sábado, 18 de junho de 2011

Maus exemplos do jornalismo

DEPOIS DA PRIMEIRA IMPRESSÃO

Ricardo Costa

rcosta@expresso.impresa.pt

Não era o governo que se esperava. Como sempre, bons nomes darão maus ministros e segundas escolhas vão surpreender. Acredito que a próxima impressão será melhor do que a criada ontem

N

ão vale a pena disfarçar. O governo que Passos Coelho levou ontem a Belém é pior do que se esperava. Tem bons nomes, é certo, e pode vir a funcionar bem. Mas não cria a ideia imediata de que este é um governo de exceção. E não cria porque, pura e simplesmente, não é. As expectativas criadas apontavam para uma seleção nacional. Não é o caso.

Este tipo de leitura rápida tende a ser injusta. Já todos vimos excelentes escolhas darem ministros irrelevantes e vice-versa. Teremos surpresas, boas e más. Para já, temos nomes. Paulo Portas é a escolha óbvia para MNE. Experiente, vai ter agora de mostrar que domina os temas europeus enquanto a

Europa se desfaz e ninguém acredita em Portugal. Portas vai ter de trabalhar lado a lado com o ministro das Finanças. E este é o grande problema de Vítor Gaspar. A sua experiência como economista (no BCE e no BdP) vai ser posta à prova num momento dramático da política europeia. Não tenho dúvidas de que vai controlar a despesa mas verá os mercados olharem para Portugal pelo seu real valor: dois por cento da economia europeia.

Álvaro Santos Pereira aproximou-se cedo de Passos. Vem do Canadá e vai perceber depressa que ser ministro da Economia hoje é quase fazer banca de investimentos. Receber na mesma pasta as Obras Públicas, o Trabalho e as Telecomunicações é muito para quem não tem experiência política ou executiva. Pires de Lima ou Lobo Xavier davam mais garantias. Mas o PSD quis a pasta.

Foi nesta troca que o CDS descobriu a pasta económica. Juntou a agricultura e o Mar ao Ambiente, concentrando 90 por cento dos fundos comunitários na pasta. Assunção Cristas não percebe nada do assunto mas vai fazer um bom cargo. Não é uma contradição, é mesmo assim. Só um mau político é que faz um mau lugar num ministério destes.

Nuno Crato é o grande nome deste governo. Mas as suas ideias são radicalmente diferentes das teorias que fizeram escola no PSD e no PS durante décadas. Os professores vão ficar aterrados. Mário Nogueira já deve estar a tomar um balde de alka-seltzers. Mas a verdade é que Crato tem o problema de Santos Pereira. Terá de aprender a fazer política a este nível e isso não é fácil. Não é este o problema de Paulo Macedo. Quem dominou os impostos domina a máquina da saúde. Mas a sua experiência como administrador da Médis não é um grande cartão de visita. Não falo dos ministros mais políticos mas deixo uma palavra para Mota Soares. Tem boa capacidade de trabalho e foi treinado por Bagão Félix. É o exemplo claro de que uma segunda oportunidade pode criar uma primeira impressão. Ah, já me esquecia: o governo mais pequeno impressionou alguém?

___________________________________

Expresso 18 de Junho de 2011 | N.º 2016

Comentário:

O artigo atrás transcrito, foi publicado hoje no jornal Expresso. É um mau exemplo de jornalismo. Um jornalista não deverá imiscuir-se em assuntos políticos e fazer este tipo de análises, mais parecendo um mago transmitindo a sua leitura dos dados obtidos na bola de cristal. Isto fica mal a um jornalista e assenta ainda pior a um director de um qualquer jornal. Ricardo Costa pode fazer este tipo de comentários no seu círculo de amigos. Mas é censurável fazê-lo publicamente, ainda por cima no semanário que dirige. Haverá quem goste deste tipo de jornalismo, mas a maioria dos leitores de jornais não apreciarão este caminho…

Nenhum comentário: