domingo, 23 de maio de 2010

Empresa nortenha conquista mercados internacionais com ecrã táctil

Já não precisa de desesperar quando estiver perdido num centro comercial. Se não conseguir encontrar a loja que procura, só tem de se dirigir a um dos directórios interactivos desenvolvidos pela Edigma, uma empresa de Braga que tem ganho vários prémios internacionais. A tecnologia Displax Pathfinder mostra-lhe o caminho pretendido com um simples toque de dedos.

Ler no PÚBLICO

sábado, 22 de maio de 2010

Sócrates fala ridiculamente mal o espanhol

Governo ataca os bolsos dos contribuintes

«Agora paguem!»

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O 'hacker' que faz tremer a Letónia

Le hacker qui fait trembler la Lettonie

Après avoir piraté des données fiscales confidentielles, Ilmars Poikans s’est donné une mission : révéler les abus de tous ceux qui s’enrichissent pendant la crise, raconte la Süddeutche Zeitung.

Ce mathématicien n’a pas grand-chose à voir avec l’acteur Keanu Reeves. Les traits de son visage sont ronds, ses cheveux clairsemés et un petit ventre se dessine sous sa chemise à rayures.

Toujours est-il que ce mathématicien de 31 ans est un héros pour les Lettons. Il est parvenu à accéder à des millions de données fiscales et, depuis février, fournit des informations croustillantes à la presse ou les publie sur Twitter. Voilà comment 2,4 millions de Lettons ont appris que de nombreux hauts fonctionnaires continuaient à percevoir de très généreux salaires, alors que le gouvernement a dû mettre en place un programme d’austérité budgétaire pour répondre aux exigences de l’Union européenne et du Fonds monétaire international, et éviter une faillite de l’Etat.

Ilmars Poikans s’est fait démasquer. C’est lui Neo, le hacker qui tient son nom du génie informatique incarné par Keanu Reeves dans le film de science-fiction Matrix […] lire la suite sur presseurop.eu…

Fonte

Recomendação da AR sobre avaliação no concurso de professores não impressiona a ministra

Ministra da Educação desvaloriza recomendação da AR sobre avaliação no concurso de professores

A ministra da Educação, Isabel Alçada, desvalorizou hoje a recomendação ao Governo aprovada pela Assembleia da República para que a avaliação de desempenho não seja tida em conta nos concursos de professores.

O Governo nunca está isolado neste assunto. Nós vamos resolver este assunto”, afirmou Isabel Alçada em Gaia, à margem da inauguração do Jardim-Escola João de Deus, equipamento a funcionar há cinco anos.

A Assembleia da República aprovou quinta-feira um projecto de resolução do CDS-PP recomendando ao Governo que a avaliação de desempenho não seja tida em conta nos concursos de professores.

O projecto de resolução recebeu os votos favoráveis de PSD, CDS-PP, BE, PCP e PEV e os votos contra do PS.

Confrontada hoje com esta recomendação, Isabel Alçada afirmou que, “de acordo com a legislação em vigor, a avaliação é um dos critérios para o concurso e para a progressão na carreira”.

Neste momento, está a decorrer ainda uma notificação do Tribunal de Beja que coloca a questão no quadro judicial e nesse contexto não vou pronunciar-me antes de receber informação do tribunal”, referiu.

A ministra da Educação afirmou quinta-feira à Lusa, em Cascais, que a apresentação da lista de colocação de professores está dependente da decisão do Tribunal de Beja, sublinhando, contudo, que tudo fará para que o processo decorra com normalidade.

Houve uma questão colocada no Tribunal de Beja e vamos aguardar a decisão para que o processo [de colocação de professores] possa seguir. Antes disso não vamos poder dar informação”, afirmou Isabel Alçada.

No entanto, Isabel Alçada garantiu que “o ministério tudo fará para que o processo de colocação de professores decorra com normalidade, para que, quando o ano lectivo abrir, os professores estejam nas escolas”.

As listas de ordenação provisória dos candidatos deveriam ter sido divulgadas a 13 de Maio.

Há vários processos para assegurar que os professores estejam a tempo na abertura do ano lectivo. O ideal seria que tudo decorresse sem peripécias, mas, neste momento, temos esta questão e estamos a aguardar”, concluiu.

Na sequência de uma providência cautelar interposta pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), o Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Beja mandou suspender a consideração da avaliação de desempenho como critério de ordenação dos candidatos ao concurso de professores para o ano lectivo 2010/2011.

O prazo para que o TAF de Beja se pronuncie sobre a manutenção, levantamento ou alteração da decisão provisória relativa ao concurso terminou há quatro dias, mas Isabel Alçada garantiu hoje que o Ministério da Educação ainda não foi notificado sobre esse pronunciamento.

Fonte: PÚBLICO

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vale a pena pensar nisto

O texto que se segue encontrei-o aqui e recomendo a sua leitura.

«Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma turma inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ‘justo’. O professor então disse: Ok, vamos fazer um experiência socialista nesta turma. Ao invés de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas.”
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam ‘justas’. Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um “A”...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado. Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Com um resultado, a segunda média das provas foi “D”.
Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”.
As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.

Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.
O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.
Quando a recompensa é grande”, disse ele, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”

“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”»

Adrian Rogers (1931)

Tanto tempo?

“Daqui a um ano as pessoas vão perceber que precisam de outro Governo”

O ex-ministro das Finanças de José Sócrates afirma que as actuais medidas de austeridade são o “dobro do que seria necessário se tivessem sido iniciadas em Dezembro”. Luís Campos e Cunha não acredita que o actual Governo resista até ao final da legislatura.

VISÃO

terça-feira, 18 de maio de 2010

A imagem de Portugal nas páginas da “National Geographic”

Portugal, o país pobre, bonito e honrado da “National Geographic”

segunda-feira, 17 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

Sexagenário brilha na UTAD

Respeito pelas ruas da amargura

A última crónica de Saldanha Sanches

Estratégias para motivar os alunos

A indisciplina dos alunos constitui, na actualidade, o principal factor de mal-estar docente para muitos professores, de acordo com os resultados obtidos em diversas investigações (JESUS, 1996a).

Sobretudo nos últimos anos, tem-se verificado um aumento da freqüência e da gravidade das situações de violência nas escolas e de indisciplina dos alunos na sala de aula, nomeadamente das agressões verbais e físicas entre os alunos e destes aos professores e funcionários, fomentando um clima de medo e insegurança entre os alunos, sobretudo mais novos e disciplinados, os pais, receando pelo que possa acontecer aos seus filhos na escola, os professores e os funcionários, pela agressividade que os alunos possam manifestar. Num estudo recentemente realizado em Portugal, a pedido do Ministério da Educação (Instituto de Inovação Educacional), sobre “A violência nas escolas” (VALE e COSTA, 1998), em que participaram cerca de 5000 alunos dos 8.º e 11.º anos de escolaridade, de 142 escolas, foram obtidos resultados que traduzem as proporções que as situações de indisciplina começam a ter no nosso país, nomeadamente verificou-se que 42% dos alunos já ouviram insultar um professor na escola.

Também numa outra investigação recentemente realizada no nosso país (CURTO, 1998), com alunos do 7.º ano de escolaridade, verificou-se que a maioria dos alunos inquiridos consideram que as turmas de que fazem parte são “pouco disciplinadas” (46%) ou “indisciplinadas” (13.3%), comparativamente aqueles que consideram as suas turmas “disciplinadas” (34.5%) ou “muito disciplinadas” (3.5%).

Face a estas situações começam a ocorrer manifestações de saudosismo relativamente às práticas utilizadas no passado e, entretanto, criticadas e abandonadas em países considerados dos mais desenvolvidos do mundo e que constituem modelos de democracia, liberdade e inovação. Nos EUA é onde estas manifestações ocorrem de forma mais radical com a defesa do castigo físico nas escolas por responsáveis políticos, a expulsão da escola de uma criança de 6 anos por ter beijado na face uma colega, e a oferta, por associações de professores,
de cursos de judô para que os professores se defendam dos alunos. Também alguns responsáveis políticos de países da Europa defendem a reintrodução do castigo corporal, nomeadamente a Ministra da Educação e do Emprego de Inglaterra. Em Portugal, embora as situações de indisciplina (ainda) não tenham as proporções que se verificam nestes países, já há manifestações de saudosismo que apontam no mesmo sentido.

Nomeadamente, num estudo de opinião, metade dos participantes defendem a reintrodução de reguadas pelos professores (FERNANDES, 1996). Por seu turno, a Confederação de Pais (CONFAP) considera que deveria haver mais castigos nas escolas, afirmando que “as estatísticas podem dar a ideia de que está tudo bem, o que não é verdade” (LIMA, 1997, 20), pois em 1996, de mais de um milhão de alunos das escolas públicas portuguesas, houve apenas vinte e sete suspensões por períodos iguais ou superiores a oito dias, quando a frequência de situações de indisciplina graves, nomeadamente a agressão aos professores, é muito superior.

