Este é um espaço onde poderei dar conta das minhas reflexões, alegrias, inquietações e também das minhas indignações. Deixo claro que não hipotequei a minha liberdade a nenhum partido político. Tal como escreveu o ilustre escritor Miguel Torga, meu comprovinciano, «Não posso ter outro partido senão o da liberdade»...
O título pode ser um bom critério de avaliação: para quem é benéfica a mudança introduzida num qualquer sistema? Apliquemos a pergunta à decretada avaliação de professores.
É benéfica para os alunos? É benéfica para os professores ou para os pais? É benéfica para a administração educativa? É benéfica para a sociedade? Para o próprio ME?
Sem precisar de grandes demonstrações, creio que a resposta é negativa em todas estas perguntas.
Então, impõe-se a pergunta: se todos estão a perder, a quem interessa a reforma? Ao partido socialista e aos seus interesses eleitorais?
Os Presidentes dos Conselhos Executivos das escolas deste País receberam mensagens intimidatórias provenientes da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação, sublinhando que estão em vigor os Decretos Regulamentares n.º 2/ 2008 e 11/2008, nos quais «se baseiam as alterações aos despachos recentemente enviados a todas as escolas».
Extracto da entrevista de Luís Campos e Cunha, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Lisboa, publicada por Ensino Magazine
A contestação à política educativa está na rua. Entende a reacção da corporação dos professores como natural face a uma reforma profunda ou vê legitimidade nos protestos?
O que está em causa, neste momento, é a avaliação dos professores. Trata-se, em si, de um bom objectivo, mas tem sido levado à prática de forma muito pesada, burocrática, desviando os docentes da sua actividade fundamental. O ideal seria escolher dois ou três indicadores mais simples, fáceis de identificar e medir, que retiraria muito dos temores que existem sobre este processo. Por exemplo, no primeiro ano, avaliar apenas as faltas dos professores. Se o docente nunca faltasse durante um período inteiro, seria premiado. A meu ver seria um modo objectivo de responsabilizar os professores. Logo, penso que seria aconselhável introduzir um sistema de avaliação de forma faseada e com escolas piloto.
Pensa que isso iria pacificar o sector?
Repare que hoje a maior parte das universidades já faz essa avaliação. O que acontece é que a novidade cria sempre alguma incerteza e há sempre alguma reacção conservadora. A Faculdade de Economia da Universidade Nova introduziu nos anos 70 o sistema de avaliação dos professores pelos alunos (bem sei que isso não pode ser feito no secundário), o que naquela altura foi considerado algo impensável. Houve protestos noutras faculdades contra uma avaliação desta natureza, tendo sido apelidada, à época, de contra-natura. Hoje é comum.
Referiu em artigos publicados que a educação pré-universitária é a que revela mais carências. Qual é o motivo?
É mais grave porque é uma área em que existem recursos. Se os resultados não surgem, é porque o sistema está mal gerido. A avaliação dos professores é uma peça para a resolução do problema, que é bem mais vasto, a começar pela forma como é visto o papel da escola na comunidade. Ainda hoje estava a ler uma entrevista de um especialista que se dedica ao ensino da matemática no secundário que diz que esta disciplina não tem que ser divertida, mas sim compreendida. A matemática aprende-se com papel e lápis e um bom livro escolar ao lado.
O sociólogo António Barreto escreveu sobre os exames de matemática que «se dantes era necessário estudar as causas dos maus resultados, agora deve estudar-se as causas do milagre». Concorda?
Os exames não são comparáveis de um ano para o outro por não serem bem feitos. Essa é uma das falhas graves e não é preciso inventar a roda: é preciso ter bons técnicos a apoiar quem elabora as provas de exame para que estas sejam comparáveis. E isso é possível, é só querer.
Este Governo preocupa-se em demasia com a estatística?
Por exemplo, fico espantado quando o Conselho Nacional de Educação vota por unanimidade que acabar com as reprovações até ao 9.º ano é um objectivo. Não consigo perceber como é que os pais, representados no Conselho Nacional, aceitam que os filhos frequentem uma escola onde não se chumba. Confesso que se no meu tempo não houvesse chumbos, quando eu tinha 14/15 anos, eu não teria estudado o que estudei. Medidas como esta vão tornar o ensino ainda mais laxista e menos rigoroso. Com estes sinais, as crianças vão pensar que a vida não é exigente, quando a educação é precisamente preparar para a vida. Entre momentos de aprendizagem e avaliação há momentos de trabalho, premiando quem merece e reprovando quem não sabe. As aulas são espaços de trabalho, não de lazer. Para isso, temos o recreio.
