domingo, 8 de novembro de 2009

A emoção é um programa complexo, segundo António Damásio

Na conferência “A neurobiologia das emoções numa perspectiva actual”, promovida pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), o autor de livros como “O Erro de Descartes” ou “Ao Encontro de Espinosa” procurou responder a três questões: “O que é a emoção?”, “O que são os sentimentos?” e “Como é que sentimos uma emoção”.

Falando para cerca de 500 pessoas, entre alunos, professores e investigadores, sobretudo das áreas da neurobiologia e comportamento humano, António Damásio apresentou as suas teorias em torno de uma "pergunta central que fez há muitos anos" sobre o que é a emoção. Para o investigador e professor da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos da América ─ país onde se radicou ─, a emoção é "essencialmente um programa de estratégias activas e cognitivas".

Segundo António Damásio, a emoção desencadeada por determinado estímulo dá origem a "um programa de acções", diferentes conforme o tipo de emoção, que provocam alterações rosto, no corpo ou no sistema endócrino (estratégias activas). O corar de um rosto, a tensão muscular, o aumento do ritmo cardíaco, ou o aumento da secreção de determinada hormona são exemplos dessas alterações fisiológicas.

Contudo, falar da emoção apenas como um programa de acções é restrito demais, considera o especialista, sustentando que existem também as estratégias cognitivas, "certos estados mentais que fazem parte do programa completo de acções". Como exemplo, o neurobiologista referiu que "a tristeza obriga a certa estratégia cognitiva": num estado de tristeza, uma pessoa não pensa num jantar agradável e divertido, mas é capaz de pensar na morte.

"É sabido que é difícil uma atenção focalizada em momentos de extrema tristeza ou que durante emoções de medo pode haver uma capacidade de aprendizagem aumentada", disse. Mas a questão da emoção é ainda mais complexa, porque as emoções (esses programas de acções) são desencadeadas por determinados estímulos que não têm obrigatoriamente o mesmo efeito em pessoas diferentes.

Os estímulos podem ser objectos ou situações, actuais ou existentes na mente, e alguns são evolucionais e outros são aprendidos individualmente. "Situações que causem medo ou compaixão são muito antigas e são colocadas em nós pela evolução, estão nos genomas", por isso são evolucionais, explicou António Damásio.

"Mas se o estímulo que desencadeia emoções é uma determinada pessoa que nada tenha a ver com a História ou evolução, mas com aspectos de aprendizagem que tenham só a ver connosco", está-se perante um estímulo individual, acrescentou.

Três tipos de emoções

A propósito, o cientista referiu três tipos de emoções: as de fundo, que são mais vagas, como o entusiasmo ou o desencorajamento, as primárias, que são mais pontuais, como a tristeza, o medo, a raiva ou a alegria, e as sociais, que são um resultado sócio-cultural, como a compaixão, a vergonha ou o orgulho.

Passada a exposição da sua teoria sobre a emoção, António Damásio debruçou-se sobre o que são os sentimentos, explicando que são por um lado alterações do corpo que podem ser reais ou simuladas, e por outro estados alterados de recursos cognitivos.

"Nem todas as alterações que sentimos no corpo são necessariamente as que se estão a passar", pois é possível o cérebro simular essas alterações sem que elas realmente aconteçam.

Quanto aos "estados alterados de recursos cognitivos", António Damásio refere-se à percepção que a pessoa tem de que algo se modifica no seu espírito, na maneira de pensar ou na tendência para agir de determinada forma. No final da palestra, o investigador tratou de explicar "como é que sentimos uma emoção".

Fonte: CiênciaHoje

Barricas dos ovos moles de Aveiro fabricadas em exclusivo por dois primos

Os primos que alimentam as barricas de ovos moles

Tradição secular está nas mãos de dois sexagenários que detêm a patente das vasilhas

Um dos símbolos de Aveiro depende unicamente de quatro mãos. As barricas de madeira em que são colocados os ovos-moles são feitas por dois primos sexagenários. São eles que detêm a patente da tradição. Um dia destes passam a arte.

Se Joaquim e Abílio Ferreira se “reformassem” amanhã não havia mais barricas para guardar os ovos-moles de Aveiro. A tradição e a patente está nas mãos destes primos, de 67 e 64 anos, respectivamente, que há mais de 50 anos decoram as lojas de Aveiro com as barricas que os familiares começaram a fazer nos anos 30 do século passado.

A oficina da Ferreira Lopes & Ferreira, Lda, já não é a mesma. Passou da Rua de Sá, no centro de Aveiro, para Ervideiros, nos arredores da cidade. Mas algumas das máquinas são as de sempre. “Têm mais de 100 anos”, atira com orgulho Abílio Ferreira, o torneador.

É um negócio de família. Ninguém mais a pode fabricar ou sequer usar em imagem sem autorização desta micro-empresa que tem tantos trabalhadores como patrões. Abílio transforma os pedaços de choupo em barricas de nove tamanhos. Da número um que leva 35 gramas de ovos-moles à nove com capacidade para dois quilos de doce. Joaquim pinta-as com as tradições da região. O moliceiro é a mais procurada, mas o Farol da Barra (o segundo maior da Europa) e as marinhas também têm saída.

As máquinas são meros auxiliares. Já podiam ter equipado a oficina para poupar mão-de-obra, “mas deixaria de ser artesanato, uma arte, as peças seriam todas iguais, o que não acontece desta forma”, justifica Abílio. Máquinas são os primos. A barrica mais pequena demora 20 minutos a fazer. Pegar num pedaço de choupo e transformá-lo na maior das vasilhas já pintada demora 40 minutos. Um registo só ao alcance de quem sabe tudo de uma arte que, para já, não tem seguidores.

Talvez por respirarem saúde, apesar das idades de reforma e pré-reforma, os primos Ferreira ainda não traçaram o futuro. Os filhos não parecem vocacionados para pegar no negócio. “A solução poderá passar por ensinar a arte a outros familiares ou contratar pessoas continuando nós a supervisionar e a gerir a empresa”, dizem. Outra hipótese é vender. A única certeza é que, por eles, “a tradição não acabará”.

Joaquim e Abílio Ferreira fazem, em média, uma centena de barricas por dia. Não se queixam das vendas, “que têm vindo a aumentar nos últimos cinco anos devido ao acréscimo de turistas na região de Aveiro”. Dizem que cada vez mais nas pastelarias há quem prefira pedir para colocar os ovos-moles nas barricas de madeira, “que depois pode ser usada como porta-lápis, por exemplo”. Acrescentam que são muitos os que pagam 50 euros pela colecção de nove barricas para decoração.

A concorrência das barricas em porcelana não os afecta, nem sequer a hipótese do copo de plástico, que está a ser equacionado pela Associação de Produtores de Ovos-moles, para ser colocado no interior da barrica de madeira para que o doce fique melhor acondicionado. Mas Abílio não percebe a ideia do copo “porque os ovos-moles aguentam perfeitamente 15 dias nas barricas sem qualquer alteração do sabor devido às características do choupo”.

JOÃO PAULO COSTA

Fonte: Jornal de Notícias

A ministra famosa e popular

sábado, 7 de novembro de 2009

«O horror à avaliação», segundo a revista 'SÁBADO'

Comentário:

E que tal se a ‘SÁBADO’ mostrasse como é avaliação do desempenho docente nos países da Europa e noutros cujos estudos internacionais consideram os seus sistemas educativos um bom exemplo?


Internet chega aos exames na Dinamarca

Estudantes dinamarqueses vão poder consultar a Internet durante os exames

Na Dinamarca, os estudantes finalistas do ensino secundário vão poder consultar a Internet durante os seus exames finais. A medida foi autorizada pelo Governo e o sentimento geral é de que os alunos são suficientemente sérios para poderem usufruir desta medida sem copiarem. Os chats e a troca de e-mails durante o exame estão, obviamente, proibidos.

Um total de 14 liceus da Dinamarca estão já a testar este novo sistema de exames com consulta e todas as escolas do país foram convidadas a juntar-se a esta nova modalidade até 2011.

Durante os exames, os alunos podem aceder a qualquer página que desejem, mesmo à da rede social Facebook, adianta a BBC, desde que não escrevam mensagens. Os chats e a troca de e-mails, quer seja entre os alunos quer seja com pessoas do exterior, estão proibidos.

A Dinamarca é um país modelar no que toca à absorção de novas tecnologias. Há mais de uma década que os alunos estão autorizados a escrever as suas respostas no computador, podendo prescindir da entrega das respostas em papel.

