quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

OPINIÃO > Alberto Gonçalves: «Velhos desperdícios»

Uma amiga, professora, viu-se recentemente “colocada” num curso das “Novas Oportunidades”. À chegada, a novinha e bem-intencionada docente inquiriu os colegas sobre os temas e manuais a leccionar. A galhofa que se seguiu durou meia hora: a pobre ignorava que as “Novas Oportunidades” não visam leccionar coisa alguma, mas fornecer habilitações literárias a iletrados e impressionar os rankings internacionais.

Nisso, a iniciativa é um sucesso. O Sol relatou o caso de uma senhora que, após “saltar” seis anos de escolaridade em ano e pouco, frequenta agora uma licenciatura. Se Portugal prosseguir a adaptação caseira de Bolonha, é possível que a senhora acabe a licenciatura, eventualmente de medicina, em seis meses.

Por enquanto, as facilidades ficam-se, algo injustamente, pelo 9.º e 12.º anos, e mesmo o termo depende da perspectiva. O presidente da Agência Nacional para a Qualificação chama à facilidade “dinâmica” e, o que é notável, acha a “dinâmica” insuficiente. Na opinião do sr. Luís Capucha, divulgada anteontem, urge multiplicar por sete os quatro mil adultos “certificados” mensalmente. Isto significa que, apesar de tudo, a exigência do programa tem sido excessiva. Pelos vistos, não basta que os alunos terminem a “formação” com os conhecimentos (digamos) que possuíam quando a começaram: é preciso que saiam a saber ainda menos. Nas contas do sr. Capucha, sete vezes menos.

Perante tal objectivo, percebe-se que o próprio eng. Sócrates classifique cada inscrição nas “Novas Oportunidades” como “um acto de coragem”. Não se percebe tão bem que julgue os respectivos “certificados” como cidadãos aptos a “melhor servir a família, a empresa e o País”. Parece-me mais provável o contrário: dado o radical analfabetismo que as “Oportunidades” garantem, suspeito que, se não forem as famílias, as empresas e o País a cuidarem dos “certificados”, estes estarão condenados à indigência. Ou, na pior das hipóteses, a um cargo de nomea- ção política.

Alberto Gonçalves, Sociólogo

in revista SÁBADO N.º 240 | 4 de Dezembro de 2008

A ministra da Educação foi ao Parlamento justificar-se

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foi hoje à Assembleia da República justificar-se perante os deputados sobre o estado da Educação.

OPINIÃO > Carlos Monteiro: «Estatuto da Carreira Docente: a Torre de Babel do Ensino!»

A Greve Nacional de Professores no «PÚBLICO»

Ministra admite substituir modelo de avaliação

A ministra da Educação admitiu hoje estar disponível para alterar e até substituir o actual modelo de avaliação dos professores, mas apenas no próximo ano lectivo e desde que seja aplicado já este ano. "Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste", disse Maria de Lurdes Rodrigues, no Parlamento.
Durante um debate de urgência sobre a avaliação de desempenho dos docentes pedido pelo Bloco de Esquerda, a responsável recusou as acusações de "intransigência" repetidas por todos os sindicatos do sector e por todas as bancadas da oposição. A ministra reiterou, ainda, a sua disponibilidade para avaliar e corrigir o modelo de avaliação proposto pelo Governo, "mas apenas depois de ser aplicado".
Fonte: PÚBLICO

ANQ quer acelerar certificados das Novas Oportunidades

O presidente da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), Luís Capucha, reconheceu hoje que é preciso "acelerar" o ritmo da certificação de adultos para alcançar o objectivo de um milhão de certificados em 2010, no âmbito do Programa Novas Oportunidades.

Desde Novembro de 2006 até Novembro de 2008 tem havido uma média de 4000 adultos certificados por mês. "A este ritmo chegaremos a 2010 com 248.398 certificados", disse Luís Capuchas, no II Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades, considerando "impensável ficar com esta dinâmica". Luís Capuchas defendeu a necessidade de "crescer" para uma média de 29.900 adultos certificados por mês, o que significa que tem de se "multiplicar por sete" o número de certificados atribuídos para se atingirem as metas traçadas pelo Programa Novas Oportunidades.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As mais belas bibliotecas do Mundo

Se os livros e os lugares onde são conservados fazem parte dos seus interesses, então gostará de ver isto: as mais belas bibliotecas do Mundo.

Ministério admite “adesão significativa” à greve dos professores

O Ministério da Educação admite que a greve de hoje dos professores teve uma “adesão significativa”, de 61 por cento, e que a paralisação obrigou ao encerramento de 30 por cento das escolas do país. O balanço da tutela fica longe dos primeiros números da Plataforma Sindical de Professores, segundo a qual a paralisação foi a maior de sempre no sector, com uma adesão acima dos 90 por cento.

Os números da tutela, avançados com base em dados recolhidos pelo ministério às 11h00, foram avançados esta tarde, em conferência de imprensa, pelo secretário de Estado da Educação. Segundo Valter Lemos, houve uma "adesão significativa à greve" mas o membro do Governo considerou que os sindicatos "falharam" nas suas previsões. "Os objectivos colocados pelos sindicatos estão muito longe de ser atingidos", sublinhou, lembrando que as estruturas sindicais "anunciaram o encerramento total das escolas" e que a greve iria ter "uma adesão perto dos 100 por cento".

Os números de adesão à greve apresentados pelo ministério de Maria de Lurdes Rodrigues diferem dos indicados pela Plataforma Sindical dos Professores que, também em conferência de imprensa, anunciou uma participação de 94 por cento."É a maior greve de sempre dos professores em Portugal", reforçou Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma e secretário-geral da Fenprof.

Mário Nogueira escusou-se comentar os números avançados pelo Governo. "Nem sequer os discutimos, o que nós registamos daquilo que foi dito pelo governo foi que pela primeira vez teve a capacidade de dizer que estávamos perante uma greve significativa".

Fonte: PÚBLICO

O balanço da greve dos Professores, segundo o Governo

Em conferência de imprensa, Valter Lemos apresentou um balanço da Greve Nacional dos Professores realizada hoje.

Sindicatos dos professores garantem «adesão histórica»

A greve de professores agendada para hoje está a mobilizar mais de 90% dos professores, garantem os sindicatos. O Ministério assegura que a maioria das escolas está aberta, mas reconhece uma "elevada participação".

"A adesão é muito acima dos 90% . O desafio era fazer desta a maior greve dos últimos 20 anos, mas temos aqui a maior de sempre em Portugal", afirmou o porta-voz da Plataforma, Mário Nogueira, em declarações aos jornalistas.

De acordo com o também secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), os sindicatos já dispõem de dados relativos à adesão ao protesto em "largas dezenas de escolas", tendo apenas informação de uma escola com uma participação abaixo dos 90% .

Fonte: SIC 1
SIC 2

REPORTAGEM ESPECIAL SIC - «Profissão: Professor»

A Reportagem Especial SIC acompanha a vida de três Professores.

As convicções são entidades mais perigosas do que os demónios

«Convicções são entidades mais perigosas que os demônios. E o problema é que não há exorcismo capaz de expulsá-las da cabeça onde se alojaram, pela simples razão de que elas se apresentam como dádivas dos deuses. Os recém-convertidos estão sempre convictos de que, finalmente, contemplaram a verdade. Daí a transformação por que passam: seus ouvidos, órgãos de audição, se atrofiam, enquanto as bocas, órgãos da fala, se agigantam. Quem está convicto da verdade não precisa escutar. Por que escutar? Somente prestam atenção nas opiniões dos outros, diferentes da própria, aqueles que não estão convictos de ser possuidores da verdade. Quem não está convicto está pronto a escutar - é um permanente aprendiz.

(...)

Dizia Nietzsche que "as convicções são piores inimigos da verdade que as mentiras". Estranho isso? Não. Absolutamente certo. Porque quem mente sabe que está mentindo, sabe que aquilo que está dizendo é um engano. Mas quem está convicto não se dá conta da própria bobeira. O convicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria.

As inquisições se fazem com pessoas convictas. (...)

Mas os demônios das convicções têm atributos dos deuses: são omnipresentes. Escorregam da religião. Emigram para a política. (...)

Nenhuma instituição está livre dos demônios das convicções. Nem mesmo a ciência.»

Rubem Alves

(in O que é científico? Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2007, pp 45-47)

Nota: Estas citações foram recolhidas no blogue Memórias Soltas de Prof, da Isabel Campeão.

A greve dos Professores seguida pela RTP

Eis cobertura noticiosa da RTP sobre a Greve Nacional dos Professores durante a manhã.
Vídeo 1
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=376031&tema=27

Vídeo 2
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=376029&tema=27

Se o ridículo matasse...

Valter Lemos vai à RTP querer provar o contrário daquilo que os Professores conhecem bem...

Professores em greve contra o modelo de avaliação do Governo

Sindicatos e Governo apresentam números diferentes para a greve dos professores contra o modelo de avaliação de desempenho imposto pelo Ministério da Educação. Mário Nogueira, da Plataforma Sindical que tem esgrimido argumentos com o Governo, acredita que este será o maior protesto dos últimos 20 anos, com uma adesão acima dos 90 por cento. Já o Ministério da Educação assegura que a maioria das escolas se encontra aberta.
A Plataforma Sindical de Professores acredita que esta quarta-feira vai registar uma das maiores jornadas de luta do pessoal docente das escolas portuguesas, com uma adesão muito próxima da totalidade.
“A adesão é muito acima dos 90 por cento. O desafio era fazer desta a maior greve dos últimos 20 anos, mas temos aqui a maior de sempre em Portugal”, garantiu já aos jornalistas Mário Nogueira.
Numa declaração à Agência Lusa ao início da manhã, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores e porta-voz da Plataforma Sindical ironizava ao afirmar que “o mais fácil” vai ser contar as escolas com aulas.

Fonte: RTP

Fazei o que nós dizemos, não o que nós fazemos

Após a eleição, os políticos gostam de causar sensação, anunciando reformas nas áreas mais importantes da política. Optam cada vez mais pela educação. Há boas e más razões para isto. A maior parte dos eleitores reconhece que o sistema educativo do seu país é crucial no mundo moderno e que os sistemas precisam de mudar com os tempos. Além disso é relativamente fácil embarcar na reforma da escola.

Fonte: The Guardian

Fazei o que nós dizemos e não o que nós fazemos

Os políticos eleitos recentemente gostam de causar sensação, anunciando reformas de áreas fundamentais da política. E optam cada vez mais pela educação. Há boas e más razões para isto. A maior parte dos eleitores reconhece que o sistema educativo do seu país é crucial no mundo moderno e que os sistemas devem mudar com os tempos. Além disso, é relativamente fácil embarcar na reforma da escola.

Os Professores e Educadores do meu Agrupamento pronunciaram-se

A Greve Nacional dos Professores teve uma adesão total na minha Escola (EB 2 . 3 de Arco de Baúlhe). Dos 41 Professores com actividades distribuídas ao primeiro tempo, todos decidiram não cumprir o serviço e optar pela greve. Muitos deles deslocaram-se à Escola e ali estiveram durante a manhã. No que diz respeito ao Agrupamento de Escolas do Arco, do qual a escola referida é a sede, apenas duas Educadoras de um universo de 12 não aderiram à greve. Pode o Ministério da Educação dizer o que quiser, a estes Professores não engana!... É um orgulho pertencer a um Agrupamento como este!
Segundo apurei, a adesão à greve dos Professores pertencentes à EB 2 . 3 de Cabeceiras de Basto (sede de outro agrupamento vertical existente neste concelho) foi também total.
Resta saber os números respeitantes à tarde deste dia. Mas a avaliar pela manhã, não se registarão grandes alterações. No que diz respeito à Escola EB 2 . 3 de Arco de Baúlhe, às quartas-feiras de tarde não há actividades lectivas, estando as mesmas destinadas a reuniões.
Um grande número de alunos já não veio à Escola hoje, pois os Professores tinham-lhes dito que fariam greve.

Análise do sistema de avaliação dos professores chilenos

Vale a pena recordar o post de 24 de Outubro do corrente ano, no qual está disponível um vídeo com a análise do sistema de avaliação do desempenho docente dos professores chilenos, o qual terá servido de modelo àquele decidido pelo Ministério da Educação do nosso País, que o Governo pretende impor aos Professores e Educadores Portugueses.
Prestemos atenção às queixas apresentadas pelos professores chilenos!...

Comunicado da Plataforma Sindical dos Professores



NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL

Professores lutam pela dignificação da sua profissão e em defesa da escola pública!

A Greve Nacional de Professores e Educadores prevista para esta quarta-feira, dia 3 de Dezembro, será uma das maiores de sempre. A unidade e coesão dos professores fazem-se sentir como nunca e a sua expressão traduzir-se-á numa elevadíssima adesão à greve de amanhã.

Ao partirem para esta greve, os professores colocam como objectivos estratégicos a defesa dos superiores interesses da Escola Pública, da qualidade do seu desempenho e das boas aprendizagens dos alunos.
No imediato, e como pressuposto para o desbloqueamento da situação de profundo conflito que se instalou entre o Ministério da Educação e os professores, a exigência é a de suspensão do actual modelo de avaliação, a negociação de uma solução transitória, para este ano, que evite o recurso a actos administrativos e o início imediato da negociação de um novo modelo de avaliação a vigorar no futuro.

Este novo modelo de avaliação deverá ser negociado no âmbito de uma indispensável revisão do Estatuto da Carreira Docente que garanta, igualmente, a eliminação das quotas de avaliação e a o fim da divisão dos professores em categorias.

A bloquear o desenvolvimento de qualquer quadro negocial que envolva o ME e as organizações sindicais de professores encontram-se as posições de um Ministério da Educação que, intransigentemente, veta a possibilidade de suspender o seu modelo de avaliação e de o substituir por outro. E, nesse sentido, sem recuar ou ceder no que quer que seja, o ME limitou-se, até agora e apenas para este ano, a simplificar procedimentos do seu modelo de forma a garantir que se aplique.

Os professores e educadores rejeitam essa simplificação por saberem que ela representa a aplicação de um modelo que é incoerente, inadequado, injusto e inaplicável. Os professores exigem um modelo que seja cientificamente capaz, pedagogicamente adequado e promotor de melhorias nas práticas docentes e já o provaram em diversas acções que levaram a efeito ao longo do mês de Novembro, desde logo a Manifestação de dia 8, que juntou mais de 120.000 professores, e os protestos nas capitais de distrito que decorreram ao longo de toda a semana passada. Uma vez mais, amanhã, dia 3 de Dezembro, os professores dirão qual a sua vontade e os Sindicatos de Professores mais não terão do que respeitar e assumir as reivindicações da classe que representam. É o que farão!

Recorda-se que, a manter-se a intransigência do ME e do Governo, os professores levarão por diante outras acções que já se encontram previstas, como a vigília junto ao ME nos dias 4 e 5 de Dezembro e a realização de novas greves, por regiões, entre 9 e 12 de Dezembro.

Está nas mãos do ME e do Governo saber interpretar o sentimento dos professores e disponibilizar-se para que se encontre uma solução para este profundo conflito que, a não haver uma resposta positiva às reivindicações dos docentes, tenderá a agravar-se.

Depois da Greve de dia 3 de Dezembro, a Plataforma Sindical dos Professores considera estarem criadas as condições indispensáveis para que, num quadro absolutamente claro sobre a determinação dos professores e as suas posições, as negociações avancem, tendo como ponto de partida a suspensão do actual modelo de avaliação. Se o Governo não compreender isto e se mantiver, obsessivamente, na disposição de levar, até às últimas consequências, um braço de ferro com os professores e educadores portugueses, estará a optar, irresponsavelmente, por uma via que porá em causa o normal desenvolvimento do ano lectivo.

É necessário que as escolas voltem a viver num clima de tranquilidade, serenidade e estabilidade, mas, para que assim seja, é necessário que o ME e o Governo deixem de regar o incêndio com gasolina.

A Plataforma Sindical dos Professores
2/12/2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

OPINIÃO > TB: «Lutar por uma palha»

Hoje lembrei-me de um texto que eu escrevi em 2006, para publicar na imprensa. Reli-o e verifiquei que era premonitório do que tem vindo a acontecer na Educação. Aqui o deixo, para que possa ser lido.
OPINIÃO TB Lutar Por Uma Palha

OPINIÃO > Diário de Notícias


A flexibilidade que se impõe à Fenprof e à FNE

A flexibilidade da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, para resolver o impasse em que caiu o sector da Educação em Portugal começa, finalmente, a ser reconhecido por quem tem liderado os movimentos de contestação. A Fenprof e a FNE mantêm-se ainda irredutíveis, mas as declarações de abertura às negociações com o Governo sucedem-se. Álvaro Almeida dos Santos, presidente do Conselho de Escolas, deu o primeiro passo e, embora a única posição oficial deste órgão seja contra a avaliação, mostrou que a cedência de Maria de Lurdes Rodrigues às principais críticas dera bons resultados junto dos professores. Filipe do Paulo, líder da Pró-Ordem, e Eleonora Bettencourt, do sindicato dos Professores do Pré-Escolar e Ensino Básico, foram mais longe e abriram a primeira cisão na Plataforma Sindical, criticando o radicalismo da Fenprof e da FNE. Mesmo a Federação dos Profissionais da Educação, mais moderada, assumiu por José Nóbrega Ascenso que vai "fazer pressão para que a abertura negocial com o ministério não caia em saco roto".

Estas posições não chegam para travar a greve de amanhã - embora até exista já quem o defenda -, mas devem fazer os líderes da Fenprof e da FNE repensar a forma inflexível como têm gerido o diálogo com o Ministério da Educação. Professores e alunos precisam de paz e, com a onda de apelos ao consenso, chegou a vez dos dois principais sindicatos darem finalmente um contributo concreto para uma solução.

Diário de Notícias Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Duas categorias de professores...

Amanhã seremos confrontados com duas categorias de Professores: 1-aqueles que prezam a dignidade profissional; 2-aqueles que prezam o dinheiro acima de tudo. Os segundos, não farão greve. Acham que os outros é que têm de fazer todos os sacrifícios e que o que vier para os outros também virá para eles. Aqueles que se enquadram na primeira categoria, defendem a sua dignidade profissional sem tibiezas. Não se resignam a aceitar esta política respeitante à Educação e estão decididos a lutar até ao limite das suas forças. Pertenço à primeira categoria. Felizmente são aqueles que existem em maior número nas escolas. E amanhã vão dar uma lição ao primeiro-ministro, à ministra da Educação e ao PS.

Antevisão da greve dos Professores no DN

A greve nacional de professores de amanhã ainda pode ser desconvocada, caso o Ministério da Educação apresente durante o dia de hoje propostas para desbloquear o impasse na avaliação. Depois das declarações de Filipe do Paulo, presidente da Pró-Ordem dos professores, a colocar em causa a realização da greve, outros dirigentes da Plataforma reconheceram que ainda seria possível suspender o processo, mas apenas se o Governo se mostrar disponível para "um diálogo franco e transparente".

Para reflexão de algum Professor indeciso...

A indiferença

Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

Bertolt Brecht

EDUCAÇÃO Crise entre Governo e professores vista nas escolas

OPINIÃO > Gonçalo dos Reis Torgal: «Coisas que se vão passando»

OPINIÃO > Yann Sèvegrand: «Tendências da Educação»

OPINIÃO > «A ministra não cai do governo. Não faz mal! Cai Sócrates com ela.»

O governo faz navegação à vista, perdeu a cabeça, deambula, Sócrates foi promovido a chefe dos bombeiros. A situação é particularmente crítica porque os portugueses perderam o respeito a um governo que não diz a verdade, rasgou o programa eleitoral e meteu o socialismo na gaveta. Não se lhe reconhece competência. Nomes que deram algum referencial de estabilidade como Freitas do Amaral ou Campos e Cunha, há muito que saltaram fora. Correia de Campos, bateu com a porta e Teixeira dos Santos, o último dos moicanos, foi classificado recentemente como o pior ministro das finanças da UE, não passa do homem do fraque.
O governo nestes três anos aplicou apenas a política dos cortes, na saúde, na justiça, na educação, na segurança social, nas PME, e aumentou os impostos. Criou-se uma folga orçamental, que foi para onde? (…)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

OPINIÃO > Daniel Sampaio: «O Natal que eu quero»

Ninguém me pediu opinião, eu sei. Na escola é costume não ligar muito ao que pensam os alunos. Mas eu gramo a escola, gosto dos meus amigos e há uma data de professores que até são fixes. Ando no 8.º, tenho bué de disciplinas, algumas não dá para entender. Estudo acompanhado para um gajo de 14 anos? Formação Cívica? Não percebo bem, é uma coisa de 90 minutos por semana em que o stôr, que é o director de turma (nós dizemos DT), está sempre a mandar vir, a dizer para nos portarmos bem. Da Matemática não me apetece falar, o stôr tem pouca pachorra para tirar dúvidas. História é um bocado seca e percebo mal o livro, faço confusão porque não contam a vida dos reis como o meu avô me explicava, por isso estudo para os testes e depois esqueço tudo. Não, não pensem que venho aqui criticar a escola, já disse que gosto de lá andar. O problema é que aquilo anda mesmo esquisito, podem crer. Já o ano passado os stôres andavam às turras com a ministra e apareciam nas aulas chateados, um gajo mandava uma boca e levava logo um sermão, às vezes diziam mesmo para nos queixarmos à ministra, como se chibar fosse coisa que desse jeito. Mas este ano está bem pior: falamos com os professores nos intervalos, "olá, stôr!" e eles andam mesmo tristes, a minha stôra de Inglês, que eu curto bué, diz que está "desmotivada" e que está farta de grelhas de avaliação e de pensar em objectivos. Eu de grelhas não percebo nada e, quanto aos objectivos, os meus são divertir-me uma beca e passar o ano, não quero mesmo ficar para trás porque os meus pais dão-me nas orelhas e fico sem os meus amigos, que é uma das coisas porreiras que a escola tem. Por isso peço a todos que se entendam. Ver os professores aos berros na rua é uma coisa que eu compreendo, têm todo o direito porque nós às vezes também andamos, o problema é que assim ainda há menos gente a preocupar-se connosco. Os nossos pais não têm tempo, andam sempre a trabalhar e ficam descansados porque estamos na escola a aprender e a lutar pelo nosso futuro, mas agora a coisa está preta, os nossos stôres estão cansados, o que é mau para nós: quem nos ajuda quando estamos aflitos? Eu sempre contei com um ou dois dos meus stôres, o ano passado quando me achava um monstro (cheio de borbulhas e a sentir que as miúdas não olhavam para mim) foi a stôra de Português que me chamou no fim da aula e conversou comigo, bastou ela ouvir com atenção e dizer que compreendia o que eu sentia para me sentir muito melhor. E quando o Tavares disse que se ia matar porque a rapariga com quem andava foi vista a curtir com um gajo qualquer, foi o nosso DT que falou com ele e lhe arranjou uma consulta no psicólogo. Não percebo nada da guerra dos professores, só sei que deve ser justa porque eles esforçam-se muito, já pensaram no que é aturar a malta, sobretudo alguns que só querem fazer porcaria, põem-se aos berros nas aulas e não obedecem, às vezes até palavrões dizem para os stôres? Muitos de nós querem aprender, mas o barulho é grande e há muita confusão, há lá gajos, repetentes e isso, que só lá estão porque são obrigados, depois há outros que são de fora e não percebem bem português, outros ainda têm problemas em casa e passam mal, a Vanessa que tem um pai alcoólico e que chora quase todos os dias ainda por cima foi empurrada na aula por um colega que só lá está a armar confusão... o DT disse que nós devíamos ser responsáveis e que tínhamos de acabar com isso, mas eu acho que a ministra devia era dar força aos professores para serem melhores, o meu pai diz que ela às vezes está certa mas eu não concordo, se vejo todos, mesmo todos os stôres da minha escola contra ela devem ter razão, os professores às vezes erram mas são importantes para nós, precisamos de estudar para ver se nos livramos do desemprego, isso é que é verdade! Por isso espalhem este mail, façam forward para quem quiserem. Digam aos que mandam para terminarem com as discussões que já estamos fartos e como na minha escola somos todos contra isso dos ovos (uma estupidez), digam à ministra e aos sindicatos que já chega! Façam uma escola melhor, ajudem os professores a resolver todos os problemas das aulas (ninguém pode fazer isso em vez dos stôres) e arranjem maneira de nós aprendermos mais, para ver se percebemos melhor o mundo e nos safamos, o que está a ser difícil.

Quem quiser dê opinião, o meu mail é brunovanderley@gmail.com, sou do 8.º E da Escola Básica 2/3 do Lá Vai Um.

Daniel Sampaio - “O Natal que eu quero”

in revista Pública – Público | 30 de Novembro de 2008

«Avaliação do Desempenho: 13 respostas para desfazer equívocos»

O Governo tem procurado fazer passar a ideia de que os Sindicatos não querem negociar e não têm qualquer proposta para a avaliação do desempenho docente, o que é falso. Ficam aqui 13 respostas a outras tantas questões que ajudam a esclarecer as dúvidas.

P1: Os Sindicatos de Professores alguma vez apresentaram propostas para que se estabelecesse um regime de avaliação de desempenho dos professores?

R.: Por diversas vezes, as primeiras das quais já no final dos anos 80 quando se iniciou a negociação do primeiro Estatuto da Carreira Docente.

P2: Mas ao actual Governo foram apresentadas propostas concretas?

R.: Sim, também por diversas vezes. As primeiras datam de Junho de 2006 e assumiam o carácter de contrapropostas às que o Ministério da Educação (ME) tinha apresentado. Prevêem a diferenciação na avaliação, admitem, em determinadas condições, componentes externas, centram-se na actividade docente e dão grande importância aos aspectos científico-pedagógicas.

P3: E quando apresentou o ME as suas primeiras propostas?

R.: Em Maio de 2006. Apesar das diversas propostas apresentadas, num primeiro momento por cada organização sindical e, depois, pelo conjunto da Plataforma Sindical (em 11 e 25 de Outubro de 2006). A comparação entre o anteprojecto ministerial e o decreto final não deixa quaisquer dúvidas: contam-se pelos dedos de uma só mão as alterações introduzidas. Em relação às questões de fundo não há mesmo qualquer diferença significativa.

P4: Mas não houve um processo negocial que se prolongou por 2 anos?

