sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

OPINIÃO > João Ruivo: «Avaliar professores é fácil?»

Um artigo de João Ruivo, inserto na publicação Ensino Magazine Online, relativa ao mês de Dezembro.

Declaração Universal dos Direitos Humanos fez 60 anos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada há 60 anos, mas há direitos que continuam a não ser observados no Mundo dito moderno. Aliás, começa a instalar-se a tendência de restringir cada vez mais os direitos dos cidadãos.

José Saramago fazia há 10 anos um discurso no qual chamava a atenção para a questão dos direitos humanos. Volvidos dez anos, terá mudado alguma coisa?

Neste sítio há documentos que vale a pena conhecer.

Nestes cinquenta anos não parece que os Governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que, moralmente, quando não por força da lei, estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se no mundo, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica humanidade que é capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte neste tempo do que ao nosso próprio semelhante.

Alguém não anda a cumprir o seu dever. Não andam a cumpri-lo os Governos, seja porque não sabem, seja porque não podem, seja porque não querem. Ou porque não lho permitem os que efectivamente governam, as empresas multinacionais e pluricontinentais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a uma casca sem conteúdo o que ainda restava de ideal de democracia. Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Foi-nos proposta uma Declaração Universal dos Direitos Humanos, e com isso julgámos ter tudo, sem repararmos que nenhuns direitos poderão subsistir sem a simetria dos deveres que lhes correspondem, o primeiro dos quais será exigir que esses direitos sejam não só reconhecidos, mas também respeitados e satisfeitos. Não é de esperar que os Governos façam nos próximos cinquenta anos o que não fizeram nestes que comemoramos. Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra e a iniciativa. Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa começar a tornar-se um pouco melhor.

(Extracto do discurso de José Saramago

pronunciado no Banquete Nobel

a 10 de Dezembro de 1998)

Gostos não se discutem...

Há quem se tenha rendido aos encantos da avaliação da D. Lurdes... Gostos não se discutem... Cada um come aquilo de que gosta! O que é estranho é esta súbita mediatização de uma associação que se diz defensora da Escola Pública, cujos membros estarão mortinhos por ser avaliados. O líder diz congregar mais de mil membros de todo o País. Já que estão tão solícitos, por que não aproveitar a sua disponibilidade para os pôr a fazer uma experiência com este tipo de avaliação em que tais pessoas só vêem vantagens?...
Não me digam que estão todos a ficar míopes e já não conseguem enxergar nada à distância!...

Rir faz bem à saúde

Leia a anedota que encontra aqui e ria, porque rir faz bem!

OPINIÃO > Nuno Pacheco: «Educação em mundos paralelos e ilusórios»

A luta continua

Após a reunião desta tarde [11.12.2008] com a ministra da Educação, Mário Nogueira falou em nome da Plataforma Sindical para dizer que a luta dos professores vai continuar na rua, com novas manifestações, informou a RTP.

Ministra da Educação diz que sindicatos defendem "regresso ao passado"

Maria de Lurdes Rodrigues considera que a proposta levada pelos sindicatos dos professores para a reunião não era credível e significava "um andar para trás", segundo a RTP.

Ministério da Educação e Professores de candeias às avessas

O Governo e os sindicatos continuam em desacordo sobre o modelo de avaliação de professores. No final da reunião de hoje [11.12.2008] Mário Nogueira, porta-voz da plataforma sindical, afirmou que o Ministério da Educação não aceitou nenhuma das propostas apresentadas e que a greve agendada para dia 19 de Janeiro é para manter. Por seu lado, Maria de Lurdes Rodrigues diz que no encontro não foi apresentada nenhuma proposta credível e que o que foi apresentado representa um grande regresso ao passado.

