Este é um espaço onde poderei dar conta das minhas reflexões, alegrias, inquietações e também das minhas indignações. Deixo claro que não hipotequei a minha liberdade a nenhum partido político. Tal como escreveu o ilustre escritor Miguel Torga, meu comprovinciano, «Não posso ter outro partido senão o da liberdade»...
Para quem gosta de ler, é difícil resistir à atracção de um bom livro. Há algum tempo que eu tinha vontade de comprar «Tanta Gente, Mariana», de Maria Judite de Carvalho. Na semana passada, quando dava um vista de olhos aos livros na FNAC, reparei nele e trouxe-o comigo. Embora não seja uma novidade, pois a primeira edição deste livro viu a luz do dia em 1959, ano anterior ao do meu nascimento, nem por isso deixa de ser um livro que dá gosto ler. Aqui fica um extracto da mesma obra, o mesmo que lhe deu o título.
Assinalam-se hoje os cem anos da morte do escritor português Fialho de Almeida (1857-1911). O autor de «Os Gatos»será homenageado na sua terra natal, Vila de Frades, e é alvo de diversas rubricas de interesse na página da TSF. (TSF)
A nova geração de escritores no ano da morte de José Saramago
A morte de José Saramago é o fim simbólico de uma geração politicamente comprometida. Como é que os novos escritores lidam com a ideologia? O Ípsilon falou com aqueles que podem vir a ser os herdeiros do Nobel português
A literatura pode viver até de uma forma conflituosa com a ideologia. O que não pode é viver fora da ideologia.
José Saramago
A morte de José Saramago em Junho representou o fim de uma geração politicamente comprometida, de uma literatura de causas, herdeira da luta contra o fascismo e a censura, do fim da ditadura, do colapso do Império, da transição para a democracia e da adesão à Europa.
Este é o ano da morte de José Saramago. No seu obituário, no “Expresso”, Clara Ferreira Alves escreveu que pode ser que “um dia um escritor ainda sem nome se sinta tentado a escrever um livro com este título”, ecoando “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. Porque, tal como nesse ano (1936), “este é um ano em que estão a acontecer muitas coisas, é um ano histórico e da história, um ano implacável, um ano de princípios e de fins”.
Comecei a ler há poucos dias o livro «Primeiro as Senhoras», de Mário Zambujal. E tenho-me divertido imenso a lê-lo. Bem escrito e com um sentido de humor que nos põe bem dispostos é, com certeza, uma boa leitura para estas férias.
A escritora Matilde Rosa Araújo morreu hoje de madrugada, na sua casa, em Lisboa, aos 89 anos, disse à agência Lusa fonte da família. De acordo com fonte da Editorial Caminho o corpo de Matilde Rosa Araújo será velado hoje na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.
Nascida em Lisboa a 20 de Junho de 1921, numa quinta dos avós em Benfica, Matilde Rosa Araújo licenciou-se, em 1945, em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, tendo feito uma tese sobre jornalismo. Depois, foi professora do ensino técnico profissional em várias cidades do país, tendo ficado efectiva no Porto. Foi também professora do primeiro curso de Literatura para a Infância, na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Enquanto estudante, foi aluna de Jacinto do Prado Coelho e Vitorino Nemésio e colega de Sebastião da Gama, Luísa Dacosta, David Mourão-Ferreira e Urbano Tavares Rodrigues.
Autora de livros de contos e poesia para adultos e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças — como "O Sol e o Menino dos Pés Frios", “História de uma Flor” e “O Reino das Sete Pontas” — dedicou-se intensamente à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.
Três eixos da infância
Nos seus livros, a autora centrou-se sempre em três grandes eixos de orientação: a infância dourada, a infância agredida e a infância como projecto. Em 2004, quando recebeu o Prémio de Carreira da SPA, Matilde Rosa Araújo afirmou que “os jovens lhe ensinaram uma espécie de luz da vida”, porque “o seu olhar é de uma verdade intensa e absoluta”. Entre os seus livros mais importantes para a infância contam-se “Os direitos das crianças”, “O palhaço verde” e “O livro da Tila” — nome pelo qual era conhecida entre os amigos.
Ávida pelos jornais, Matilde Rosa Araújo foi colaboradora da imprensa nacional e regional, como “A Capital”, “O Comércio do Porto”, “República”, “Diário de Lisboa”, “Diário de Notícias” e “Jornal do Fundão” e nas revistas “Távola Redonda”, “Graal”, “Árvore”, “Vértice”, “Seara Nova” e “Colóquio/Letras”.
Desde cedo preocupada com os direitos das crianças, tornou-se sócia fundadora do Comité Português da Unicef e do Instituto de Apoio à Criança. Escreveu várias vezes sobre o interesse da infância na educação e na criação literária para adultos e sobre a utilidade da literatura infanto-juvenil na formação dos mais novos.
Apesar da sua actividade em diferentes campos, foi sobretudo como escritora que Matilde Rosa Araújo se tornou mais conhecida, dado ter desenvolvido intensa actividade literária para o público adulto e infanto-juvenil, obtendo nesta área diversos galardões e tendo vários volumes publicados no estrangeiro.
