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domingo, 12 de setembro de 2010

Ministra da Educação afasta a hipótese de avançar com uma revisão curricular

Nesta entrevista dada em exclusivo ao Jornal de Notícias, Isabel Vilar afasta a hipótese de avançar com uma revisão curricular, depois de o próprio Ministério da Educação ter anunciado que a mesma estava a ser pensada…

Isabel Alçada admite que mais escolas poderão fechar

Alexandra Inácio

O próximo ano lectivo pode começar como este — marcado pelo encerramento de mais escolas de 1.º ciclo. Ontem, sábado, ao JN, a ministra da Educação admitiu essa possibilidade ao defender que o reordenamento da rede é um processo contínuo e inacabado.

Amanhã, segunda-feira, é o último dia do calendário para o arranque do ano. Isabel Alçada afasta a hipótese de avançar com uma revisão curricular, como chegou a anunciar em Dezembro de 2009, mas admite ajustamentos em algumas áreas disciplinares.

Que metas tem para este ano lectivo?

Temos duas grandes metas, além do que está previsto no programa do Governo: investir na escolaridade até aos 12 anos de todos os jovens, de modo a evitar a desistência, e melhorar os resultados escolares, sobretudo ao nível da aquisição das competências básicas. Vamos incidir muito declaradamente na Língua Portuguesa e na Matemática, ensino que precisamos aprofundar desde o 1º ciclo até ao 12º.

De que forma vai fazer esse aprofundamento?

Este ano teremos as metas de aprendizagem, que esperamos sirvam de referência para o desenvolvimento das actividades, tornando mais claras as etapas do percurso educativo.

E a aplicação das metas é suficiente para atingir os objectivos que traçou — melhoria dos resultados escolares e redução do abandono?

São mais um instrumento. Um referencial que pode ajudar os professores. As metas devem ser disponibilizadas durante este mês e vão ser testadas, durante este ano, por algumas escolas, com acompanhamento da equipa técnica. Esse acompanhamento destina-se a verificar se estão adequadas e introduzir eventuais ajustamentos. Naturalmente, os resultados dos alunos decorrem do trabalho nas salas de aula, acompanhados pela atenção e competência dos professores. Além disso existem outros recursos, como o estudo acompanhado. Não há soluções únicas para se atingir melhorias.

Definidas as metas do pré-escolar ao 9.º ano do ensino básico, pondera avançar com uma revisão curricular?

As metas são um primeiro passo no quadro curricular. Estamos a trabalhar na área do currículo e poderão decorrer da aplicação das próprias metas alguns ajustamentos na grelha horária no conjunto das áreas disciplinares e não disciplinares. Vamos ver se será possível termos uma alteração, mas não avançaremos nunca sem dialogar com os parceiros, nomeadamente com o Conselho Nacional de Educação e o Conselho de Escolas, que estão a analisar essa questão.

Espera uma adesão expressiva por parte das escolas?

Espero que os professores as usem como referencial.

Este arranque de ano está a ser marcado pela rejeição de alguns autarcas em fechar escolas. Vão fechar as 701 previstas ou poderá aceitar a manutenção de alguns desses estabelecimentos?

Vão fechar as que tinham sido anunciadas.

Como pensa convencer esses autarcas e os pais que apresentaram providências cautelares?

Tem havido um trabalho com o Conselho de Escolas e o Ministério da Educação celebrou protocolos com a Associação Nacional dos Municípios. Além disso, as direcções regionais de educação desenvolveram um trabalho, no terreno, com as 278 câmaras e as direcções das escolas. Foi um trabalho de minúcia, feito com cuidado. Essas 701 escolas não oferecem as condições de ensino que desejamos para todos os alunos.

Quantos centros escolares abriram neste arranque de ano?

Aproximadamente 112 e estimamos que, ainda este ano lectivo, se atinja um total de 333 novos centros. Temos ainda aprovados 566 projectos.

Isso significa que no próximo ano haverá mais fechos?

O reordenamento nunca está encerrado. Há sempre ajustamentos. É um processo contínuo.

E quanto à fusão de agrupamentos, tem alguma meta para o próximo ano lectivo?