Fonte: RTP

Gabriel García Márquez escreve novo romance

Gabriel García Márquez, Prémio Nobel da Literatura, está a escrever um novo romance, segundo revelou um seu amigo íntimo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

«Dicionário do Livro» revisto e aumentado

Como é explicado aqui, o Dicionário do Livro, da autoria de Maria Isabel Faria e Maria da Graça Pericão, foi revisto e aumentado, é agora editado pela Almedina e chegará às livrarias a partir da próxima semana.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

«10 mitos sobre a avaliação de desempenho docente»

Lê-se no sítio do Ministério da Educação, um espaço que julgávamos sério, mas que cada vez mais vai mostrando as verdadeiras intenções: «Para prosseguir o esforço de esclarecimento e contrariar algumas ideias erradas relativas ao processo de avaliação de desempenho docente, o Ministério da Educação refuta 10 das noções erradas mais frequentes que surgem quando se discute este tema.»
Ora este é um espaço pago com o dinheiro dos contribuintes, que serve os interesses da equipa que gere a Educação e é também utilizado para atacar os professores. Já é tudo lícito?
José Matias Alves incluiu no seu blogue (Terrear) um comentário sobre este assunto que vale a pena ler.

OPINIÃO > Santana Castilho: «O lamaçal»

Santana Castilho

A confiança e a cumplicidade entre ministério e professores não estão apenas quebradas, estão pulverizadas

Já aqui escrevi que a avaliação do desempenho está longe de ser o problema, mas tão-só um epifenómeno dele. O problema começou quando este Governo assumiu como desígnio poupar, sem critério, no que é vital para desenvolver o país e promover as pessoas. Ora o ensino de qualidade requer dinheiro e tempo. Não se faz sem professores e sem escolas mobilizadas. Supõe trabalho, exigência e disciplina, coisas que os computadores a pataco e os turbo-diplomas não substituem. Mas a política seguida e a legislação que a suporta assentam na convicção inculta de que a opressão férrea sobre os professores e o laxismo a eito para os alunos operarão o milagre da multiplicação das "competências", como os tecnocratas de serviço gostam de chamar, vamos lá nós saber a quê. Este é o fio condutor que qualquer análise lúcida descortina como elo de ligação entre toda a produção legislativa do Ministério da Educação, com destaque para os três diplomas mais assassinos: o estatuto dos professores, o estatuto dos alunos e a gestão das escolas.
Nos últimos dias, assistimos a manifestações bem degradantes. Ouvimos a ministra da Educação, que tinha negado a burocracia, reconhecer com candura que o modelo de avaliação do desempenho dos professores estava cheio dela. Que, afinal, as duas simples fichas eram muitas mais e desnecessárias. Que o que ontem era dogma fora reclassificado como anátema. Que muito do que tinha sido proclamado como indispensável era, afinal, inviável e ministerialmente ultrapassável por uma portaria Simplex. Tudo com a mesma ligeireza com que os aldrabões das feiras doutro tempo convenciam os incautos a usar a banha da cobra para remover todos os males, do corpo ou do espírito. Prudentemente calada a senhora, a viscosidade do lamaçal em que esta gente se move recolheu à guarda do secretário de Estado Jorge Pedreira, que não enjeitou o mote: convocou a Plataforma Sindical para uma reunião com "agenda aberta" que, desmarcadas as próximas greves, logo fechou, esclarecendo, em hino ao patético, que "agenda aberta significa permitir às partes dizer o que entendem". Ou seja, repetir o que já sabemos, como se não estivéssemos saturados de ouvir as partes, sem que se faça o que deve ser feito. E a plataforma mordeu. Esperemos que não engula e não ceda ao Memorando II, para salvar o primeiro período.

Entendamo-nos. O ensino está num atoleiro de que não se sai com esta equipa de governantes. A confiança e a cumplicidade indispensáveis entre ministério e professores não estão apenas quebradas. Estão literalmente pulverizadas e são, por isso, irrecuperáveis. Sócrates tem de substituir a ministra da Educação. Agora, fazendo-a perceber o que Correia de Campos percebeu sozinho, ou mais tarde (mais próximo das eleições ou depois delas, se as ganhar). Mas esse é problema dele. O problema dos professores é não se deixarem arrastar para o fundo do lamaçal. Há desânimo e cansaço nos alunos e nos pais. Há transtornos e perturbações na vida das famílias e houve mesmo manifestações de separatismo por parte daqueles que cedem facilmente à primeira fresta aberta para melhorarem a vida e lamberem migalhas de poder. Mas há, a par disso e muito mais que isso, em nome da escola pública, da justiça e da dignidade docente, uma resistência que não pode ser perdida, seja qual for o truque ou a estratégia intimidatória.