Estreia em 1943
A sua estreia na literatura teve lugar em 1943 com “A Garrana”, uma história sobre a eutanásia com a qual venceu o concurso “Procura-se um Novelista”, do jornal “O Século”, em cujo júri de encontrava Aquilino Ribeiro. Para o público adulto escreveu também “Estrada Sem Nome”, obra galardoada num concurso de contos da Faculdade de Letras, “Praia Nova”, “O Chão e as Estrelas” e “Voz Nua”.
Na literatura para crianças, o primeiro título publicado foi “O Livro da Tila” (1957) — escrito nas viagens de comboio entre Lisboa e Portalegre, onde leccionava, e cujos poemas foram musicados por Lopes Graça. Seguiram-se “O Palhaço Verde”, “História de um Rapaz”, “O Sol e o Menino dos Pés Frios”, “O Reino das Sete Pontas”, “História de uma Flor”, “O Gato Dourado”, “As Botas de Meu Pai”, “As Fadas Verdes” e “Segredos e Brincadeiras” e os mais recentes “A saquinha da flor” e “Lucilina e Antenor”, entre cerca de 40 títulos. Com ela colaboraram várias gerações de ilustradores portugueses, de Maria Keil a Gémeo Luís e a João Fazenda.
Em 2009, foi publicada a obra “Matilde Rosa Araújo — um olhar de menina”, uma biografia romanceada da escritora com texto de Adélia Carvalho e ilustração de Marta Madureira. Membro da Sociedade Portuguesa de Escritores (actual APE), Matilde Rosa Araújo ocupava um cargo directivo quando, em 1965, a instituição premiou o angolano José Luandino Vieira, então preso no Tarrafal, o que levou a PIDE a invadir as instalações e a demitir a direcção.
Muitos prémios e uma condecoração
O Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian (1980), que lhe foi atribuído ex-aequo com Ricardo Alberty, foi um dos primeiros entre os muitos que a sua obra literária viria a conquistar. Em 1991, recebeu o Prémio para o Melhor Livro Estrangeiro da Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, por “O Palhaço Verde”, e cinco anos depois viu a obra de poesia “Fadas Verdes” ser distinguida com o prémio Gulbenkian para o melhor livro para a infância publicado no biénio 1994-1995. Já em 1994, Matilde Rosa Araújo fora nomeada pela secção portuguesa do IBBY (Internacional Board on Books for Young People) para a edição de 1994 do Prémio Andersen, considerado o Nobel da Literatura para a Infância.
Em 2003, a escritora foi ainda condecorada, a 8 de Março, Dia da Mulher, pelo Presidente Jorge Sampaio, e em Novembro a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) decidiu, por unanimidade, agraciá-la com o Prémio Carreira (entregue em Maio de 2004), pela sua “obra de particular relevância no domínio da literatura infanto-juvenil”. “É uma generosidade muito grande por uma carreira que me deu mais a mim do que eu dei a ela”, disse a escritora na altura em que recebeu o prémio da SPA.
Matilde Rosa Araújo — que dizia conhecer dezenas de estabelecimentos de ensino do continente e ilhas — mantém-se viva através da Escola Básica 2,3 de São Domingos de Rana e da Biblioteca Municipal de Alcabideche, em Cascais, que foram baptizadas com o seu nome, tal como sucedeu a um prémio revelação na literatura infantil e juvenil instituído pela autarquia daquela vila em 1998.
José Saramago, 87 anos, único escritor de língua portuguesa a quem foi atribuído o prémio Nobel da Literatura, morreu no passado dia 18 de Junho, ao início da tarde, na sua na casa da ilha de Lanzarote, onde habitava com a terceira mulher, Pilar del Rio, desde que se auto-exilara de Portugal, em 1993, depois de o governo português riscar o seu nome da lista dos candidatos oficiais ao Prémio Literário Europeu.
Visivelmente fragilizado desde o Verão de 2007, devido a doença cancerosa, a morte ocorreu na sequência de “múltipla falha orgânica”, segundo a Fundação José Saramago.
Escritor estava a avançar no projecto literário que mais o seduziu durante a vida. Um livro sobre a Revolução de 1383/85, a recriação histórica ao gosto dos escritos que lhe deram fama
É com voz embargada que o editor de grande parte da obra do escritor João Aguiar revela ao DN que ficará por publicar o livro em que o autor estava empenhado nos últimos tempos. Manuel Valente, que o editou na D. Quixote, na ASA e na Porto Editora, ainda trocou vária correspondência electrónica com João Aguiar, que o questionava sobre propostas de título para o desejado romance histórico sobre a Revolução de 1383/85. Mas a morte acontecida ontem, após luta contra um cancro, impossibilita a grande maioria dos seus leitores adultos de voltar a ler a escrita que mais apreciavam nele, a do romance histórico.