Não temos uma meta definida. A agregação de agrupamentos permite melhorar o sistema em alguns domínios, como na eficiência dos serviços financeiros, no estreitar do relacionamento com o ministério face à comunicação de informações, como matrículas, e permitindo o acompanhamento do percurso escolar do aluno.

O processo vai implicar a revisão da lei de gestão escolar?

Não. Nem o reordenamento da rede, nem a agregação implicam alterações de quadro legal.

Os professores podem completar horários dando aulas nas várias escolas do agrupamento?

Não há nenhuma alteração sobre isso.

Quais os objectivos da comissão para a optimização dos recursos educativos?

Analisar cuidadosamente a forma como o ministério usa os recursos financeiros. O que pretendemos é optimizar. O importante é trabalhar na monitorização permanente, de modo a não existirem desperdícios.

Já recebeu as propostas para o Orçamento de Estado que o grupo de trabalho, coordenado pelo Ministério das Finanças, ficou de entregar até 31 de Agosto?

Ainda não tenho esses dados.

► Jornal de Notícias [12.09.2010]

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ministra da Educação prefere a guerra com os professores

Entrevista

“Paz com professores vai sair muito cara ao país”

Bruno Proença e Madalena Queirós

31/08/09 00:05

Maria de Lurdes Rodrigues diz que a oposição erra ao tentar “comprar a paz com os professores”.

Durante toda a entrevista, Maria de Lurdes Rodrigues manteve a determinação que lhe é reconhecida e que os opositores, nomeadamente os sindicatos, caracterizam de teimosia. A ministra da Educação fez o balanço do mandato e respondeu aos críticos dentro do PS. Quanto às promessas da oposição, avisa: “Estão a comprar a paz com os professores por um preço que o país não pode pagar”.

O PSD já disse que se vencer as eleições vai deitar abaixo algumas das suas principais reformas...

Já vimos muitas coisas voltar atrás, com efeitos muito negativos para o país. Procurei conduzir a política educativa ao longo destes quatro anos valorizando e potenciando a herança que recebi. Podíamos simplesmente ter destruído a introdução dos exames no 9.º ano, decidida pelo governo anterior. Mas considerámos que era muito importante não ter hesitações nessa matéria. Houve, nos últimos anos, decisões muito importantes de outros executivos que foram decisivas para algumas realizações deste mandato. Se a atitude for “vamos ver o que é que eu consigo destruir do que o meu antecessor fez”, isso é muitíssimo negativo e certamente prejudica o sistema educativo que, ainda por cima, tem na memória muitos traços dessas hesitações. Procurei imprimir uma orientação de total respeito pelas heranças que recebi, colocar o interesse do país, dos jovens e das famílias acima de qualquer outro interesse e continuar o caminho daquilo que são grandes consensos.

[Extracto da entrevista concedida pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ao jornal Diário Económico e publicada na edição do passado dia 31 de Agosto]

domingo, 26 de julho de 2009

D. Certezas no mundo do faz-de-conta

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, deu uma entrevista ao jornal Diário de Notícias, na qual repete chavões utilizados ao longo do seu mandato, fazendo crer que tudo corre bem no mundo da Educação. Só os ingénuos acreditarão naquilo que ela afirma. Aqui fica um extracto da mesma entrevista.

O modelo de avaliação que quer implantar ainda não passou da versão simplificada?

Sim, mas no essencial a sua estrutura de princípios não difere muito do modelo inicialmente proposto. Entendeu-se que há um caminho a percorrer mais lento do que inicialmente gostaria, mas não modifica a natureza do objectivo.

Mais lento porque os sindicatos dos professores não aceitam essas medidas?

Sim. Na realidade, não aceitam a avaliação. Escudam-se por detrás dos argumentos de modelos deste ou daquele tipo de avaliação, mas o que acontece é mesmo a rejeição da avaliação.

Os professores recusam ser avaliados?

Há uma rejeição que se pode exprimir através dos mais diversos argumentos. De que não é este o melhor modelo, que não é com estes professores, que não é na escola... É sempre assim porque, quando não estão de acordo, aí, todos os argumentos são válidos para contestar.

É da opinião que os sindicatos são contra porque os docentes evitam ser avaliados?

Não diria isso, porque acho que muitos professores querem ser avaliados e a prova é que houve uma grande adesão mas também há muito receio neste processo. E aqui os bons professores podiam ser um motor de mudança, porque não há nenhuma razão para um bom professor ter medo da avaliação. Os bons professores não podem ter medo nem misturar-se no ruído que apela à indiferenciação e a considerar que todos são iguais. Houve cem mil professores sujeitos à avaliação este ano e é por aqui que o terreno tem de ser conquistado, a bem das escolas e dos próprios professores. Há uma parte significativa de professores que tem medo da consequência.

Muitos não entregaram os objectivos.

Não é grande o número dos que não entregaram os objectivos ou que continuam a rejeitar a avaliação. A minha expectativa é que tudo se ajuste.

Defende a avaliação mas durante a sua carreira académica não foi avaliada?

Não?

É uma pergunta, o que estou a fazer.

Gostava de dizer que não são as experiências pessoais que dão a legitimidade para a tomada de decisão, nem acho que a legitimidade política venha dessa perspectiva. A legitimidade política vem da legitimidade democrática e os ministros são apenas agentes na condução da política, havendo muitos aspectos que estão para além da própria experiência pessoal. Mas, para que a pergunta não fique sem resposta, e apesar de considerar que não é relevante, não é por eu ter sido avaliada quatro vezes ─ com prestação de provas públicas perante júris externos que avaliam a carreira docente ─ que acho que os professores têm de ser avaliados. O problema disto ser muito sentido pelos professores é porque os sindicatos demoraram 30 anos a construir a situação em que estamos, a que anula todas as diferenças. A única diferença que os professores aceitam é a do salário: eu sou mais velho, ganho mais, tu és mais novo, ganhas menos. Não importa o que fazem ou as responsabilidades. Isso é resultado do trabalho sindical de muitos anos. Eu compreendo as reacções, mas não significa que as aceite. O que estava a acontecer põe, a prazo, em causa o próprio sentido de carreira.

Da ronda de negociações que se verificaram esta semana pouco resultou porque a posição da ministra não muda.

Não é verdade! Os sindicatos tiveram oportunidade de propor alterações. Não o fizeram e nada mudou porque o que querem desde o início é parar e anular os efeitos da avaliação. Neste momento, anulá-los significa premiar os professores que não a fizeram e castigar os que participaram. É dizer a todos os que terão classificações de muito bom e excelente que não vale nada.

Quantos anos calcula serem necessários estar no ministério para ganhar a batalha?

Não coloco as coisas nesses termos. Eu diria que mais importante que as pessoas são as políticas e, portanto, não é por uma pessoa se manter, por ser este ou aquele ministro, que o sentido das políticas que define e as condições para a sua execução o torna indispensável.

Que tempo demorará a impor a avaliação?

Não é um problema de estar este ou aquele ministro, temos de ter políticas com objectivos e com ambição. Existe um relativo consenso na sociedade sobre as matérias da Educação, por isso foi relativamente fácil aprovar o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos. Está relativamente consensualizada a necessidade de diversificar a oferta formativa ao nível do ensino secundário, foi relativamente fácil consensualizar o inglês... Depois, há zonas em que o consenso é menor, mas, aí, o que devíamos era ter a ambição de aproveitar as áreas de grande convergência para dar passos gigantes, poupar e recuperar atrasos. O programa Novas Oportunidades, por exemplo, revelou que havia um milhão de portugueses disponíveis para voltar à escola.

Diário de Notícias Domingo, 26 de Julho de 2009

Comentário:

Bem pode a ministra da Educação destilar o seu fel contra os sindicatos e os professores que já ninguém lhe dá crédito. Continuará a fazer de conta que governa até que seja substituída no Governo. Quem não aprende nada com a experiência e não procura os consensos não pode estar em funções governativas. A ministra não admite que não conseguiu impor o seu modelo de avaliação, o que foi uma nítida derrota da sua política. Por outro lado, vangloria-se do programa Novas Oportunidades que revelou «que havia um milhão de portugueses disponíveis para voltar à escola». Terá interpretado bem a vontade dos portugueses? Haverá um milhão de portugueses disponíveis, não para voltarem à escola, mas para fazerem de conta que lá voltam!… Aliás, foi no que a política de Maria de Lurdes Rodrigues para a Educação se tornou: um faz-de-conta em todos os aspectos. É tempo de mudar!