Porque falo de lamaçal, não posso deixar sem referência o quadro deprimente (e reincidente) que a Assembleia da República nos proporcionou. Como é público, o CDS fez uma proposta de suspensão da avaliação do desempenho dos professores. No momento da votação, 48 deputados estavam ausentes da assembleia. Destes, 28 pertenciam ao PSD, que também reclamou, aliás como toda a oposição, a mesma suspensão. Dado que 6 deputados do PS votaram favoravelmente a proposta, bastaria a presença de mais 22 votantes da oposição para que o PS sofresse um pesado revés. Esperemos que, quando regressarem de férias, algum dos faltosos não nos diga que não senhor, que tudo foi estrategicamente previsto para não oferecer ao adversário, de bandeja e sem ónus, a solução do conflito. É que a sobrevivência no lamaçal aguça o maquiavelismo.

Professor do ensino superior

(s.castilho@netcabo.pt)

PÚBLICO 10.12.2008

OPINIÃO > Rui Ramos: «Depois deles, o dilúvio»

Rui Ramos *

Para que serve este sistema de ensino? Para diminuir as desigualdades, não. Para fazer crescer a riqueza, também não

Os professores portugueses não se cansam de nos surpreender. Há uns meses, descobrimos que já não estão à altura de impedir um aluno de usar o telemóvel durante a aula. Nas últimas semanas, porém, ei-los na rua a provar que ainda chegam para fazer recuar um governo. A questão é inevitável: que pensar de um sistema de ensino onde os professores têm aparentemente mais força para submeter um ministério do que para manter a disciplina nas salas de aula? Que talvez não sirva para aquilo que deveria servir, mas que serve certamente para outras coisas.
Entre o telemóvel de Março e a greve de Dezembro, o actual sistema de ensino deu-se a conhecer em todo o seu esplendor. Os alunos não respeitam os professores porque sabem que, numa escola que se quer "inclusiva" a todo o custo, nada de sério lhes pode acontecer, por pior que seja o seu comportamento. Os professores, pelo seu lado, não respeitam o ministério porque percebem que o objectivo da actual equipa governamental não é transformar o sistema, mas apenas obter mais com o mesmo - e que portanto lhes basta não preencher as fichas, para tudo parar. O presente regime de ensino faz a fraqueza subir pelo sistema acima: os alunos têm a força que falta aos professores, e os professores a força que falta ao ministério.

Como já toda a gente compreendeu, porque os representantes dos professores fizeram questão de explicar, a questão não é esta avaliação, mas qualquer avaliação, seja qual for o modelo, que tenha como princípio diferenciar os professores. Os líderes da resistência à avaliação têm uma ideia do que deve ser a classe profissional que dizem representar: uma massa igualitária e anónima, onde ninguém se distingue e ninguém é responsabilizado pelo resultado do seu trabalho.

Os alunos abandonam a escola, falham nos exames nacionais e deixam péssima impressão nos testes internacionais? Segundo os delegados da classe docente, nada disso tem a ver com as escolas e os professores, mas com a "sociedade". É uma tese curiosa. O país, através do Estado, gasta o que tem e o que não tem no ensino. E os agentes desse ensino vêm agora confessar, na cara dos contribuintes, sem complexos, que quase não faz diferença: quem tem de aprender, aprende; e quem não tem, não aprende. As estatísticas confirmam: para se garantir êxito escolar, convém ter pais da classe média, viver nas urbanizações do litoral, e frequentar uma escola privada.

Para que serve então esse sistema que, conforme nos prometeram, ia distribuir oportunidades a todos e transformar-nos numa Finlândia com sardinha assada? Para diminuir as desigualdades, não. Para fazer crescer a riqueza, também não. Serve para isto, segundo os porta-vozes dos professores: para ajudar mais de 100.000 portugueses a fazer uma experiência sociológica única - uma vida profissional sem hierarquias, sem obrigação de sucesso, e que seria talvez perfeita, não fossem os alunos e os seus telemóveis.