Pouco terá redigido deste novo livro, para além das notas resultantes da investigação preparatória, desde que avançou para a tão polémica revolução popular. Este era um género em que João Aguiar se sentia tão à vontade que, por altura do lançamento do seu penúltimo livro, O Priorado do Cifrão, dissera ao DN: "Não sou o Papa do romance histórico." Não era verdade, pois retomara um género que possuía bons exemplos na literatura nacional mas que ganhou novo fôlego quando lançou em 1984 A Voz dos Deuses, uma surpreendente ficção sobre Viriato, que se antecipava à vaga de livros históricos que caracterizaram esta primeira década do terceiro milénio.
A partir daí, e mesmo que não o quisesse, ficou colado a este género literário com títulos de grande sucesso como O Trono do Altíssimo; A Hora de Sertório e a peça Inês de Portugal.
Sobre a sua identificação com o romance histórico, João Aguiar referia na entrevista ao DN o seguinte: "É um género de que gosto muito, e o meu próximo romance vai ser outra vez histórico." Justificava as suas incursões noutros géneros assim: "Desde o princípio decidi que não queria ser previsível e que não iria explorar filões (...) só porque tive a sorte de o primeiro livro ter sido um êxito." O seu interesse na História de Portugal era tão grande que também sonhava fazer uma biografia do rei D. João III.
João Casimiro Namorado de Aguiar nasceu a 28 de Outubro de 1943, em Moçambique. A sua infância foi dividida com Lisboa e diz a biografia que para o manter sossegado na cama durante um longo período de doença a mãe o ensinou a ler e que de leitor interessado passou rapidamente a aspirante a escritor. Aos oito anos tentou ditar um livro de aventuras à irmã, mas o sentido crítico dela arrasou-lhe as pretensões.
Licenciou-se em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas e iniciou-se na RTP, em 1963. Seguem-se vários jornais, o Diário de Notícias foi um deles.
Rosa Lobato de Faria, escritora, letrista e actriz, morreu ontem, dia 2, aos 77 anos, ao fim de uma semana de internamento num hospital privado de Lisboa.
O investigador de Literatura Vítor Aguiar e Silva recebeu no passado sábado, 12 de Setembro, em Vila Real, o Prémio D. Diniz 2009, galardão atribuído pela Fundação da Casa de Mateus desde 1981.
Vítor Aguiar foi distinguido pela obra “A Lira Dourada e a Tuba Canora: Novos Ensaios Camonianos”, publicada pela editora Cotovia, escolhida unanimemente pelo júri constituído por Vasco Graça Moura, Nuno Júdice e Fernando Pinto do Amaral.
Patrocinado pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e pela Caixa Geral de Depósitos, o prémio, no valor de 7 500 euros, distingue uma obra de poesia, ficção ou ensaio, de preferência publicada no ano anterior ao da sua atribuição.
Vítor Aguiar e Silva, nascido em 1939, tem-se dedicado sobretudo ao estudo da Teoria da Literatura ― área em que o seu trabalho como professor e investigador tem sido nacional e internacionalmente reconhecido ― bem como da Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo.
Publicou, entre outros, trabalhos “Para uma interpretação do Classicismo”, “Maneirismo e Barroco na Poesia Lírica Portuguesa”, “Teoria da Literatura”, “Competência Linguística e Competência Literária: Sobre a possibilidade de uma poética gerativa”, “Análise e Metodologias Literárias” e “Camões: Labirintos e Fascínios” (obra distinguida com o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Escritores).
Recebeu, em 2002, o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora.
Em 2007, foi-lhe entregue o Prémio Vida Literária, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores.
Em 2008, o Prémio D. Diniz foi entregue ao poeta Manuel Alegre pelo seu livro “Doze Naus”.
Na primeira edição, em 1981, o galardão teve dois vencedores ― Agustina Bessa Luís, com “O Mosteiro”, e Almeida Faria, com “Lusitânia”, ambos romances.
Os prémios Nobel da Literatura José Saramago e Camilo José Cela também já foram distinguidos, respectivamente, em 1984 e 1983.
Uma editora portuguesa (Chiado Editora) suspendeu a publicação do livro intitulado A Última Madrugada do Islão, devido a ameaças recebidas, conforme explica no comunicado à imprensa.
Mais um livro sobre o mundo islâmico que causa polémica, este mesmo antes de chegar às livrarias.
O escritor e jornalista António Alçada Baptista morreu hoje aos 81 anos.
António Alçada Baptista nasceu em 1927 na Covilhã. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Alçada Baptista tem uma vasta obra literária publicada. Esteve também ligado ao jornalismo e à edição. Foi ainda cronista.
Identificado por muitos como “o escritor dos afectos” e um defensor da liberdade Alçada Baptista foi um dos fundadores da revista “O tempo e o Modo”, que marcou gerações. Era ainda editor da Moraes Editora.
Alçada Baptista foi condecorado com a Ordem de Santiago, com a Grã Cruz da Ordem Militar de Cristo pelo Presidente Ramalho Eanes e com a Grã Cruz da Ordem do Infante pelo Presidente Mário Soares.
Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, lembrou, em declarações à TSF, o “homem de causas”: “Foi um homem de causas, dos direitos do homem e da democracia. Mas temo que seja esquecido enquanto escritor para ser lembrado enquanto pessoa”.