Um dicionário com 1400 entradas que se propões esclarecer “dúvidas, dificuldades e subtilezas” a quem fala e escreve em português chegou recentemente ao mercado. A obra é da autoria de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão.
sábado, 8 de maio de 2010
Novo dicionário esclarece dúvidas de quem fala e escreve português
"Dicionário de Dúvidas, Dificuldades e Subtilezas da Língua Portuguesa" pretende proporcionar "maior clareza na distinção da fronteira entre o erro e as formas legítimas e admissíveis" da expressão oral e verbal, de acordo com a introdução assinada pelas três especialistas.
As 1400 entradas do livro estão organizadas por ordem alfabética e respeitam a expressões, substantivos e verbos, entre outros.
A obra, com cerca de 360 páginas, tem como referência o Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa (VOLP) de Malaca Casteleiro, da Porto Editora e publica, como elemento complementar, em apêndice, o Anexo II do Acordo Ortográfico.
Esta é a segunda obra do género publicada desde março último, depois de a Planeta Editora ter dado à estampa "Assim é que é falar".
► Lusa/ SIC
sexta-feira, 7 de maio de 2010
“El País” noticia caso do deputado português que abandona entrevista e leva consigo gravadores
Un diputado português interrumpe una entrevista y se lleva las grbadoras
El diputado portugués Ricardo Rodrigues, vicepresidente del grupo parlamentario socialista, estaba en plena entrevista con dos periodistas de la revista Sábado , cuando visiblemente enojado, dio por terminado el encuentro, se levantó, cogió las dos grabadoras de encima de la mesa, se las metió en el bolsillo y se fue. Y tan campante. La escena fue registrada en vídeo por el fotógrafo de Sábado y la difusión de las imágenes ha dado pie a un escándalo mayúsculo. Los reporteros han presentado una denuncia por robo y atentado contra la libertad de prensa y de información, y el sindicato de periodistas ha condenado la actitud del diputado y ha pedido que el caso sea analizado por la comisión parlamentaria de derechos, libertades y garantías.
Só o Tribunal verga o Ministério da Educação
Ministério retira avaliação de desempenho do concurso de professores
O Ministério da Educação já retirou a avaliação de desempenho do formulário eletrónico para o concurso de colocação de professores, cumprindo a decisão do tribunal, disse à Lusa o secretário geral da Fenprof.
"Finalmente hoje as escolas, quando foram fazer validação de dados, repararam que tinham sido alterados os formulários eletrónicos de candidatura e que tinham sido retirados dos campos da avaliação, que é o que o tribunal mandava que acontecesse", afirmou Mário Nogueira.
Lamentando que essa regularização tivesse acontecido apenas hoje, o sindicalista mostrou-se satisfeito por a decisão do tribunal ter sido cumprida e por a situação estar finalmente regularizada.
"Foi pena que tivéssemos de recorrer uma segunda vez ao tribunal para pedir a execução imediata da pena, mas pronto, a situação neste momento está regularizada", disse.
O Ministério da Educação informou entretanto que "ocultou ontem [quinta feira] os campos referentes à avaliação de desempenho docente da aplicação", dando cumprimento à decisão do TAF de Beja, e acrescenta que "o concurso continua a desenvolver-se".
O Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Beja decretou na terça feira uma providência cautelar no sentido da não consideração da avaliação de desempenho no concurso de colocação de professores.
No dia seguinte, a Fenprof requereu ao TAF de Beja a execução imediata da sentença que obrigava o Ministério da Educação a abolir a avaliação de desempenho do concurso de professores, alegando que a tutela publicamente desobedecera a esta decisão judicial.
Na quinta-feira, a ministra da Educação foi condenada por desobediência ao TAF de Beja e ao pagamento de uma multa por não ter sido retirada a avaliação de desempenho do concurso de colocação de professores.
(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
Com Lusa
► SIC [07.05.2010]
Governo francês quer resolver absentismo escolar
Plus les enfants sont à l’école, moins ils sont dans la rue : voilà l’idée du président qui veut en finir avec l’absentéisme scolaire. Pour lutter contre ce phénomène, le gouvernement entend sanctionner les parents. En cas d’absences répétées et injustifiées de leurs enfants, les parents se verraient privés d’allocations familiales. Ces aides de l’État sont versées chaque mois aux parents pour élever et scolariser leurs enfants.
Une loi allant dans ce sens existe déjà mais elle est très peu appliquée. Le président voudrait la rendre « systématique ». Selon cette loi, un élève absent plus de quatre demi-journée par mois sans justification recevra un avertissement. Au bout du deuxième avertissement et après avoir rencontré les parents, le directeur d’académie pourra décider de suspendre les allocations à la famille.
