terça-feira, 30 de março de 2010

Alunos com excesso de faltas continuam a não chumbar

Alunos não chumbam automaticamente por excesso de faltas, diz a ministra

Os alunos com excesso de faltas não vão reprovar automaticamente, desde que provem que sabem, disse a ministra da Educação, a propósito do novo Estatuto do Aluno.

A ministra da Educação revelou, esta terça-feira, que os alunos com excesso de faltas não vão reprovar automaticamente, por considerar que o Estatuto do Aluno defende apenas a aprendizagem.

«A nossa proposta de Estatuto [do Aluno] não inclui a reprovação por faltas. A reprovação decorre da insuficiência da aprendizagem se assim o conselho de turma o entender», afirmou a ministra, em declarações aos jornalistas, no final de uma audição na Comissão de Educação da Assembleia da República.

A governante acrescentou que «se o conselho de turma verificar que há uma aprendizagem o aluno passa», mas a escola deverá «impedir que o aluno repetidamente falte à escola», porque se isso acontecer, «naturalmente que não vai conseguir aprender».

«Sentimos que não devemos associar a ausência da escola à repetência», reiterou.

O novo Estatuto do Aluno, que, de acordo com a ministra da Educação, prevê mudanças significativas nas punições, vai seguir para Conselho de Ministros «muito em breve».

Segundo o novo Estatuto, os directores das escolas terão mais poderes e os auxiliares terão mais condições para exercer o poder de repreensão.

Isabel Alçada reforçou ainda que a disciplina na escola, com a participação de todos ─ pais, alunos e professores ─ é essencial.

Fonte: TSF [30.03.2010]

Mirem-se no exemplo

Manga-de-alpaca

Se a agenda da comunicação social estivesse sincronizada com a agenda da escola situada, o assunto da ordem do dia seria o Estatuto da Carreira Docente. Não, não seria o Estatuto do Aluno que vai ser o tema de hoje do Prós e Prós. E porquê? Porque a desqualificação da função docente atinge o ponto alfa no final de cada período lectivo, sempre que se preenchem em simultâneo resmas de fichas informativas, pauta em excel, termos, fichas dos processos individuais, relatórios, actas, ou outro qualquer quejando cujo objectivo principal é reunir evidências só para inspector ver mas que raramente vê.

É a escola da (e para a) montra no seu melhor que não dispensa o professor manga-de alpaca!

Fonte: outrÒÓlhar

sábado, 27 de março de 2010

«José Sócrates, le Portugais ensablé»

José Sócrates em Paris, a 7 de Janeiro de 2010
(Foto: AFP - Rémy de la Mauvinière)

Rien ne va plus pour le Premier ministre socialiste, dont le nom est associé à des affaires de corruption sur fond de crise économique majeure.

L’inimitié d’une bonne partie des médias, une crise politique qui tourne au blocage institutionnel, une situation sociale explosive, un fiasco économique obligeant à des mesures drastiques à court terme… Comme si cela n’était pas suffisant, le bouillant José Sócrates (mollement réélu aux législatives de septembre 2009) doit désormais affronter une fronde du Parlement qui pourrait le forcer à la démission ou amener sa famille socialiste à lui trouver un successeur à la tête du gouvernement. Aujourd’hui commencent à Lisbonne les travaux d’une commission d’enquête parlementaire qui, pour la première fois depuis la fin de la dictature de Salazar, implique directement un Premier ministre. Et va le contraindre à comparaître physiquement, au mieux par écrit. «Le Portugal est un bateau ivre dans lequel le capitaine est le plus suspect de tout l’équipage», a asséné un chroniqueur de la chaîne privée SIC.

► Source: Libération [18.03.2010]

quarta-feira, 24 de março de 2010

Reformas causam perturbação nas escolas

Só este ano aposentaram-se 1106 docentes. Já há disciplinas com falta de oferta.

“Tivemos de distribuir dez turmas por professores de português que já tinham os horários completos. Não houve alternativa: duas professoras puseram baixas de 30 dias e não encontrámos ninguém para as substituir.” O caso, passado num agrupamento da Grande Lisboa, ilustra as dificuldades que a corrida às reformas pelos professores, associada à escassez de alternativas, começa a criar nas escolas públicas portuguesas.

Segundo dados divulgados ontem pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), só este ano já foram anunciadas em Diário da República 1106 aposentações, muitas delas a efectivar ainda no mês de Abril. Desde 2007, são já 14 159 as saídas de quadros, com o pico a verificar-se no conturbado ano de 2008 (4976), marcado por muitas lutas entre a classe e o Ministério da Educação.