O governo dinamarquês defende que se a Internet está tão omnipresente na vida quotidiana dos dinamarqueses, então deverá igualmente fazer parte das aulas e dos exames.

Sanne Yde Schmidt, que coordena este projecto numa das escolas pioneiras, em Copenhaga, disse à BBC: “Se queremos ser uma escola moderna e ensinar aos alunos coisas que são relevantes para eles na vida moderna, temos que os ensinar a usar a Internet”.

Uma das principais preocupações das pessoas que estão a coordenar o projecto é, obviamente, a possibilidade de os alunos poderem copiar. Mas Schmidt diz que a solução é confiar nos alunos. De todo o modo, quem for apanhado a copiar pode ser expulso. “Nós confiamos neles. Eu acho que a percentagem de pessoas que copiam é muito baixa porque as consequências são muito graves”, Sanne Yde Schmidt.

Os professores consideram igualmente que este tipo de exames com consulta deixa de obrigar os estudantes a “regurgitar” factos e números, dando-lhes em vez disso a oportunidade de analisarem a informação que lhes é dada.

O ministro dinamarquês da Educação, Bertel Haarder, disse igualmente que os “exames têm que reflectir a vida em sociedade”. “A Internet é indispensável, incluindo no exame. Tenho a certeza que em poucos anos a maioria dos países europeus estarão na mesma situação”.

Fonte: PÚBLICO

Conseguirá a nova ministra da Educação cativar os Professores?

Nova Ministra da Educação recebe FENPROF

Conselho Nacional

FENPROF é recebida terça-feira com estatuto da carreira e avaliação na agenda

07.11.2009 - 20:22 Por Lusa

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) é recebida terça-feira, dia 10 de Novembro, pela nova ministra da Educação, Isabel Alçada, para uma reunião com agenda restrita aos temas do estatuto da carreira docente e modelo de avaliação dos professores.

No final do Conselho Nacional da FENPROF, que decorreu hoje, Mário Nogueira, dirigente da Federação anunciou a realização da reunião com a nova equipa ministerial e salientou que “o maior de todos os desafios da nova equipa ministerial é ganhar os professores”.

Apesar de considerar que já houve “alguns sinais negativos”, nomeadamente por parte do primeiro-ministro, José Sócrates, a FENPROF vai para a reunião “com expectativa”, disse o dirigente. “A abertura ao diálogo, intenções e vontade do Governo para alterar as opções mais negativas impostas na anterior legislatura, começarão a ser clarificadas após a primeira reunião com a equipa ministerial, que terá lugar no dia 10 de Novembro”.

A não suspensão do modelo de avaliação, aproveitando o inicio de um novo ano lectivo, é vista como um sinal negativo. “Foi um erro iniciar o segundo ciclo avaliativo com o anterior modelo. Ele deve ser iniciado já com um novo modelo”, defendem os representantes sindicais, considerando possível, com negociação, ter um novo modelo definido ainda neste ano lectivo”.

“Os sinais podiam ser melhores”, mas, segundo o secretário-geral da FENPROF, “é positivo” que a actual ministra conheça o sector, “porque já deu aulas, visita escolas com muita frequência e esse conhecimento pode permitir-lhe começar melhor que a anterior ministra”, Maria de Lurdes Rodrigues.

Também o novo cenário político do país “torna possível alterar alguns dos caminhos mais negativos que marcaram a anterior legislatura, que foi de permanente confronto”, refere o cokunicado final aprovado por consenso no Conselho Nacional.

Um sinal disso, consideram, é que os dirigentes da Federação foram já recebidos, na semana passada, por todos os partidos com representação parlamentar, excepto o Partido Socialista, cuja postura condenam.

Mário Nogueira anunciou também que o Conselho Nacional decidiu, na reunião de hoje, convocar o décimo Congresso da FENPROF dias 23 e 24 de Abril, em Montemor-o- Novo.

Fonte: PÚBLICO

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sugestões para a nova ministra da Educação

A nova ministra da Educação, caso seja ela a definir efectivamente a política do seu ministério, deverá concentrar a sua acção em quatro vectores essenciais:

● Pacificar o ambiente que existe entre a classe docente e a tutela, contribuindo de forma activa para ultrapassar a imensa quebra de confiança que se criou durante o mandato anterior. Para isso é essencial que reabra o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente e dê sinais inequívocos que o modelo de avaliação do desempenho é para ser substituído até final de 2009.

● Fomentar um clima de exigência, rigor e disciplina no trabalho quotidiano das escolas, a todos os níveis, incluindo uma responsabilização directa dos alunos (e famílias) pela sua assiduidade, pelo seu desempenho e comportamento na sala de aula e nos espaços escolares.

● Promover de forma consequente uma reflexão profunda sobre a reorganização dos ciclos de escolaridade, a estrutura curricular e os conteúdos programáticos das diversas disciplinas.

● Apostar num ensino de qualidade e não apenas de quantidade, em especial no que se refere à chamada escola a tempo inteiro e à ocupação plena dos tempos escolares. Mais escola não significa necessariamente melhor escola.

Fonte: A Educação do Meu Umbigo

Governo apresentou programa

O XVIII Governo constitucional já apresentou o seu programa, continuando a apostar em soluções que já provaram ser um caminho errado. Para quem tiver disponibilidade e esteja interessado em saber o que o Governo pretende fazer na área da Educação, leia a partir da página 47. Este Governo parece ainda não ter dado conta de que não tem a maioria no Parlamento… E os seus elementos falam como se nada tivesse mudado com as eleições!...

Vida de Professor...

Ainda não chegámos à situação caricaturada neste filme e espero que a mesma nunca se torne uma realidade.

A crise já chegou à cama...

Onde é que eu já ouvi isto?

Programa do Governo

Ministro dos Assuntos Parlamentares diz que a avaliação dos professores não é para suspender

03.11.2009 - 08:01 PÚBLICO

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, garante que está fora de questão o Governo suspender a avaliação dos professores. Em declarações à TSF, Jorge Lacão afirma que o Executivo só está disponível para aperfeiçoar o actual modelo e apela ao sentido de responsabilidade da oposição.

Para o ministro dos Assuntos Parlamentares é possível melhorar o sistema, mas não suspendê-lo uma vez que muitos professores já foram avaliados. Suspender não, mas melhorar o modelo é possível. O principal desígnio da avaliação é premiar o mérito dos professores, lembra o ministro.

Com o objectivo de aperfeiçoar o modelo, o Governo está aberto a negociar com qualquer partido da oposição. Nesse sentido, o ministro dos Assuntos Parlamentares espera que não se forme na Assembleia da República uma coligação negativa, com o objectivo de suspender o processo de avaliação. Se os partidos da oposição se unirem para suspender a avaliação, Jorge Lacão entende que é automaticamente criada uma querela jurídico-constitucional.

Para a oposição, o PS está a agir como se não tivesse perdido a maioria absoluta. De recordar que o programa do Governo, ontem apresentado, reafirma apenas a necessidade de “acompanhar e avaliar” a aplicação do Estatuto da Carreira Docente, no quadro de processos negociais com os sindicatos, e de “acompanhar e monitorizar” o segundo ciclo avaliativo, de forma a “garantir o futuro de uma avaliação efectiva, que produza consequências”. O Governo tem ainda a intenção de realizar programas de formação dos directores das escolas e dos professores avaliadores.

Fonte: PÚBLICO

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Agressão à mulher cresce na TV

Os programas que mostram agressões a mulheres são cada vez mais nas várias estações de televisão. A que ficará a dever-se isso?

domingo, 1 de novembro de 2009

OPINIÃO Paulo Morais: «Avaliação de professores não deve ser “um fim em si mesma”»

A nova ministra da Educação ainda agora tomou posse e já voltou o ruído ensurdecedor da discussão sobre a avaliação dos professores.

A oposição, de forma oportunista, pegou no tema e a governante parece não lhe conseguir resistir. Mas não haja dúvidas de que, se a discussão se mantiver como até aqui, as políticas de educação já terão falhado.

Em primeiro lugar, convém lembrar que a avaliação de professores não é um fim em si mesma, nem deve constituir um núcleo central da política educativa. A avaliação dos docentes é apenas um meio para que os nossos filhos tenham melhores professores, que os ensinem e habilitem melhor.