Palmada divide europeus
Les pays de l’Union européenne se sont réunis la semaine dernière pour débattre d’un sujet qui divise: la fessée. Faut-il l’interdire ou faut-il au contraire laisser le choix à chaque parent de décider ? À l’occasion des trente ans de l’interdiction de la fessée en Suède, l’Europe relance le débat. Une campagne de sensibilisation a été lancée, elle s’intitule « Lève la main contre la fessée ». TAF de Beja condena Ministra da Educação por desobediência
“1. Condeno a Senhora MINISTRA DA EDUCAÇÃO no pagamento de sanção pecuniária compulsória, cujo montante diário fixo em 8% do salário mínimo nacional mais elevado em vigor, por cada dia de atraso para além de 2010-05-04 até ao dia em que nos presentes autos seja feita prova de que foi dado integral cumprimento ao decidido provisoriamente na decisão final do incidente, de fls.
2. Ordeno a extracção de certidão da presente decisão, bem como da decisão final do incidente, de fls.
Fonte: Website da Fenprof
► via Ramiro Marques (Blogue ProfBlog)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Afinal para que servem as Provas de Aferição?
Prova do 6.º ano pede para ordenar palavras por ordem alfabética
Mais de 200 mil alunos realizaram hoje os testes de aferição de Língua Portuguesa. Professores continuam a não perceber objectivos desta avaliação.
Isabel Leiria (www.expresso.pt)
As provas de aferição de Língua Portuguesa realizadas hoje por mais de 200 mil alunos do 4.º e 6.º anos apresentam, como é hábito, perguntas cujas respostas obrigam a uma “interpretação mais aprofundada” e outras que apenas exigem que se reproduza “o que está no texto lido”. O problema, comenta a Associação de Professores de Português (APP), é que, nalguns casos, o grau de exigência vai mesmo além do expectável.
A APP dá como exemplo um exercício da prova do 6.º ano em que se pede aos alunos para ordenar palavras por ordem alfabética. E lamenta que, à semelhança do que aconteceu no ano passado, a última parte do teste, em que é necessário escrever um texto, contenha instruções pormenorizadas sobre o que devem fazer e que “são objecto da avaliação”.
“Na prova do 6.º ano, chegam a ser listados os conteúdos do texto. Na perspectiva da Direcção da APP, estas informações, sendo objecto da avaliação, não poderiam estar no enunciado”, lê-se no comentário à prova.
Sem ter tido acesso aos critérios de avaliação, a direcção da Associação sublinha não poder fazer uma análise mais aprofundada das provas nem estabelecer comparações com testes anteriores. Mais: a APP diz que, ao fim de 10 anos de provas de aferição, “não apreendeu ainda os verdadeiros objectivos desta modalidade de avaliação”.
Os testes são realizados por todos os alunos do 4.º e 6.º anos, nas disciplinas de Português e Matemática, mas não contam para nota. A ideia é que professores e Ministério da Educação tenham uma noção daquilo que os jovens estão ou não a aprender.
Para a APP nem este objectivo tem sido cumprido: “Resta a expectativa invariavelmente gorada de que os resultados de mais esta avaliação venham a ser atempadamente aproveitados”.
Brincar aos exames
Provas de aferição para alunos dos 4.º e 6.º anos
Duzentos e trinta mil alunos dos 4.º e 6.º anos de escolaridade fizeram hoje a prova de aferição de Língua Portuguesa.
Um deputado muito sensível…
Ricardo Rodrigues tira gravadores a jornalistas da ‘Sábado’
O deputado socialista Ricardo Rodrigues saiu a meio de uma entrevista com dois jornalistas da revista ‘Sábado’, levando-lhes os gravadores da referida conversa, colocando-os no bolso das calças.
A conversa, que decorreu esta quarta-feira, teve lugar no Parlamento. Já cá fora, os jornalistas Fernando Esteves e Maria Henrique Espada, confrontaram Ricardo Rodrigues com o sucedido, mas este voltou a recusar devolvê-lo.
A ‘Sábado’ apresentou queixa no DIAP de Lisboa, por furto e atentado contra a liberdade de imprensa.
Segundo a revista, o deputado açoriano não quis responder a questões sobre a sua ligação, como advogado, sócio e procurador, com Débora Raposo, condenada em 2008 por burla e falsificação de documentos, num caso que defraudou em vários milhões de euros a CGD de Vila Franca do Campo, nos Açores.