R.: Se juntarmos o processo de revisão do ECD com o de regulamentação da avaliação, esse foi o período negocial, mas tratou-se de uma negociação que se esgotou nos aspectos formais. Por exemplo, quando em 19 de Outubro os Sindicatos insistiam na necessidade de alterar aspectos significativos do ECD (modelo de avaliação, divisão da carreira, quotas…), foram ameaçados! Ou ajudavam “o barco a chegar a bom porto, ou, se ele afundasse, os seus dirigentes seriam os primeiros a afogarem-se”. Foi este o tipo de negociação que, durante dois anos, decorreu.

P5: A alteração do modelo de avaliação exige a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD)?

R.: Necessariamente… até pelo facto de o modelo se encontrar praticamente todo consagrado no ECD. Além disso, é também o ECD que estabelece a divisão dos professores em “professores” e “professores titulares”, assim como as quotas de avaliação.

P6: Os professores querem suspender a avaliação. Quererão, com isso, como afirmam alguns governantes, parar a avaliação?

R.: De forma alguma, daí terem afirmado que, da suspensão do modelo em vigor, não deverá decorrer qualquer vazio legal ou o recurso a actos administrativos. O modelo de avaliação imposto pelo ME é fonte de conflito nas escolas; é inadequado, incoerente, ineficaz, injusto e inaplicável. De tal ordem inaplicável que, de cada vez que se aplica, é necessário alterá-lo e simplificá-lo. Estas são razões fortes para que se exija a suspensão. E por cada dia em que se adie essa decisão é mais um dia em que a qualidade educativa, nas escolas públicas, se deteriora.

P7: Mas não existia um acordo com o ME para que, este ano, a avaliação se desenvolvesse com normalidade?

R.: Não. Existe um entendimento que permitiu retirar das escolas todo este conflito no final do ano lectivo passado, que criou uma comissão paritária para acompanhamento da implementação do modelo e correcção de ilegalidades, na qual participavam os Sindicatos, e prevê um período para alteração do modelo de avaliação. Esse período é Junho e Julho de 2009, pois, em limite, o modelo de avaliação poderia desenvolver-se até esse momento. Só que a prática veio provar, mais cedo do que o ME previa, que o modelo era inaplicável devendo ser suspenso desde já. Essa é condição para que a tranquilidade regresse às escolas.

P8: Porque saíram os sindicatos da comissão paritária?

R.: Porque esta acabou por não ter qualquer utilidade. Nessa comissão, o ME nunca reconheceu os problemas, tentou, quase sempre, justificar as situações anómalas que foram apresentadas e, por esse motivo, acabou por, com esse comportamento, não cumprir a sua parte no entendimento, deixando tudo por solucionar.

P9: Segundo o Primeiro-Ministro, no ano anterior já foram avaliados professores por este modelo de avaliação. Isso corresponde à verdade?

R.: Não. Na verdade o modelo tinha sido suspenso, já no ano passado. Não foram avaliados cerca de 92% dos professores e os outros 8% foram-no por procedimentos tão simplificados que não se pode dizer que se lhes aplicou o modelo de avaliação.

P10: A suspensão, este ano, faz sentido? Não se cairia no vazio?

R.: Faz todo o sentido, pois protege as escolas no seu funcionamento, não introduz focos de desestabilização no desempenho das funções docentes, logo não tem implicações negativas nas aprendizagens dos alunos. Não se cairia no vazio porque os sindicatos têm propostas de solução transitória para o ano em curso, evitando soluções administrativas. O ME, contudo, veta qualquer possibilidade de alteração e suspensão do actual modelo, inviabilizando a negociação das alternativas que os Sindicatos têm para lhe apresentar.

P11: Por que razão os Sindicatos não entregaram essa proposta de solução transitória na reunião, no ME, no passado dia 28 de Novembro?

R.: Porque a ministra foi inflexível nas suas posições; repetiu que a suspensão estava fora de causa; reafirmou que o seu modelo era ajustável, mas não alterável; confirmou que as quotas e a divisão da carreira dos professores eram aspectos inegociáveis; em algumas reuniões, acusou os Sindicatos de não agirem de boa-fé e de não quererem qualquer avaliação; reiterou não haver escolas com a avaliação suspensa; afirmou que os Sindicatos não estavam a representar as posições dos professores…

P12: Mas, segundo tem dito o ME, há disponibilidade para negociar. Haverá?

R.: Dificilmente. A “negociação” teve início no dia 28 de Novembro e, no entanto, desde 25 que o Ministério fez chegar às escolas informações sobre as medidas que adoptou, para além de reunir com órgãos de gestão e coordenadores de departamento para os instruir sobre essas medidas. Ou seja, são medidas que antes de o serem já o são… Esta postura ministerial é lamentável, pois estão a ser dadas orientações ao arrepio das da lei

P13: Sendo assim, as Greves de Dezembro, designadamente a de 3 de Dezembro, terão uma grande importância?

