas suas mãos que a sociedade deposita toda a suas esperança. Bem sei que quem não deseja aprender, dificilmente o poderá fazer. Bem sei que alguns alunos chegam às escolas dispostos a rebentar com elas. Mas é aí, precisamente, que reside, hoje em dia, a especial missão do educador. Criar condições em que seja mais fácil realizar a aprendizagem. Tornando razoáveis os objectivos, atractivos os métodos, amáveis as relações, flexível a organização, agradável o ambiente. O educador não pode (nem deve) agarrar o aluno pelo pescoço, a fim de que ele ganhe vontade de aprender, mas pode intervir no contexto e nas relações. Daí o lema: “Cá por mim isto há-de ir”.
Não é fácil, bem o sei. O professor trabalha com “materiais” muito pouco dóceis, com comportamentos e reacções imprevisíveis. O arquitecto trabalha com materiais que obedecem a leis, que respondem da mesma forma aos mesmos estímulos. As pessoas, não. As pessoas são únicas, irrepetíveis, insubstituíveis, imprevisíveis, dinâmicas...
Além disso, o educador tem de trabalhar com grupos numerosos. A adaptação à singularidade de cada indivíduo exige habilidades e recursos de que – por vezes – não se dispõe. Já imaginaram um médico a quem, face a um grupo de trinta pacientes, pedissem que fizesse o diagnóstico a todos eles ao mesmo tempo, com as mesmas perguntas e recorrendo à mesma forma de exploração, que a todos desse o mesmo tratamento, que todos tivessem de o aplicar ao mesmo tempo e que tivesse de fazer um controlo igual, e ao fim do mesmo tempo, a todos eles?
Acrescente-se a todas estas dificuldades intrínsecas outras de carácter mais conjuntural como, por exemplo, o momento social actual, em que os valores promovidos pela escola são persistentemente negados pela cultura. Onde a escola fala em solidariedade, a cultura fala em competitividade, onde a cultura fala em individualismo a escola fala em cooperação, onde a escola fala em ética a cultura fala em relativismo moral...
A tarefa do educador é difícil. Alguns acham-na fácil, bem remunerada, e gozando de férias intermináveis. Quem a observa de perto, com objectividade e boa vontade, reconhece que é uma actividade bem complexa. A minha amiga Lourdes Montero, num recente livro intitulado “A Construção do Conhecimento Docente”, reproduz uma citação do irónico escritor galego Manuel Rivas. Recordo-a, aqui, ao leitor: “Há muita gente, porém, que acha que os professores, hoje em dia, vivem como marqueses e que têm a mania de se queixar, talvez devido à ideia de que trabalhar para o Estado é um perfeita pechincha. Mas se me derem a escolher entre uma expedição “Aos Confins do Impossível” e um jardim de infância, não hesitarei. Escalarei o Evereste pelo lado mais difícil. Ensinar não requer, apenas, uma qualificação académica. Um bom professor, ou um bom mestre, tem de ter o carisma dum Chefe de Governo, o que com certeza está ao seu alcance; a autoridade dum porteiro, o que já se torna mais difícil, e as competências combinadas dum psicólogo, dum palhaço e dum comandante da Kfor. Sei duma professora de Ciências Naturais que só dominou os alunos quando provou possuir conhecimentos futebolísticos pouco comuns, o que lhe permitiu abordar com entusiasmo a evolução das espécies”.
A tarefa docente é uma tarefa peculiar. Numa sociedade que sabe que acumular informação é dispor de poder, trabalham uns indivíduos que se dedicam, por ofício, a partilhar a informação que possuem, a transmiti-la, a despertar o desejo de a adquirir, a facilitar estratégias para a analisar e a oferecer critérios para as pessoas se servirem dela eticamente.
É preciso não abandonar os educadores. Há que estar ao seu lado. Por isso quero estender o lema a todos os cidadãos e cidadãs. Porque a educação é de todos. Todos têm possibilidade e, diria mesmo, obrigação de ajudar os que na sociedade se dedicam a esta complexa tarefa de educar. É por isso que também para algum dos meus leitores há-de servir este apelo: “Cá por mim, isto há-de ir”.
Miguel Ángel Santos Guerra, No Coração da Escola, ASA Editores, Porto, 2003, pp.159 a 161

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A propósito de divórcio...