Já numa declaração posterior, no Parlamento, Ricardo Rodrigues explicou que apresentou também uma queixa contra a revista e os dois jornalistas, realçando que foi alvo de “perguntas inquisitórias e assentes em premissas falsas”.
Sobre a retirada dos gravadores, o deputado sublinhou que foi um acto inadvertido contra a “postura insultuosa” dos jornalistas da ‘Sábado’. Ricardo Rodrigues falou ainda de “pressão insuportável” exercida sobre si.
Fonte: Correio da Manhã
segunda-feira, 3 de maio de 2010
«Provas de aferição voltam a provocar polémica»
Em semana de realização de provas de português e matemática
Provas de aferição voltam a provocar polémica
03.05.2010 ― 08:30 Por Lusa
A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) defende que as provas de aferição sejam realizadas por uma entidade externa ao Ministério da Educação (ME) para evitar a tentação dos “resultados mediáticos e políticos”. A Associação de Professores de Português insiste, pelo seu lado, que devem ser só realizadas em algumas escolas.
“A tentação de fazer as provas a pensar nos resultados mediáticos e políticos é muito grande. As provas deveriam sair da alçada do Ministério a Educação e passar para uma entidade independente”, afirmou o presidente da SPM, Nuno Crato, em declarações à agência Lusa.
Mais de 230 mil alunos dos 4.º e 6.º anos realizam esta semana provas de aferição a Língua Portuguesa e Matemática, testes que visam a recolha de dados relevantes sobre os níveis de desempenho dos estudantes, mas que não contam para nota. De acordo com o calendário definido pela tutela, a prova de Língua Portuguesa realiza-se na quarta-feira, às 10h00, enquanto a de Matemática está prevista para sexta-feira, à mesma hora, sendo os enunciados da responsabilidade do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do ME.
Segundo o presidente da SPM, estes testes deveriam ter o estatuto de exames nacionais, com efeitos nas notas dos estudantes no final do ano, ao mesmo tempo que deveria ser elevado “bastante mais” o nível de rigor. Estes testes deveriam ser uma medida de avaliação real dos alunos. Tal como são actualmente, são encarados pelos alunos como algo facultativo, não sendo também levados a sério pelos professores, o que torna a sua fiabilidade muito baixa”, acrescentou.
Nuno Crato acrescenta que as provas dos últimos anos analisadas pela SPM “desincentivam ao estudo dos alunos, por terem um grau de exigência muito baixo”. “Queremos dar sempre o benefício da dúvida ao GAVE e à nova equipa ministerial. No entanto, as provas intermédias do 12.º ano, por exemplo, não nos asseguram nada de bom, nenhum mudança ao nível da exigência”, apontou.
Por amostra
Pelo seu lado, a Associação de Professores de Português insiste de novo que as provas de aferição devem voltar a ser realizadas apenas em algumas escolas, por amostra, e rotativamente a todas as disciplinas de todos os anos de escolaridade. Segunda a vice-presidente da APP, Edviges Antunes Ferreira, este é um dos pontos centrais de um parecer que a associação está a preparar sobre as provas de aferição e que também deverá ser enviado ao Ministério da Educação na próxima semana.
Introduzidas em 1999, estas provas começaram por ser universais, apesar das classificações não contarem para a nota final, mas em 2002 passaram a ser realizadas apenas por uma amostra representativa de alunos. Em 2007, o ME, então dirigido por Maria de Lurdes Rodrigues, decidiu que os testes voltavam a ser aplicados a todos os estudantes dos dois anos de escolaridade.
“As provas de aferição deviam ser feitas por uma entidade independente, por amostra, em todos os anos de escolaridade e a quatro disciplinas por ano lectivo”, defendeu a responsável.
A APP vai defender ainda junto do Governo que os resultados sejam divulgados ergunta a pergunta e “atempadamente”, portanto antes do final do ano lectivo. “Quando os resultados saem os alunos já estão nas mãos de outros colegas”, evido à mudança de ciclo, lamentou.
Segundo Edviges Antunes Ferreira, é uma “perda de tempo” realizar estas provas a todos os alunos, até porque, por amostragem, os resultados também são fiáveis. “Os professores estão demasiadamente preocupados em preparar os alunos para as provas de aferição”, afirmou.