Conforme já tivemos oportunidade de defender num trabalho anterior (JESUS, 1996b), as estratégias punitivas, aparentemente eficazes por provocarem medo nos alunos, apenas apresentam efeitos a curto prazo, sendo necessário aumentar a intensidade e a frequência da punição para continuar a ter os mesmos efeitos sobre o comportamento destes. Além disso, o professor funciona como modelo agressivo quando deveria fornecer um exemplo de estabilidade e serenidade aos seus alunos. Por seu turno, as suspensões são entendidas por muitos alunos indisciplinados como “uns dias de férias”, não tendo as implicações correctivas que tinham no passado ao nível do seu comportamento.

Tendo em conta que a realidade actual é completamente diferente e que os problemas devem ser analisados no contexto histórico-social em que ocorrem, não nos parece que o retorno às práticas de educação escolar utilizadas no passado possa constituir a via mais adequada para resolver os problemas que se colocam aos professores na actualidade. Passámos de uma educação escolar caracterizada por um elevado autoritarismo para um sistema demasiado permissivo, sendo fundamental encontrar um ponto de equilíbrio.

Especificamente, no que diz respeito à gestão da indisciplina dos alunos, é necessária uma acção concertada a vários níveis, em particular no plano sociopolítico, no plano da organização e gestão das escolas, no plano do trabalho dos professores em equipa e no plano da colaboração entre professores e pais, para além das estratégias que o professor pode utilizar na sala de aula.

De seguida, apresentamos algumas das estratégias que os professores podem utilizar para prevenir e gerir situações de indisciplina dos alunos:

1. manter-se sempre calmo, sereno e seguro, no sentido de modelar o comportamento dos alunos;

2. ser flexível, desde que coerente e estável, na forma de actuação, podendo alguma surpresa no comportamento do professor em relação aos alunos permitir uma maior eficácia na influência sobre estes (por exemplo, o professor pode aproveitar e manifestar humor nalgumas situações inesperadas em vez de ficar perturbado com elas);

3. evitar confrontos desnecessários, sendo mais tolerante (por vezes, é preferível que o professor faça que não percebe ou que deixe passar algumas situações menos graves do que tentar controlar todas as situações, pois pode perder a eficácia na actuação quando realmente se justifica intervir);

4. nunca se esquecer que também já foi aluno, criança ou adolescente, e que também gostava de brincar;

5. evitar categorizar ou rotular os alunos indisciplinados, pois pode estar a contribuir para a manutenção do comportamento destes (por exemplo, não dizer “tinhas que ser tu”);

6. não se distanciar dos alunos indisciplinados, apenas estabelecendo relação com eles quando apresentam comportamentos de indisciplina, pois nenhum aluno é sempre indisciplinado durante todos os minutos em que decorrem as aulas;

7. tendo em conta que os comportamentos de disciplina também podem ser aprendidos, enfatizar os aspectos positivos do comportamento e da aprendizagem dos alunos, encorajando os seus progressos e fomentando uma expectativa de autoconfiança (por exemplo, dizer “sei que és capaz”), não estabelecendo interacção apenas quando o comportamento é incorrecto ou quando há insucesso na aprendizagem;

8. dialogar com os alunos indisciplinados, procurando compreender os motivos que estiveram na base dos comportamentos identificados e fazendo com que estes alunos também compreendam o papel do professor, mas sobretudo que o professor também é uma pessoa (também é “de carne e osso”) que deve ser respeitada;

9. fazer com que os alunos voltem a acreditar que podem vir a alcançar resultados escolares positivos;

10. orientar a participação dos alunos para as matérias em análise, valorizando e incentivando essa participação;

11. delegar funções de “assistente” no líder informal da turma, para a gestão da indisciplina na sala de aula;

12. separar os alunos que perturbam;

13. repreender os alunos em particular e apenas quando tal atitude é efectivamente necessária;

14. identificar os casos de alunos com problemas familiares (por exemplo, agressividade na família ou alimentação deficiente) e tentar contribuir para a resolução de tais situações;

15. nos questionários feitos no início do ano lectivo, a todos os alunos que entram no ensino básico ou secundário, colocar questões sobre violência escolar, nomeadamente sobre motivos e formas de resolução que os alunos têm para propor no sentido de diminuir a ocorrência e gravidade destas situações;

16. estabelecer contratos (gestão de contingências) que identifiquem os comportamentos a corrigir pelos alunos, no sentido de os responsabilizar e de os levar a desenvolver uma “disciplina interior”.

Aliás, o desenvolvimento da autodisciplina deve ser o objectivo de qualquer estratégia para gerir a indisciplina dos alunos (ARENDS, 1995; ESTRELA, 1992).

• Os exercícios de simulação são fundamentais para o desenvolvimento de competências profissionais ao nível da formação inicial (ESTEVE e FRANCCHIA, 1986). No entanto, ao nível da formação contínua de professores parece-nos que o desenvolvimento profissional passa sobretudo pelo trabalho em equipa, envolvendo a troca de experiências, num clima de autenticidade, empatia e cooperação.

A existência de regras implica o trabalho em equipa pelos professores de uma mesma escola, para troca de experiências, definição de perspectivas de intervenção e encontrar consensos quanto aos comportamentos que devem ser considerados de indisciplina. A indisciplina integra todos os comportamentos que os alunos apresentam na sala de aula que perturbam o trabalho que o professor pretende realizar, podendo uns professores considerar que certos comportamentos constituem indisciplina e outros não (por exemplo, bocejar, mastigar
pastilhas elásticas, usar boné, participar sem pedir a palavra ou distrair-se facilmente). É necessário que os professores se reúnam para encontrar consensos e definir regras claras sobre os comportamentos aceitáveis e os não aceitáveis, evitando que os alunos possam argumentar “mas o professor X deixa fazer”. Estas regras devem ser apresentadas pelo Directores de Turma aos alunos logo na primeira aula e explicar-lhes porquê que são necessárias, podendo também, inclusivamente, ser afixadas nas salas de aula.

Tivemos oportunidade de verificar na Escola EB 2+3 de Santa Iria em Tomar, em que estava afixado um documento, elaborado pelo Conselho Pedagógico, que definia as regras de actuação do aluno na sala de aula, sendo distinguido o que ele deve fazer (por exemplo, “entrar/sair ordenadamente”, “ser pontual”, “sentar-se
correctamente” e “aguardar a sua vez de falar”) e o que ele não deve fazer (por exemplo, “trazer pastilhas elásticas”, “levantar-se sem autorização” e “danificar o material escolar”). Também numa outra escola, a Escola C+S Dr. João Rocha-Pai de Vagos, havíamos verificado que havia um documento afixado nas diversas salas de aula sobre “Aprender a aprender”, no sentido de ajudar os alunos a identificar e a desenvolver competências de métodos de estudo que lhes permitissem aproveitar as suas capacidades e obter melhores resultados escolares. Esta metodologia de afixar e distribuir documentos, com indicações que podem ajudar o aluno a orientar o seu comportamento, parece-nos ser um exemplo a seguir pelas diversas escolas.

Na elaboração do regulamento de disciplina interno também poderiam participar os próprios alunos, bem como os funcionários da escola e os encarregados de educação, tornando o estabelecimento de regras mais participado, permitindo aumentar a responsabilização pela sua concretização por todos os intervenientes.

Muitos professores, quando os alunos apresentam comportamentos de indisciplina, por vezes, questionam-nos sobre as consequências esperadas (por exemplo, perguntam ao aluno “o que é que tu merecias?”), ficando surpreendidos com o nível de exigência que eles apresentam relativamente às consequências que deveriam decorrer do seu próprio comportamento de indisciplina, revelando que os alunos também poderiam ser envolvidos neste processo de definição de regras de disciplina.

Esta abertura dos professores ao feedback fornecido pelos alunos pode ser um factor essencial do desenvolvimento e da aprendizagem dos professores, no sentido de regularem e aperfeiçoarem as suas próprias práticas educativas. A investigação conduzida por Curto (1998) permitiu verificar que os alunos consideram que os professores têm muita influência no potencializar de situações de indisciplina. Nomeadamente, a maioria dos alunos considera que “a indisciplina depende do professor” e que “a simpatia do professor diminui a indisciplina dos alunos”.

No âmbito de um projecto de investigação que coordenámos (JESUS e XAVIER, 1997) foram obtidos resultados que evidenciam que o diálogo com os alunos sobre estratégias para gerir a indisciplina destes últimos pode ser factor de desenvolvimento, aprendizagem e aperfeiçoamento profissional. Inclusivamente, começa a ser proposta (CARITA e FERNANDES, 1997) que não sejam apenas os professores a identificar os comportamentos indesejáveis dos alunos e a formularem regras no sentido de evitar a sua ocorrência, mas que também sejam os alunos a identificar os comportamentos de professores que perturbam o desenrolar de processos de ensino e aprendizagem.