Divorciei-me duas vezes e casei três, nenhuma delas pela Igreja. Isto significa, a meu ver, três coisas: uma, que não sou católico; duas, que vejo o divórcio como a forma natural e civilizada de pôr termo a casamentos acabados; e, três, que, apesar de tudo, continuo a acreditar no casamento. Mas nada disso me impede de discordar com veemência da nova Lei de Divórcio, feita aprovar pelo PS com votos a favor do PCP e, claro, do BE. Em suma, o que a lei estabelece é isto: estás farto do casamento? Pois, para além de outras razões, basta-te estar separado dois anos e obténs o divórcio sem necessidade de invocar um fundamento litigioso e mesmo que a outra parte não queira e não tenha tido culpa alguma. Assim, o casamento deixa de ser um contrato bilateral para passar a ser unilateral; uma das partes pode rasgar o contrato quando lhe convém e mesmo sem fundamento. Parece simples e lógico, para além de moderno: já não te amo, adeus. Porém, na prática, o que isto vai significar, em inúmeros casos, é que o mais forte vai ditar livremente a sua lei.

Hoje, estive no velório de uma amiga a quem foi diagnosticado um cancro há um ano e que viveu em agonia desde então. Morreu esta manhã, depois de comer o último pequeno-almoço, dado à colher, pelo marido. Simplesmente, encostou-se na almofada e morreu. Segundo a lei do PS, um dos motivos que podem justificar o pedido de divórcio unilateral é a “doença mental do cônjuge” ao fim de um ano. Ora, uma doença mental, como todos sabemos, é uma doença igual às outras. Se, em lugar de ter tido um cancro, esta minha amiga tivesse tido uma doença mental, o marido podia ter-se livrado dela e de todas as chatices, descartando-se do último pequeno-almoço e de tudo o resto.

Repito que não sou católico e nunca me casei pela Igreja, mas acho lindíssimo aquele juramento que se faz nos casamentos católicos, de ser-se fiel e dedicado ao outro na abundância como na pobreza, na juventude como na velhice, na saúde como na doença. Amar é isso mesmo e, até ver, o casamento é o único contrato que tem como objecto o amor. Ao abrigo da filosofia da lei do PS, o marido podia “ter dado o fora”, ao ver a mulher doente. Ao abrigo da decência humana, não.

Miguel Sousa Tavares, in revista GQ PORTUGAL | N.º 65 | Setembro 2008

Vale a pena pensar nisto

Eis que chega o tempo das compras para o início do novo ano lectivo. Ninguém escapa a isso! Vai ser preciso correr os supermercados à procura da pasta ou da mochila, do porta-lápis, dos cadernos, dos dossiês, dos lápis e compassos de todos os tipos. Também vai ser necessário comprar um casaco novo e as sapatilhas de desporto. Talvez também comprar uma bata nova que entretanto envelheceu. É claro que você resiste a isso. O novo ano lectivo é um momento difícil para as finanças familiares. Nem pensar em gastar de qualquer maneira! Evitemos o mais pequeno desperdício!
Mas aí tem de lidar com um adversário de respeito: o pouco vestuário que eu pensava poder utilizar novamente já não está na moda, evidentemente! É preciso umas sapatilhas novas, da marca que se impõe, a marca que todos os colegas vão comprar, aquela que mostra claramente que se pertence ao grupo, que se compreende os códigos e se segue as últimas imposições dos folhetins televisivos e dos cantores na moda naquele verão. E não falemos das coisas das aulas: nem pensar em comprar aqueles produtos genéricos que os comerciantes propõem a preços interessantes: seria ridículo! “Estás a ver-me tirar da minha mochila uma agenda ou um cadernos nos quais esteja escrito preço económico? Passava logo por um imbecil!”
Vai resistindo como pode. Mas não imagina a reacção: eis que ela chora, que ele se irrita, eles que amuam e gritam até à humilhação. Começa a parte do braço-de-ferro: será dura.
É que talvez ignore a pressão que existe nas salas de aula, nas escolas, nos bairros. Pressão terrível para a conformidade. Se não tiver as marcas certas, está ameaçado de exclusão. Ridicularizam-no. Normalmente por segundos sentidos. Ou então segredando e rindo à socapa quando passa. Por vezes, até, tratando de “menina do papá e da mamã”. Tem-se então a sensação de se ser o alvo de todos os olhares. Sentimo-nos mal. Sentimo-nos feios. Maldizemos os pais que nos colocaram nesta posição.
Será, por conseguinte, necessário ceder à ditadura da moda? Será necessário gastar somas astronómicas simplesmente para que o seu filho ou a sua filha não se sintam perseguidos por aqueles e por aquelas com quem se vai acotovelar no início do ano lectivo? Passado o momento de indignação, certamente transigirá… porque também não se pode correr riscos demasiados grandes com os nossos filhos. Mas também resistirá: para não aprovar o despotismo das marcas e dos pequenos chefes dos bandos que as usam para tomarem o poder. E, sobretudo, porque tem de ensinar ao seu filho o direito à resistência e o direito à diferença. O direito de não ceder, em qualquer tempo e em qualquer lugar, à pressão da conformidade. Mas, então, é preciso que, nessa aprendizagem, seja resolutamente um seu aliado e que a seu lado testemunhe quotidianamente que se pode, que se deve, contra todas as intimidações, ousar sermos nós próprios.
Philippe Meirieu, O Mundo não é um brinquedo