Durante anos, os licenciados da Europa de leste que empregámos como serventes de pedreiro deveriam ter-nos provado que as credenciais académicas, só por si, não salvam ninguém. Os nossos licenciados, porém, só ultimamente começaram a rimar com desempregados. É que, durante muito tempo, o Estado lá os foi encaixando: a uma parte, aliás, como professores. A classe docente, numerosa e relativamente bem paga, é provavelmente ela própria o principal produto do investimento na educação em Portugal: antigos estudantes dos cursos de apontamentos e fotocópias, que o engenho nacional fez multiplicar, e a quem por via do Orçamento do Estado se deu um lugar à mesa da classe média. Subitamente, eis que os Governos diminuem os lugares e o actual ministério vem com exigências que não constavam do contrato original. A tribo, como é compreensível, saiu à rua para zelar pelas suas prerrogativas ancestrais. O sistema é uma grande pescada de rabo na boca, em que a pescada tentou dar ultimamente uma dentada em si própria.
A intransigência professoral expressa uma grande tentação: a tentação de todos os instalados nos "sistemas" estatais ou protegidos pelo Estado resistirem a quaisquer mudanças, na esperança de que o regime actual aguente, na forma em que o conheceram, pelo menos até ao momento de poderem escapar-se com a devida pensão de reforma. A maioria, na meia-idade, nem precisa de muito tempo. Depois, que venha tudo, até o dilúvio: já hão-de ser as gerações mais jovens a penar. No caso dos professores, ficarão assim vingados dos alunos que agora os atormentam nas aulas. No que não deixará de haver uma certa justiça.

*Historiador

PÚBLICO 10.12.2008


Comentário:

A um Historiador exige-se que exponha as coisas com rigor, não deturpando os factos com a sua visão preconceituosa. Ora neste caso, Rui Ramos faz o contrário daquilo que deveria estar habituado a fazer, procurando fazer umas graçolas com os Professores. A um oficial do mesmo ofício fica muito mal lançar acusações sem o mínimo fundamento! Por acaso o distinto escrevinhador estará a fazer o tirocínio para escriba do mundo cor-de-rosa?... É que se assim não for, não se percebe bem o alcance da sua intenção...

OPINIÃO > «Educação: o futuro à espera»

Nos últimos tempos, infelizmente, temos ouvido em excesso e repetidamente palavras como: escola, professores, alunos, pais, avaliação, estatuto, negociação, suspensão, manifestação, braço-de-ferro, guerra, vigília, sindicatos, plataforma... Podia não ser, mas temo-las ouvido pelas piores razões.

O impasse aconteceu, e a comunidade educativa não pode estar refém de uma situação que não serve nada nem ninguém. Há culpas e virtudes nos vários lados de todos os agentes envolvidos, mas que um pouco de bom senso, discernimento e um cordial diálogo depressa resolverão. Falta um grande debate, alargado, amplo, nacional, sem conceitos pré-estabelecidos sobre o que Portugal pretende para o seu futuro no campo da Educação. O que fazer, como fazer, onde e quando. Com um painel de excelência: Adriano Moreira, Veiga Simão, David Justino, Marçal Grilo, Roberto Carneiro, António Teodoro, Nuno Crato, Júlio Pedrosa, Ana Bettencourt, Fátima Bonifácio, Filomena Mónica, Maria José Rau, Maria Emília Brederode Santos, Isabel Alçada, e tantos outros que poderiam dar preciosos contributos, para que de uma vez por todas a Educação deixasse de ser um problema à mercê de um poder político, de um governo de determinada legislatura, e passasse a ser uma questão de desígnio nacional e de futuro para o nosso país. (...)

Será só um sonho? Não quero acreditar. Parafraseando o prof. Marçal Grilo, o difícil é sentá-los. Vamos a isso!

José Manuel Figueiredo de Albuquerque Pina, Lisboa

Fonte: PÚBLICO

Sócrates cansado de «guerras»

Em noite de confidências entre socialistas, o primeiro-ministro confessou estar cansado da guerra com os professores, mas garantiu estar preparado para enfrentar todas as batalhas, com o conforto da maioria absoluta.

Próximo de um ano de eleições, o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou perante os deputados da bancada socialista estar preparado para todas as batalhas.

A Educação e crise financeira internacional foram os dois temas que marcaram o encontro entre socialistas.

José Sócrates confessou ainda estar cansado de guerras, mas acabou por admitir que com uma maioria absoluta o Partido Socialista não precisa de comprar a paz, contrariamente ao que sucedeu no Governo de Guterres que optou por acabar com os exames no 8.ºano de escolaridade.