Maioria positiva
Apesar de não contarem para efeitos de reprovação dos estudantes, as notas alcançadas nestas provas serão afixadas em pauta, possibilitando, segundo o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), “uma reflexão colectiva e individual sobre a adequação das práticas lectivas”. “Os resultados das provas de aferição são, naturalmente, relevantes para as escolas e para os professores, para efeitos de suporte à tomada de decisões, nomeadamente em matéria de planificação e orientação das práticas pedagógicas e também de definição de prioridades na formação contínua dos docentes”, acrescenta o GAVE.
Depois de classificadas, as provas serão devolvidas às escolas para publicação das respectivas pautas posteriormente será facultada aos estabelecimentos de ensino a informação sobre o resultado do desempenho dos alunos a nível nacional e de escola.
No ano passado, a Língua Portuguesa, 91 por cento dos alunos do 4.º ano tiveram nota positiva, menos 1,5 pontos percentuais do que em 2008. Ao nível do 6.º ano, as notas negativas passaram de 6,5 para 11 por cento. Quanto a Matemática, a percentagem de negativas na prova de aferição do 4.º ano passou de 8,8 para 11 por cento, enquanto no 6.º ano registou-se igualmente um aumento, de 18,3 para 20 por cento.
A Lusa tentou obter também um comentário da Associação de Professores de Matemática sobre o modelo das provas de aferição mas não obteve resposta em tempo útil.
► PÚBLICO [03.05.2010]
Google fotografa Cabeceiras
Um carro da Google anda neste momento a fotografar as ruas da vila de Cabeceiras, com imagens tridimensionais, fotografias que serão disponibilizadas depois na Internet, através da ferramenta Street View.
Cruzei-me há cerca de meia hora com uma viatura vermelha, que chama à atenção pelo facto de ter colocado no tejadilho um objecto em forma de cruz. Trata-se de várias máquinas fotográficas estrategicamente colocadas para apanharem diferentes ângulos.
Seguir-se-á uma longa e minuciosa tarefa de tratamento das imagens para que, no final, na visão de 360º disponibilizada, não se perceba que se trata de fotografias sobrepostas. E também por questões de privacidade: só são fotografados locais públicos, mas é preciso desfocar as caras das pessoas e as matrículas dos carros.
Apesar destes cuidados e de as imagens não serem disponibilizadas em tempo real ― só ficam disponíveis cerca de oito meses depois de captadas ― a nova ferramenta do Google, já disponível em vários países, tem sido muito questionada quanto ao respeito pela privacidade.
Qual é a chave para mudar a Educação em Portugal?
― Para si, qual a chave para mudar a educação em Portugal?
Julgo que será fundamental uma espécie de regresso das designadas “Artes Liberais”, permitindo o regresso indispensável de uma composição disciplinar fulcral que garanta a formação e incorporação de uma visão de fundo aos saberes em aquisição durante o percurso escolar dos alunos. Portanto, julgo ser indispensável, para esse, efeito haver coragem política e governamental de modo a apostar em paradigmas sociais, económicos, culturais e educativos substancialmente distintos dos vigentes na actualidade, abdicando do exageradamente tecnológico em prol das promissoras estratégias interdisciplinares, nas quais as humanidades funcionam como o sustentáculo da reflexão e do pensamento.
― Qual o papel reservado aos professores nessa mudança?
Aos professores caberá, certamente, o desenvolvimento contínuo de uma sensível habilidade e ciência para aproximar e conferir sentido aos diferentes ramos do saber, enriquecendo, deste modo, as suas práticas pedagógicas e a aprendizagem dos seus alunos.
Correio da Educação ― ASA n.º 361 ― 16.04.2010
Comentário:
Para quem ensina a língua portuguesa, deve investigar bastante mais, para não cometer os erros que aparecem nesta entrevista. Por outro lado, é dever de qualquer publicação corrigir aquilo que um entrevistado diz de modo incorrecto. Eu que já fui jornalista, costumava fazer isso, quando recolhia informação e lá apareciam uns erros que não devem ser transcritos… Infelizmente os jornais e outras publicações actualmente deixam passar isto com relativa frequência. Até parece que não há correctores…
sábado, 1 de maio de 2010
«La délicate intégration des compétences dans les programmes»
L’observateur attentif n’aura pas pu rater la révolution en cours dans la rédaction des contenus d’enseignement. D’une présentation dans les années soixante-dix qui ressemblait au sommaire d’un manuel scolaire, on est passé progressivement à une rédaction de plus en plus précise incluant notamment des indications didactiques. Cela a eu comme conséquence immédiate, un allongement du texte des programmes qui n’est pas synonyme d’un alourdissement : être plus précis dans les formulations ne signifie pas nécessairement être plus exigeant ou plus complet. Derrière la plupart de ces indications, on peut repérer l’apparition progressive des compétences/capacités [1]. Ce changement est le résultat d’une histoire, il occasionnera des mutations pédagogiques profondes et enfin, il s’inscrit dans un mouvement international.