R.: É verdade, uma importância máxima! Os professores têm procurado não prejudicar os alunos e protestam, de há dois anos a esta parte, sempre ao fim de semana ou ao fim do seu dia de trabalho, mas a sua voz parece não ter sido ouvida. O ME e o Governo não souberam interpretar, como deveria, as evidências da indignação dos professores, como não souberam ou não quiseram escutar as suas propostas. Hoje o conflito está muito mais agravado e obriga o Governo a criar condições para que se construa uma solução de consenso que tenha, como pressuposto, a suspensão do modelo de avaliação. A Greve de 3 de Dezembro será um grande momento de protesto e confirmação das posições dos professores!

Fonte: SPRC

Mário Nogueira: «Nós estamos disponíveis para negociar»

OPINIÃO > «HUMOR BANANAL»

Publicidade encapotada?

Este artigo surge hoje no Jornal de Notícias, dias depois de terem sido atribuídos os prémios aos professores vencedores, na primeira página dos »Classificados» do Jornal de Notícias... Estaremos na presença de publicidade encapotada, com alguma função determinada?

OPINIÃO > Manuel António Pina: «Uma ministra de rosto humano»

HINO À CLASSE DOCENTE: «VAMOS À LUTA, AMIGOS, VAMOS!»

Um poema de João Vasconcelos

I
Vamos à luta amigos, vamos,
Não podemos ignorar!
Ó Ministra aqui estamos
Contra ti, vamos lutar!

II
Um novo Estatuto queremos,
E uma nova avaliação!
Este governo não tememos,
Pois despreza a Educação!

III
Sempre avante, classe docente,
Vós sabeis que temos razão!
Somos uma força valente,
E fazemos parte da Nação!

IV
Todos somos Professores,
Neste imenso Portugal!
Também somos Educadores,
Não nos façam tanto mal!

V
Queremos ser avaliados,
De forma justa e pedagógica!
Estamos tão arreliados,
Esta avaliação não tem lógica!

VI
Em Março fomos 100 mil,
Não nos quiseram ouvir!
Em Novembro 120 mil,
Marchámos a cantar e a rir!

VII
Força, força, minha gente,
Não podemos abrandar!
Temos o poder duma torrente,
E não queremos simplificar!

VIII
O Simplex é mistificação,
Para os incautos enganar!
Só nos querem ter à mão,
Para assim nos tramar!

IX
Este governo não é de confiança,
Para a Ministra basta olhar!
Todos nós, temos esperança,
Jamais podemos parar!

X
No dia 3 de Dezembro,
Iremos ficar na História!
Como no 8 de Novembro,
A caminho da Vitória!

XI
Faremos greve a 100 por cento,
Em todas as escolas do país!
Em sentido, classe docente,
Não nos vergam a cerviz!

XII
Avaliação – Suspender,
É a palavra de ordem!
Todos temos de defender,
Para terminar a desordem!

XIII
Esta equipa ministerial,
Já não tem condições!
Vem com um ar doutoral,
Pregar os seus sermões!

XIV
Julgam que nos vêm enganar,
E provocar o nosso desânimo!
Continuemos a lutar,
E redobremos mas é de ânimo!

XV
Vamos à luta, amigos, vamos,
Não podemos ignorar!
Ó Ministra, aqui estamos,
Contra ti, vamos lutar!
João Vasconcelos

Nota: passar este “Hino à Classe Docente” a todos os contactos e blogues.

OPINIÃO > Maria do Céu Roldão; «O Inverno do nosso descontentamento»

Maria do Céu Roldão publica hoje no Jornal de Notícias um artigo no qual retoma ideias defendidas recentemente no programa de debate "Prós e Contras" da RTP1. A referida criatura, que se intitula professora e formadora de professores, pretenderá com o mesmo lançar o anátema sobre os docentes, acusando-os de não quererem ser avaliados. Não se discute o direito de vir sublinhar a sua opinião. Agora o que é discutível é a oportunidade da publicação do mesmo artigo. Lembremo-nos de que os docentes se preparam para uma greve geral no próximo dia 3 de Dezembro. O Ministério da Educação aplaudirá a iniciativa da Professa Maria do Céu Roldão. Nenhum Professor empenhado na dignificação da sua profissão poderá achar oportuna a publicação daquele artigo. A divulgação deste artigo agora permitirá uma melhor compreensão da ida da Professora Roldão ao programa supracitado. Como se vê, nada acontece por acaso!...

Júlio Machado Vaz esclarece dúvidas e deixa conselhos