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Reflexões de um professor indignado...

Encontrei estas reflexões no blogue do Paulo Guinote e decidi publicá-las aqui por solidariedade com o Professor António Morais. Embora não o conheça pessoalmente, aqui dei conta da sua partida para a sua viagem de bicicleta e admiro a sua coragem para protestar. É preciso muitos como ele. Efectivamente achei estranho a sua chegada não ter despertado a atenção da Comunicação Social... Lendo aquilo que escreveu, percebe-se melhor tudo...

“Chamo-me António Morais. Sou professor. Aquele professor doido que percorreu 947 km de bicicleta unindo as escolas nas quais teve o privilégio de leccionar e trabalhar com o intuito de chamar a atenção para o que se está a passar na educação.
Há muito tempo que percebi que a educação não está na moda. Quem é que se importa com ela? Talvez o governo se importe um pouco, mas só na justa medida em que possa cortar e limitar os gastos com ela. Eu importo-me muito, e acho sinceramente que este ministério com a sua obsessiva avalanche de mudanças norteadas por princípios exclusivamente economicistas delapidou e destruiu o património da classe docente: a sua dignidade e o seu empenho; e assim deu uma estocada mortal na escola pública. Queria denunciar esta triste realidade e por desgraça descobri algo ainda mais horrível: a existência de indícios muito fortes de que a liberdade de expressão já não mora aqui! Ao longo desta legislatura foram surgindo sinais que pareciam fortuitos e pontuais do cercear da liberdade de expressão. Agora configuram, para mim, uma clara estratégia sistemática e bem urdida para calar as vozes dissonantes. Foi uma anedota sobre o Primeiro-Ministro, que custou o lugar na DREN e um processo disciplinar ao professor que a contou. Lembro que tal piada não foi escutada pela pessoa que sentenciou e pronunciou a pena. Presumo que a anedota deveria ser péssima para ser premiada com tal castigo!!! Foi uma simpática visita realizada por dois amáveis polícias ao sindicato da Fenprof na Covilhã na véspera da visita do Primeiro-Ministro àquela cidade, que apenas queriam tomar café. O café dos sindicatos tem outro sabor!!! Foi a preocupação das autoridades em encontrar estacionamento em Lisboa no dia 8 de Março (o dia da Marcha da Indignação) que fez com que fossem às escolas previamente inteirar-se dos professores que iriam para a capital protestar. É excelente termos um governo preocupado com o nosso bem-estar no trânsito lisboeta!!! Foi a proibição dos professores se deslocarem para outras escolas para participarem em reuniões sindicais. Nessas deslocações podem acontecer acidentes, deve ser essa a preocupação que fundamentou esta proibição. A tutela preocupa-se connosco!!! Foi a pretensão da tutela em diminuir a representatividade dos sindicatos e, certamente, continua a ser. Afinal numa altura em que tudo o que pedido pelos trabalhadores é imediatamente concedido pelas entidades patronais… para que são necessários os sindicatos?!!!

Agora os factos estranhos que aconteceram na última etapa da minha viagem “No Trilho da Esperança”, que uniu Alcoutim a Vila Real de Santo António…
Primeiro: duas cadeias de televisão enviaram duas jornalistas e dois operadores de imagem respectivamente que me acompanharam durante uma grande parte desta última jornada e que filmaram a conferência de imprensa improvisada na rua pela impossibilidade de ser realizada dentro da escola.

Segundo: a Escola Básica 2,3 D. José I de Vila Real de Santo António, à hora da minha chegada, que ocorreu por volta das 13.30, estava encerrada, mesmo estando lá dentro pessoal administrativo e auxiliares de acção educativa que se escondiam quando chamávamos para que nos abrissem a porta.

Terceiro: a Direcção Regional de Educação do Algarve não autorizou a que se fizesse a conferência de imprensa no interior da escola.