Por outro lado ─ ao contrário de outros tempos ─ a profissão é cada vez menos sedutora para os estudantes do superior, que ano após ano, vão deixando mais lugares por preencher nos cursos de Educação.

Segundo apurou o DN, há neste momento quatro áreas disciplinares ─ na “bolsa de recrutamento” ─ em que a oferta de “mão-de-obra” é quase nula: o Inglês, a Informática, a Geografia e a Físico-Química.

Um problema que, no caso das duas primeiras disciplinas, está relacionado com a elevada procura ─ o Inglês do 1.º ciclo absorve todos os excedentários e, na Informática, a expansão das novas tecnologias também deixa os docentes sem mãos a medir. Mas que em relação às outras duas parece claramente relacionado com a corrida às aposentações.

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► Diário de Notícias

terça-feira, 23 de março de 2010

PGR vai entregar ao Governo proposta de punição da violência escolar

Tipificar “bullying” como crime público

O procurador-geral da República vai entregar, em breve, ao Governo, uma proposta para tipificar como crime público todos os ilícitos que, “em sentido amplo”, se possam classificar como violência escolar. Uma insistência, após os alertas anteriores terem sido ignorados.

Numa resposta escrita enviada ao JN, o PGR adiantou que, “em princípio”, amanhã ou depois vai entregar ao Governo “um contributo para a caracterização e punição do ‘bullying’ e para a clarificação como crimes públicos dos ilícitos que, em sentido amplo, se possam classificar como ‘violência escolar’”. Uma proposta que vem de encontro à reivindicação feita, no fim-de-semana, pela Fenprof e que a ministra da Educação, Isabel Alçada, já admitiu como “uma possibilidade”.

Desde 2007 que o PGR tem vindo a mostrar-se publicamente preocupado com a violência escolar, tendo no ano passado definido esta problemática como uma prioridade da investigação, no âmbito da nova lei de política criminal, por considerar que, nalguns casos, pode funcionar como embrião para níveis mais graves de criminalidade.

Na declaração feita ao JN, Pinto Monteiro lembra que já por diversas vezes suscitou esta questão “a vários níveis, não tendo na altura sido acolhidas as propostas elaboradas”. “O tempo veio demonstrar que o quadro traçado pelo procurador-geral da República correspondia à realidade”, escreveu, em jeito de desabafo, para adiantar que, “face à receptividade hoje existente”, decidiu apresentar uma proposta concreta ao Governo para a tipificação destes ilícitos como crimes públicos, o que deverá ocorrer amanhã ou depois.

Pinto Monteiro recorda que só recentemente, e após sua decisão, os crimes abrangidos pela violência escolar passaram a ter “prioridade e tratamento informático autonomizado e diferenciado”. No ano passado, segundo dados da PGR, foram abertos pela Procuradoria-Geral distrital de Lisboa 145 inquéritos, contra 111 em 2008. No Porto foi aberto apenas um, contra 11 em 2008, e em Évora, até Agosto de 2009, foram registados 38 inquéritos. Em 2008, em Coimbra foram abertos 34 inquéritos.

GINA PEREIRA

Fonte: Jornal de Notícias [23.03.2010]

Carta de uma professora desesperada

A violência nas escolas, o bullying, o sistema de avaliações, os encarregados de educação insatisfeitos, a pressão do Ministério da Educação, os contratos permanentes e a pressão do país são factores que gravitam à volta da actividade de professor.

Até que ponto, todos estes factores dificultam o trabalho de quem precisa de leccionar?

► Ler aqui.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Quando a cor faz a diferença

Paulo Pereira da Silva, presidente da Renova, conseguiu transformar o papel higiénico num ícone da moda.

► Fonte

A propósito do Dia da Poesia

Soneto Presente

Não me digam mais nada senão morro

aqui neste lugar dentro de mim

a terra de onde venho é onde moro

o lugar de que sou é estar aqui.


Não me digam mais nada senão falo

e eu não posso dizer eu estou de pé.

De pé como um poeta ou um cavalo

de pé como quem deve estar quem é.


Aqui ninguém me diz quando me vendo

a não ser os que eu amo os que eu entendo

os que podem ser tanto como eu.


Aqui ninguém me põe a pata em cima

porque é de baixo que me vem acima

a força do lugar que for o meu.