Le résultat d’une histoire
Depuis la fin des années quatre-vingt, s’est répandue l’utilisation du mot compétences dans l’enseignement général. Il s’agit là d’une véritable révolution culturelle. En effet, son utilisation dans le système éducatif remonte au début des années soixante-dix dans la définition des diplômes professionnels (CAP, BEP, BTS [2]). Une tentative timide a ensuite été menée au milieu des années quatre-vingt dans l’enseignement général : les objectifs de référence pour la classe de seconde qui détaillaient les compétences à développer chez les élèves dans six disciplines [3]. En dépit des moyens importants mis en œuvre à l’époque (publications envoyées dans chaque lycée, stages nationaux de formation), cette réflexion n’a pas eu d’influence sur le fonctionnement des classes de seconde et plus généralement du lycée. C’est assez normal si l’on considère qu’aucune obligation de suivre cette démarche n’était faite aux enseignants. On aurait pu espérer que les évaluations, qualifiées abusivement de diagnostiques [4] de CE2, 6e puis secondes entraineraient des changements de fond : en effet, pour la première fois, les enseignants disposaient à travers les cahiers d’évaluation, de l’analyse des capacités/compétences mises en jeu et développées au cours de l’année : cela n’a pas suffi !
La mise en place des modules dans les classes de secondes [5], la référence à des groupes de besoins plus qu’à des groupes de niveau dans les textes officiels [6] aurait pu/dû encourager l’évolution vers une prise en compte des compétences. Au lieu de cela, ce sont les structures qui se sont conformées aux schémas anciens : les modules sont devenus de simples dédoublements, les évaluations de début d’année ont été abandonnées parce que sans effet notable sur la réussite des élèves… Ainsi, les évolutions de méthodes ou de structures ne sont-elles pas réellement concrétisées.
Enfin, on peut noter un changement très prudent dans la rédaction des programmes où selon les disciplines, le terme de capacités est progressivement utilisé depuis les années quatre-vingt-dix : mathématiques, SVT, éducation physique et sportive par exemple.
«Au lycée, la difficulté de la motivation»
Au lycée, des élèves sont considérés par le système comme «en échec» par le simple fait qu’ils n’ont pas réussi à obtenir le passage souhaité en fin de seconde. Le projet de la classe présentée dans cet article permet d’établir des relations plus proches avec ces élèves et de réaliser un suivi de leur travail, tout en proposant une analyse de leurs difficultés et des pistes de réponses.
Trabalhar com alunos com necessidades educativas
Dans le cahier des charges de la formation des maitres, un enseignant doit être capable d’identifier et d’analyser les difficultés d’apprentissage des élèves, de tirer le meilleur parti de leurs réussites et de leur apporter conseils et soutien personnalisés [2]. Cela sous-entend qu’il s’inscrit dans une pratique professionnelle guidée par une méthodologie d’action.
Aborder la question des méthodes ne peut se faire sans évoquer le problème des rapports d’une méthode avec l’objet (classe d’objets ou encore domaine) auquel on l’applique [3]. Ainsi, lorsque le terme de « méthode » est employé dans le domaine de la pratique auprès d’individus, il renvoie tout aussi bien aux moyens, techniques mis en œuvre pour parvenir à un objectif (recueillir des informations par exemple) qu’à la démarche sur laquelle elle se fonde (prendre en compte l’individualité plutôt que la collectivité ; se centrer sur des indices langagiers plutôt que comportementaux).
Concernant la pratique de l’enseignant et plus particulièrement l’analyse des difficultés d’un élève, on peut proposer le parallèle suivant : ce qui spécifie la réalisation d’un projet personnalisé à visée éducative (type PPRE), c’est la méthode d’analyse des besoins particuliers d’un élève, c’est-à-dire la nature des opérations avec lesquelles l’enseignant approche les systèmes de pensée de l’élève. La méthode d’intervention de l’enseignant se définirait ici par l’ensemble des techniques et outils qui ont pour but commun de produire des informations concrètes sur l’élève et/ou la situation qui révèle un problème individuel. Cette démarche pédagogique présenterait les caractéristiques suivantes :
but : identifier et nommer les compétences, aptitudes et attitudes de l’élève ;
finalité : établir un projet d’aide proposant une mesure d’ordre scolaire afin de favoriser une modification positive de l’élève.



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