O líder da FENPROF, Mário Nogueira, também foi alvo das criticas de José Sócrates que se referiu ao sindicalista de forma irónica como essa grande figura do sindicalismo», e considerou que «não é possível que todos estejam de acordo», referindo-se aos protestos dos docentes.

Com a ausência de Manuel Alegre, foi Teresa Portugal quem interpelou José Sócrates considerando que não é certo que haja professores titulares em número suficiente para garantir avaliadores da mesma área dos avaliados.

Em relação à crise, o primeiro-ministro defendeu o sistema de garantias aos bancos como o tiro mais certeiro dado em Portugal e na União Europeia, para fazer face à crise.

Fonte: TSF

Há opiniões que contam

Os professores: equívocos e fragilidades*
João Barroso

“Quando os ventos de mudança se aproximam nós temos três atitudes possíveis: uns constroem muralhas porque vêem nesses ventos uma ameaça à sua situação; outros constroem moinhos porque vêem nas mudanças o vento que alimenta as pás do moinho e que permite fabricar qualquer coisa; e há sempre aqueles que se limitam a esconder a cabeça na areia. Ora eu acho que nos tempos de hoje os professores têm de fazer as três coisas ao mesmo tempo. Há de facto nestes ventos de mudança ameaças substantivas em relação à sua condição profissional, em relação à sua missão de serviço público, e nesse sentido, portanto, deverão estar atentos e construir essas muralhas defendendo de uma visão excessivamente economicista e excessivamente mercantil a actividade da escola e a sua função de prestador de serviços educativos. E em tudo o que puser em causa esta missão eles deverão construir muralhas. Mas, por outro lado, eles devem construir moinhos porque em muitos desses ventos de mudança há condições objectivas para que os professores sejam sujeitos de uma maneira positiva ao controlo social sobre a escola, sejam obrigados a prestar contas do seu serviço, e sejam por essa via dignificados recuperando um estatuto social que a sua situação de funcionários mesquinhos retirou há já algum tempo. E depois em relação a muitas reformas e das mudanças que só são feitas para que o nome dos ministros fique no diário da república, então eles fazem muito bem em esconder a cabeça na areia porque como se sabe as reformas pretendem mudar a escola mas na maior parte dos casos é a escola que muda as reformas.”

*[in IX Congresso Científico-Pedagógico da AEPEC]

Fonte: OutrÒÓlhar

Maria do Rosário Gama escreve sobre a avaliação do simplex

O memorando de entendimento que, em Abril do corrente ano, foi assinado com a plataforma sindical, onde foram acordadas as condições de aplicação do modelo de avaliação neste primeiro ciclo avaliativo, foi na altura recusado por muitas escolas, entre as quais a Escola Infanta D. Maria que, de certo modo, já anteviam este desfecho. Apesar do Ministério afirmar que foram ouvidos todos os intervenientes e parceiros do sistema educativo, identificou alguns problemas mas não identificou, ou não quis reconhecer, o principal problema: Este modelo de avaliação carece de racionalidade pedagógico-didáctica! O pedido da suspensão do modelo foi feito pelos 120 000 professores no dia 8 de Novembro (já o havia sido feito a 8 de Março), exprimiu-se nas diferentes reuniões do Ministério com os Conselhos Executivos, foi feito por algumas associações de Pais a que se junta agora a CONFAP (“não se pode suspender algo que já está parado!”) foi feito por toda a oposição, pelo Conselho das Escolas, pelo Sindicato dos Inspectores da Educação. Afinal, a auscultação pela equipa ministerial serviu para dizer que nenhum dos que pedem a suspensão estão certos e, “lavando as mãos”, gritam com a voz de “um deus ex-máquina”: vamos simplificar o modelo. Deste modo, a opinião pública afirmará: a Ministra cede, os professores não! Isto é absolutamente falacioso e passamos a explicar porquê.
Embora as diferentes medidas, isoladamente sejam razoáveis e susceptíveis de serem aceites pela opinião pública como um avanço no sentido de resolver o impasse, de facto, A SIMPLIFICAÇÃO NÃO O RESOLVE.

(…)

Sócrates deleita-se com a avaliação dos Professores...

E não há deputados de substituição?

Cartoon de Antero Valério