Ary dos Santos

Jacques Brel: «Au Printemps»


Au Printemps
Au Printemps au Printemps
Et mon cœur et ton cœur
Sont repeints au vin blanc
Au Printemps au Printemps
Les amants vont prier
Notre-Dame du bon temps
Au Printemps
Pour une fleur un sourire un serment
Pour l’ombre d'un regard en riant

Toutes les filles
Vous donneront leurs baisers
Puis tous leurs espoirs
Vois tous ces cœurs
Comme des artichauts
Qui s’effeuillent en battant
Pour s’offrir aux badauds
Vois tous ces cœurs
Comme de gentils mégots
Qui s’enflamment en riant
Pour les filles du métro

Au Printemps au Printemps
Et mon cœur et ton cœur
Sont repeints au vin blanc
Au Printemps au Printemps
Les amants vont prier
Notre-Dame du bon temps
Au Printemps
Pour une fleur un sourire un serment
Pour l’ombre d’un regard en riant

Tout Paris
Se changera en baisers
Parfois même en grand soir
Vois tout Paris
Se change en pâturage
Pour troupeaux d’amoureux
Aux bergères peu sages
Vois tout Paris
Joue la fête au village
Pour bénir au soleil
Ces nouveaux mariages

Au Printemps au Printemps
Et mon cœur et ton cœur
Sont repeints au vin blanc
Au Printemps au Printemps
Les amants vont prier
Notre-Dame du bon temps
Au Printemps
Pour une fleur un sourire un serment
Pour l’ombre d’un regard en riant

Toute la Terre
Se changera en baisers
Qui parleront d’espoir
Vois ce miracle
Car c’est bien le dernier
Qui s’offre encore à nous
Sans avoir à l’appeler
Vois ce miracle
Qui devait arriver
C’est la première chance
La seule de l'année

Au Printemps au Printemps
Et mon cœur et ton cœur
Sont repeints au vin blanc
Au Printemps au Printemps
Les amants vont prier
Notre-Dame du bon temps
Au Printemps

Au Printemps
Au Printemps

Jacques Brel

«Quem não protesta tem o que merece»

Luís Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças de José Sócrates, escreveu no jornal Público do passado dia 19 de Março o seguinte sobre o PEC:

“Mas há alguns pecados neste PEC. Antes de mais e que fique claro, há subida de impostos. Não vale a pena escamotear a questão, entrar em linguagem cifrada ou em jogos de semântica: o IRS aumenta, como todos (ou praticamente todos) iremos ver e pagar. Para o mesmo rendimento bruto, uma família que ganhe pouco mais do que o salário mínimo, com as novas regras, vai pagar mais impostos. E a isso chama-se aumentar impostos. Por aumento de taxa ou por menores deduções fiscais de saúde ou educação, é irrelevante, paga-se mais. Dizer o contrário é perder credibilidade.

Segundo pecado: o adiamento de alguns dos grandes investimentos públicos não contempla adiar o TGV para Madrid e a nova ponte sobre o Tejo. Ou seja, o exemplo mais acabado de desperdício não foi cortado. Se há coragem a menos ou casmurrice a mais, não sei, mas é um péssimo exemplo. É natural que os outros ministros das Finanças europeus não se queixem, porque o negócio é bom para alemães ou franceses. Se Portugal, através do seu governo legalmente constituído, deseja fazer asneiras, para quê mais aborrecimentos, tanto mais que os beneficia. Para garantir os pagamentos dos investimentos no TGV-Madrid e os prejuízos de exploração anuais teremos menos despesa social em educação, na saúde e reformas mais baixas. As estradas secundárias ficam numa miséria, mas teremos um comboio de luxo. Quem não protesta, tem o que merece.”

IEFP gasta mais de um milhão com viaturas

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cavaco congratula-se com revisão do Estatuto do Aluno

O Presidente da República congratulou-se, esta sexta-feira, com «o facto de agora se ter chegado à conclusão» que é preciso rever o Estatuto do Aluno.

Questionado se está preocupado com os casos de violência nas escolas que têm sido conhecidos, o chefe de Estado disse que o tema não pode deixar de o preocupar e recordou o debate que se estabeleceu em torno do Estatuto do Aluno.

«Lembro-me do debate que foi estabelecido à volta do Estatuto do Aluno e congratulo-me com o facto de agora se ter chegado à conclusão que é preciso revê-lo», afirmou Cavaco Silva, que falava aos jornalistas no final de uma visita ao Sport Grupo Sacavenense, que comemora este ano o seu 100.º aniversário.

Por outro lado, acrescentou, é preciso aprender com as «experiências negativas» que de vez em quando são conhecidas sobre violência nas escolas, nomeadamente entre estudantes e de estudantes em relação a professores. «Eu penso que alguma coisa terá que ser feita para combater esta situação», defendeu.

Questionado se concorda com a possibilidade de expulsão dos alunos envolvidos em casos de violência, Cavaco Silva escusou-se a responder, alegando que se trata de uma matéria que terá de ser discutida no «local próprio», ou seja, na Assembleia da República.