Em todo o caso, a adequação das estratégias utilizadas pelos professores depende também do nível de desenvolvimento psicossocial e moral dos alunos (GOMEZ, MIR e SERRATS, 1993; SPRINTHALL e SPRINTHALL, 1993). Por exemplo, enquanto na fase em que a criança frequenta o jardim de infância pode ter sentido a utilização da força física, não enquanto agressividade, mas sim para restaurar o controlo da situação pelo educador, no 1.º Ciclo parece ser mais relevante o uso de reforços materiais, sobretudo positivos, e no 2.º e 3.º Ciclos pode ser utilizada a força do grupo social, em termos de aprovação ou desaprovação.

A formulação de regras com a participação de todos os intervenientes, no sentido de aumentar a responsabilização pela sua concretização, requer que os participantes se encontrem no nível pós-convencional do desenvolvimento moral, o que ocorre durante o Ensino Secundário. Assim, a análise da gestão da indisciplina deve pressupor uma abordagem desenvolvimentista que se traduza na sugestão de estratégias diferenciadas para cada nível de ensino (JESUS e XAVIER, 1998).

As estratégias, atrás apresentadas, são algumas que os professores podem utilizar no sentido de uma maior facilidade na gestão da disciplina dos alunos na sala de aula. No entanto, não há receitas universais e cada professor deve procurar aprender a partir da própria experiência, sendo coerente consigo próprio. Fundamentalmente, se o professor quer ser respeitado pelos seus alunos, tem que ele próprio respeitar-se e apreciar as suas qualidades pessoais e profissionais. Assim, uma das regras que o professor deve ter em conta é tentar analisar
o seu próprio comportamento face às situações de indisciplina dos alunos e procurar aprender com essas experiências, no sentido de um maior autoconhecimento e aperfeiçoamento progressivo.

Saul Jesus

Estratégias para motivar os alunos

Educação, Porto Alegre, v. 31, n.º 1, p. 21-29, jan./abr. 2008

Alguém irá responder às questões de Fernanda Câncio?

Bom, lá veio o apocalipse: aumentos em praticamente todos os impostos, retracção no investimento público e um recuo do governo em várias das suas apostas e promessas nas últimas eleições. Isto sucede, estranhamente, no momento em que se descobre que Portugal é, na UE, o país cuja economia mais cresceu ― ou seja, melhor recuperou da recessão. Bem sei que não percebo nada de economia (é sempre bom avisar) mas isto é, até para uma néscia como eu, um bocado paradoxal de mais.

Faz sentido sufocar e castigar uma economia quando ela dá mostras de recuperação? Não poderão estas medidas ter efeitos recessivos, ou seja, agravar a situação do País? E se os motivos próximos ou mesmo directos destas medidas são as avaliações desfavoráveis das empresas de rating, que se deveriam à noção de que a economia portuguesa não iria recuperar, se está a recuperar como se explica que se funcione como se não estivesse? Mais: se ainda anteontem o Governo, o Presidente da República e até os responsáveis da UE frisavam que Portugal e toda a zona euro estavam a ser objecto de um ataque “dos especuladores” sob a forma das avaliações das empresas de rating, por que motivo agora se conformam com funcionar de acordo com regras e parâmetros cuja justeza, veracidade e eficácia não reconhecem?

Como cidadã portuguesa e eleitora deste Governo, gostava de ver estas minhas perguntas respondidas. Como gostava de perceber por que motivo, num País em que a fuga aos impostos é estimada em 20% do PIB ― pelo menos o dobro da regra nas economias avançadas ―, se assiste a tão poucos progressos e tão poucos anúncios de esforços tendentes a direccionar a máquina fiscal no sentido de recuperar aquilo que anualmente anda, nas previsões mais conservadoras, nos 10 mil milhões por ano, uma maquia que corresponde a cerca de dois terços do défice ― ou seja, do problema.

Em toda a minha vida de trabalhadora e portanto contribuinte ― vinte e poucos anos ― nunca ganhei um tostão sobre o qual não fosse obrigada a pagar impostos. E sempre vi quem o fizesse, de empreiteiros a advogados, de médicos a sapateiros, de restaurantes e lojas aos inevitáveis canalizadores e electricistas. Gente que não se exime, porém, de beneficiar daquilo que o Estado lhes oferece com o esforço contributivo dos outros ― as mais das vezes até reclamando da falta de qualidade dos serviços. E se são mais uma vez os mesmos de sempre, os que impreterivelmente cumprem, a salvar o barco, é tempo de declarar-se como escândalo público a fugas sistemática ao fisco a que assistimos diariamente. E lembrar que, se os especuladores internacionais são ladrões de casaca, estes roubam-nos na nossa cara, contando com a nossa bonomia e colaboração. Que tal começar por aí?