Quarto: os telejornais das respectivas televisões que se encontraram presentes não deram qualquer notícia referente ao que tinha acontecido durante e no fim desta jornada.
Explicações para estes factos: Primeiro, os jornalistas e os operadores de câmara das respectivas televisões foram filmar-nos com a intenção de passar o tempo e não de veicular qualquer informação. É um bom passatempo!!! Segundo: a escola estava fechada porque era a hora de almoço, mesmo tendo sido avisados e tendo conhecimento que a hora prevista da minha chegada era as 13.00, e os funcionários iam-se escondendo, porque gostam de jogar às escondidas!!! Terceiro: a Direcção Regional de Educação do Algarve não gosta de professores ciclistas e jornalistas dentro da escola, sobretudo em tempo de férias, podem perturbar o normal funcionamento das aulas inexistentes!!! Quarto: a última jornada de uma viagem de protesto de bicicleta pela educação não tem nenhum interesse jornalístico, sobretudo quando a escola está fechada e quando a tutela não autorizou que se fizesse a conferência de imprensa lá dentro. É tudo muito comum e banal para ser notícia!!!

Num regime ditatorial sei que não sou livre para dizer o que quero, mas ao contrário, pensava eu, ingenuamente, num regime democrático tenho liberdade de expressão e as minhas ideias podem ser veiculadas pelos meios de comunicação social. Estava enganado!!! O que é feito do significado da palavra “democracia” e da “liberdade de expressão”? Parece que estou a viver numa “diz que é uma espécie de democracia”, com muito de “espécie” e pouco de “democracia”.

Bom, devem ser tudo coincidências estranhas e eu devo estar num estado de alucinação e ver o que em realidade não existe. A nossa democracia não está bem mas recomenda-se! Recomenda-se um tratamento eficaz para a profunda doença de que padece!!!!”

António Morais

Começou a modernização das escolas

Embora seja uma boa iniciativa, há muito que ela deveria ter sido iniciada. Há escolas que há dezenas de anos não são alvo de obras de vulto. Estão nesta situação as escolas secundárias antigas (antigos liceus), que apenas resistiram porque a construção é de boa qualidade.
Como já era esperado, o Primeiro-Ministro, José Sócrates, aproveitou a ocasião para marcar uns pontos na Comunicação Social, visitando algumas escolas que estão a ser alvo de obras de remodelação. A RTP acompanhou a visita.

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=361479&tema=27

Federações de Professores apresentam propostas

Com o ano lectivo prestes a ser iniciado, e numa altura em que os Professores começam a regressar às escolas, as duas federações de Professores portugueses - FNE e FENPROF - divulgaram as suas propostas, no sentido de haver melhorias na Educação.

Ministra da Educação dá o mote...


A poucos dias da abertura de mais um ano escolar, a ministra da Educação sublinha, em entrevista à TSF, que não receia a contestação dos sindicatos e que o esforço do Governo tem sido compensado pelos resultados dos alunos.
A governante enfatiza que este ano lectivo estão reunidas as condições para vir a ser prestado um bom serviço público de educação:
«É um ano que começa com mais alunos e que sucede a um ano em que os resultados escolares foram melhores. É um ano em que teremos mais cursos profissionais, mais investimento nas escolas, mais acção social escolar, mais apoio para as famílias, mais livros, computadores, melhores condições de ensino e aprendizagem. Portanto, espero que seja um ano em que se presta um melhor serviço público de educação.»

COMENTÁRIO:
A ministra da Educação mostra, mais uma vez, que não tem aprendido nada com a contestação dos Professores e Educadores, ao afirmar que não receia a contestação dos sindicatos. Lá diz o ditado popular "Burro velho não toma andadura e se a toma pouco dura"... Com este espírito da responsável pela pasta da Educação, estamos mesmo a ver o filme...
Esperemos que se cumpra o seu sonho... Mas do sonho à realidade vai uma grande distância... Depois de ter infernizado a vida dos professores, esta ministra da Educação não deverá ficar à espera de uma vida doce... Quem semeia ventos...

Recomeça, se puderes, sem angústia e sem pressa...

Vem mesmo a propósito este poema de Miguel Torga, o pseudónimo do médico transmontano Adolfo Correia Rocha, que o escreveu em Coimbra a 27 de Dezembro de 1977.

A Propaganda em acção

O Ministério da Educação começou, como era previsível, a propaganda. Quem paga esta campanha?Digam-me que não é o contribuinte!... Veja-se o anúncio publicitário publicado no Jornal de Notícias do passado domingo...