Entrevista completa

segunda-feira, 16 de março de 2009

Com a verdade nos engana?

A Ministra da Educação passa em revista algumas das medidas tomadas nos últimos quatro anos. As reacções são tão radicais quanto as mudanças impostas e as ameaças de instabilidade no final do ano lectivo são repudiadas

É com um ar cansado que Maria de Lurdes Rodrigues recebe o JN no "seu" Ministério da Educação (ME). Afinal, foram quatro anos em que não faltaram lutas, vitórias e aparentes recuos. Mas a Educação não está, definitivamente, igual antes e depois da sua passagem pelo cargo.

Os pais e agentes educativos esperam por tranquilidade. Manifestações e aparentes boicotes a medidas suas são factos incontornáveis. Assume parte da responsabilidade?

Sou ministra da Educação. Tenho essa noção. Temos tido uma grande capacidade de concretização. Repare nas inúmeras frentes que foram abertas, desde o encerramento de escolas do 1.º ciclo à construção dos centros escolares, criação de cursos profissionais, mudanças nas regras de funcionamento das escolas e na própria carreira dos professores…

Todas essas mudanças em pouco tempo...

Durante 10 anos, tivemos sempre menos alunos e mais professores. Duplicámos o orçamento e os resultados escolares não denotavam qualquer recuperação, sobretudo no Secundário. Estávamos a distanciar-nos cada vez mais dos outros países europeus. Era urgente resolver o problema da rede escolar. As reacções às mudanças são muitas vezes proporcionais à perplexidade causada pela própria mudança.

Até mesmo Mário Nogueira reconhece que o professor não pode deixar os problemas à porta da sala de aula e, simultaneamente, lembra que as burocracias da avaliação dos docentes vão coincidir com o final do terceiro período.

O trabalho que se exige aos professores avaliados é, num momento inicial, a entrega dos Objectivos Individuais (OI) e, mais tarde, o preenchimento de uma ficha de auto-avaliação sobre o cumprimento desses OI. Depois, pode acontecer, ou não, uma reunião entre avaliadores e avaliados. Portanto, não é legítimo dizer que há uma grande sobrecarga de trabalho. O critério relativo aos resultados escolares dos alunos estava a ser impossível do ponto de vista técnico, por isso retirámos essa dimensão da avaliação.

O problema é que o discurso dos sindicatos coloca pressão sobre os pais dos alunos relativamente ao final de ano lectivo.

O argumento faz chantagem sobre os pais e não é legítimo sobre esse ponto de vista.

Para si é claro que os professores têm a obrigação de entregar os OI?

A entrega dos OI é um dever. Sem objectivos não há processo de avaliação.

Haverá mesmo penalização para quem não entregar os OI?

Pode haver ou não. Não é o ME que tem esse poder disciplinar sobre os professores.

(Continua)

Fonte: Jornal de Notícias

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ministra da Educação dá o mote...


A poucos dias da abertura de mais um ano escolar, a ministra da Educação sublinha, em entrevista à TSF, que não receia a contestação dos sindicatos e que o esforço do Governo tem sido compensado pelos resultados dos alunos.
A governante enfatiza que este ano lectivo estão reunidas as condições para vir a ser prestado um bom serviço público de educação:
«É um ano que começa com mais alunos e que sucede a um ano em que os resultados escolares foram melhores. É um ano em que teremos mais cursos profissionais, mais investimento nas escolas, mais acção social escolar, mais apoio para as famílias, mais livros, computadores, melhores condições de ensino e aprendizagem. Portanto, espero que seja um ano em que se presta um melhor serviço público de educação.»

COMENTÁRIO:
A ministra da Educação mostra, mais uma vez, que não tem aprendido nada com a contestação dos Professores e Educadores, ao afirmar que não receia a contestação dos sindicatos. Lá diz o ditado popular "Burro velho não toma andadura e se a toma pouco dura"... Com este espírito da responsável pela pasta da Educação, estamos mesmo a ver o filme...
Esperemos que se cumpra o seu sonho... Mas do sonho à realidade vai uma grande distância... Depois de ter infernizado a vida dos professores, esta ministra da Educação não deverá ficar à espera de uma vida doce... Quem semeia ventos...