Este, sim, deve ser o objectivo central de todo o sistema de ensino: a formação académica e científica adequada dos estudantes, para que possam mais tarde vir a ser profissionais realizados, competentes, úteis e produtivos; a que se deve juntar a formação desportiva que os torne cidadãos saudáveis e, por último, também não deve ser esquecida uma forte componente de formação cívica que permita que as próximas gerações sejam mais participativas e cumpridoras dos seus deveres.

É para isto, deve ser para isto, que serve um sistema de ensino.

Avaliar os professores é, tão só e apenas, um dos seus múltiplos aspectos, não podemos é permitir que se torne no centro do sistema.

Paulo Morais

Fonte: Rádio Renascença

OPINIÃO > Maria do Rosário Gama: «E agora, senhora ministra???»


Estão milhares de olhos postos em si cobertos de esperança e ao mesmo tempo de receios, numa mistura de confiança e cepticismo em relação ao que se vai seguir... É que o desespero e o mal-estar a que nos conduziu a sua antecessora causou estragos tão grandes que faça V. Ex.ª o que fizer muitos desses estragos já são irreparáveis! Mas V. Ex.ª tem poder para minimizar alguns e trazer de novo às escolas o ambiente que se vivia antes da torrente legislativa do Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues (MLR).

Estatuto da Carreira Docente: A grande e irremediável afronta feita pelo ministério de MLR aos professores foi a divisão da carreira em professores titulares e não-titulares, devido à artificialidade e arbitrariedade de que se revestiu o concurso para titulares, ao serem tidos em conta apenas os últimos sete anos da sua carreira e ao serem pontuados cargos que muitas vezes eram atribuídos para preenchimento de horários ou por rotatividade. Esta situação criou injustiças de tal modo gritantes que levou à revolta de muitos professores e a uma “debandada” com reflexos no aproveitamento dos alunos e no ambiente nas escolas. Não se pode ter bom ensino com professores desanimados, frustrados, revoltados... Acabe, por favor, com este artificialismo que é a divisão sem sentido numa carreira de professor.

Avaliação de professores: Se o ciclo avaliativo é de dois anos, que sentido teve iniciar um processo em Janeiro de 2009, correspondente a ¼ desse ciclo? Que sentido teve a entrega de objectivos para cumprir até ao final do ano se até aí não foi cumprido muito do que se vem a propor? Que sentido teve a entrega de objectivos iguais por diferentes professores, apesar de os mesmos serem individuais? Que sentido teve gerar a conflitualidade nas escolas e conduzir uma classe ao desânimo e desmotivação? Que sentido teve aliciar com a classificação de mérito para que professores se propusessem ter aulas assistidas e assim viessem a usufruir das quotas destinadas a essas classificações? Que sentido teve o oportunismo, incoerência, medo e angústia que se instalaram nas escolas? Não teve nenhum sentido e o resultado está à vista...

O modelo imposto não contribuiu em nada para a melhoria das aprendizagens dos alunos, antes pelo contrário, os professores “burocratizaram” a sua actividade diária no preenchimento de fichas e portfolios brilhantes que não correspondiam à prática lectiva e muito menos ao sucesso dos alunos. Na aplicação deste modelo houve várias modalidades: entrega/não entrega de objectivos; aulas assistidas ou não; entrega/não entrega das fichas de auto-avaliação; recepção/não-recepção por parte dos directores das fichas de auto-avaliação; avaliação/não-avaliação de quem entregou as fichas de auto-avaliação...etc... Com esta diversidade ainda mais aumentaram as injustiças, por isso só há uma solução: suspender este modelo de avaliação e estudar outro que contribua para a melhoria das aprendizagens dos alunos, para a actualização científico-pedagógica-didáctica séria dos professores e para o bem-estar das escolas.

Avaliação dos directores e das suas equipas: No dia 21 de Outubro foi publicada no Diário da República a Portaria 1317/2009 regulamentadora, em regime transitório, da avaliação de desempenho dos membros das direcções executivas e dos directores dos estabelecimentos públicos. Este documento, que mais parece um concurso para director do que propriamente um modelo de avaliação de directores, é a mais uma aberração legislativa, presente do senhor secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em final de mandato, a necessitar de ser suspensa!

Militante do Partido Socialista

Fonte: PÚBLICO [31.10.2009]

A Escola dos nossos dias retratada nos Desenhos Animados

Para quem eventualmente se tenha esquecido, este extracto de um filme da Disney relembra que «Os Professores são Pessoas»…