Diário de Notícias [14.05.2010]

sábado, 15 de maio de 2010

Governo finta expectativas dos professores contratados


Ainda não deverá ser no próximo ano que milhares de professores que se encontram a contrato verão assegurado o seu ingresso na função pública.

O Ministério da Educação assumiu este compromisso, mas o congelamento de novas admissões na função pública aprovado esta semana pelo Governo põe em risco a realização do concurso extraordinário previsto para 2011, precisamente com vista à entrada nos quadros de uma parte dos cerca de 23 mil docentes actualmente a contrato.

O Ministério da Educação ― que juntamente com os da Saúde e da Administração Interna eram a excepção à regra de 1 (entrada) por 2 (saídas) ― indicou ontem que “a questão está a ser avaliada com todo o cuidado” e que “oportunamente se decidirá sobre o assunto”. Já o Ministério das Finanças, numa primeira resposta ao PÚBLICO, indicou que, face ao congelamento de novas entradas na função pública, só irão por diante os concursos que “já tenham sido autorizados” pelo ministro Teixeira dos Santos.

Tendo em conta que ainda não estão definidos nem os termos nem o universo exacto a abranger pelo concurso de 2011, o PÚBLICO voltou a questionar os dois ministérios sobre o fim do concurso. O ministério de Isabel Alçada remeteu para as Finanças. O de Teixeira dos Santos respondeu: “Os procedimentos já autorizados, autorizados estão. Os restantes casos serão apreciados individualmente, atendendo a que eventuais admissões serão sempre casos muito excepcionais, devidamente fundamentados, a autorizar pelo respectivo ministro e pelo ministro das Finanças.”

A realização de um concurso extraordinário em 2011 faz parte do acordo que, em Janeiro, o ministério celebrou com os sindicatos dos professores. Segundo a Federação Nacional dos Professores, dos cerca de 23 mil professores que este ano lectivo estavam a contrato, 15 mil estariam a assegurar necessidades permanentes. O ministério não apresentou números, mas a ministra comprometeu-se a fazer um levantamento da situação. No mês passado, por iniciativa do PS e do CDS-PP, o Parlamento aprovou uma resolução, já publicada em Diário da República, que recomenda ao Governo a abertura do concurso “no máximo” até Janeiro de 2011. Objectivo: a integração de professores profissionalizados contratados que estejam em funções há mais de 10 anos. Estarão nesta situação entre quatro mil e oito mil docentes. “Nem nos passa pela cabeça que este compromisso não seja cumprido”, disse ontem o secretário-geral da Fenprof. Mário Nogueira insistiu que este não foi um compromisso “assumido apenas com os professores, mas sim com o país”, lembrando que, desde 2007, passaram à reforma 14.159 professores e apenas ingressaram nos quadros 396.

PÚBLICO

OPINIÃO > Augusto Cid: «Prova de Aflição»

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Opinião > Pacheco Pereira: «Os directos»

Ao Benfica sucedeu o Papa. Não é a mesma coisa, porque no meio de muito circo idêntico sempre haverá palavras que não são da mesma natureza do vazio dos gritos. Há também, para quem tem fé, uma dimensão transcendental que voa mais alto do que a águia domesticada do Benfica. Mas infelizmente as televisões, em particular, adoptam o mesmo modelo espectacular nas emissões do Papa que seguiram com a vitória do Benfica: o directo é uma das formas mais enganadoras de comunicação, mediado invisivelmente pela realização televisiva, mas dando às pessoas uma ilusão de participação que está longe de existir.

Ao encher-se o espaço televisivo com horas e horas de directos, em que a sequência dos eventos em tempo real é apenas pontuada pelo palavreado do jornalista para encher o tempo vazio, está-se a fazer uma forma paupérrima de jornalismo. O jornalismo faz-se na notícia, sendo rigoroso com os factos mas enquadrando-os por um trabalho de edição; nos directos televisivos não há editing, distanciação, apenas, como referi, a ilusão de participação. O jornalista está lá como entertainer ou como compère e o produto final é também, e apenas, espectáculo.

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SÁBADO N.º 315 | 13 MAIO 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

BE organiza «Fórum da Educação»

terça-feira, 11 de maio de 2010