«Não quero adiantar absolutamente nada sobre isso», disse, argumentando que se trata de «uma matéria delicada» e que «há quem tenha competência para decidir».

Fonte: TSF [19.03.2010]

Comentário:

Eu também me lembro de que o actual Estatuto do Aluno foi promulgado por Cavaco Silva, assim como outras medidas polémicas e muito contestadas pelos Professores.

Mas ainda bem que Cavaco Silva muda de opinião!…

Depois da aceitação, sem pestanejar, de tudo o que propôs a anterior ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, até causa estranheza esta posição…

José Lello protesta contra falta de privacidade no Parlamento

O deputado socialista José Lello protestou, esta sexta-feira, contra a falta de privacidade perante as objectivas dos fotógrafos que, na sua opinião, ultrapassam o limite do razoável.

«O senhor jornalista que aqui está a fotografar-me pode fotografar-me quando quiser, mas não pode fotografar o que tenho aqui, porque isso respeita a minha privacidade. Isso não admito, senão eu fecho», disse o parlamentar, que a seguir fechou o seu computador.

Na resposta, enquanto outros deputados repetiam o gesto, o presidente da Assembleia da República lembrou a José Lello que o Parlamento é uma «espaço público e as regras na Assembleia da República estão aprovadas por todos os senhores deputados».

Estas «facultam aos meios de comunicação social a cobertura de toda a sessão legislativa e todos nós sabemos que os computadores que os senhores deputados utilizam não são pessoais, são computadores de serviço público», acrescentou.

Fonte: TSF

Comentário:

A atitude de alguns deputados socialistas, incluindo a de José Lello, revela, acima de tudo, má educação. O mesmo revela o acto grosseiro de fechar o computador como se se tratasse de um balde do lixo. Podem os deputados tratar os computadores que têm em casa como quiserem, mas fica-lhes muito mal fazê-lo em público, com computadores que na realidade não lhes pertencem…

Depois não se queixem que há cada vez menos respeito pelos deputados…

O que terá feito recuar o Governo?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Como formar um delinquente

Sem o saber, a família e a sociedade vão formando delinquentes. A solidão e a correria, o predomínio do ter sobre o ser, a crença de que o Mundo é um brinquedo, a difusão de referências éticas, o consumismo febril, o império das marcas… são alguns dos sinais do nosso tempo.

E a escola é que paga. É que tem de salvar as famílias, regenerar a sociedade, tornar possível o laço social. Numa missão impossível e num processo de destruição psicológica dos professores.

Também por isso é preciso acabar com o mito de uma escola ao serviço da sociedade (como há dias aqui diziam as palavras de António Nóvoa); e mobilizar a sociedade para estar ao serviço da escola.

Eis as práticas eficazes de uma formação para a delinquência:

1. Comece desde a infância a dar ao seu filho tudo o que ele pede. Assim este crescerá convencido de que o mundo inteiro lhe pertence. E que a missão dos pais é satisfazer-lhe os desejos de consumo.

2. Não lhe dê qualquer educação moral. Espere que seja de maior idade para que possa decidir livremente.

3. Quando disser palavrões, ache graça, ria-se. Isto anima-lo-á a fazer coisas ainda mais graciosas.

4. Não o confronte, não lhe diga que errou, que está mal algo que faz, pois poderia criar-lhe um complexo de culpa.

5. Apanhe tudo o que ele tiver espalhado: livros, sapatos, roupa, jogos... Assim, ele habituar-se-á a deixar os outros assumir as responsabilidades.

6. Deixe-o ler tudo o que lhe caia nas mãos e ver todos os programas que lhe apetecer. Tome cuidado para que os seus pratos, copos e talheres estejam bem esterilizados, mas deixe que a sua mente se encha de imundície, para que ele aprenda a considerar valioso aquilo que é lixo.

7. Discuta e brigue com o seu cônjuge na sua presença. Deste modo ele não se surpreenderá nem sofrerá demasiado quando a família se separar.

8. Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser gastar, para que ele não suspeite que para dispor de dinheiro é preciso esforçar-se e trabalhar.

9. Satisfaça todos os seus desejos, apetites, comodidades e prazeres. O sacrifício e a austeridade poderiam frustrá-lo.

10.Ponha-se do seu lado em qualquer conflito que ele mantenha com os professores, vizinhos e amigos. Acredite que todos eles têm preconceitos contra o seu filho e, na verdade, só querem prejudicá-lo.

(a partir de Miguel Ángel Santos Guerra)

Fonte: Terrear

Governo altera regras de contratação de professores