Em 46 anos tivemos 29 ministros da Educação. Apenas Maria de Lurdes Rodrigues, Marçal Grilo e Roberto Carneiro ficaram, depois do 25 Abril, mais de 4 anos no Ministério da “5 de Outubro”. A lógica é «cada cabeça sua sentença»?
Não dá estabilidade e demonstra o quão grave é o estado do sistema. O sistema educativo que está em vigor, há anos demais, é uma visão muito propalada pelas escolas de educação, que são parte do problema e não da solução. As escolas de educação têm transmitido ideias erradas: o laxismo, a ideia de que os alunos não podem reprovar, que a sala de aula é um espaço de lazer, que se aprende brincando... É um erro crasso. A escola é a imitação da vida e a vida também é trabalho, rigor e esforço. Há muito tempo que as escolas de educação dominam o Ministério da Educação, os comentadores dos assuntos de educação e, mais recentemente, estão a tomar conta dos professores, porque começam a ser maioritários os docentes que acedem ao ensino secundário oriundos das escolas de educação.
O Ministério da Educação (ME) convocou as 11 organizações da plataforma sindical dos professores para uma reunião a realizar amanhã, antecipando assim o encontro agendado para dia 15.
Em comunicado, o ME explica que a desconvocação das greves regionais, inicialmente previstas para esta semana, permite que a reunião se realize mais cedo e que os sindicatos apresentem desde já “as suas propostas sobre o processo de avaliação de desempenho em curso”.
O encontro está marcado para a tarde, nas instalações do Conselho Nacional de Educação, em Lisboa. Foi também aí que, em Abril, e depois de uma maratona negocial de dezenas de horas, a plataforma sindical e o ME chegaram a um entendimento sobre a simplificação do processo de avaliação para o ano lectivo anterior.
Ninguém emenda um erro que não reconhece. Quem acha que tudo vai bem só corrige o mal demasiado tarde. A recente crise financeira mostra muitos casos destes. Em Portugal, onde vários sectores se reconhecem em graves dificuldades, há um que se julga em sucesso. Por isso é esse que tem realmente problemas graves. Não por serem grandes, mas por não serem assumidos.
Hoje o jornalismo reina soberano. Faz e desfaz poderes, promove e derruba personalidades, decreta juízos, recebe vassalagem de todos os interesses. Para um sector que ainda há anos passou por turbulências sérias, dificilmente se imaginaria situação mais vantajosa. Precisamente por isso, o jornalismo português vive um dos momentos mais perigosos da sua história.
A nossa imprensa traz pouca informação. Muita análise, intriga, provocação, boato, emoção, combate, mas pouca informação. O público não quer jornalismo, quer entretenimento. Para ter sucesso o repórter precisa de ter graça, ser espirituoso, ver o aspecto insólito. Assume uma atitude de suposta cumplicidade com o leitor, ouvinte ou espectador desmontando para gáudio mútuo o ridículo que achou que devia reportar. Antecipa no relato o que assume ser o veredicto popular, condenando ou absolvendo aqueles que devia apenas retratar.
Apesar do quase silêncio de alguma comunicação social de referência, a greve dos professores de 3 de Dezembro teve uma adesão elevadíssima. Porém, alguns Conselhos Executivos e auxiliares de acção educativa mantiveram muitas das escolas em funcionamento, "abertas".
Ora um departamento governamental que, a meio de uma greve com esta dimensão, divulga lhanamente que há muitas escolas abertas, só pode estar a gozar, ou a meter a cabeça na areia, à laia da avestruz. Ou então quem manda já não está tem condições para o decente exercício do poder.
Se foi verdade que a ministra da Educação tinha pressionado os Conselhos Executivos para manterem as escolas abertas, impõe-se uma conclusão: as escolas não precisam de professores; precisam apenas de Conselhos Executivos para mandar nos funcionários, funcionários para abrir ou fechar os portões e para manter a cantina a funcionar e burocratas para inflacionar as notas; e, sem professores, a escola pode finalmente desempenhar um seu diminuto papel social - manter os miúdos ocupados num local seguro, enquanto os pais vão trabalhar. Há quem sugira que os professores podem estar de greve, mas existem sempre os livros, os computadores, os recreios... Os professores até estão reduzidos, algumas das vezes, a catalogadores das competências dos estudantes ou a dinamizadores do saber! E a escola como palco privilegiado de educação, formação, qualificação, cultura... vai sendo remetida para as calendas. (...)
Como pode um pai ou mãe responsável deixar o filho na escola sabendo que não há aulas?(...) Estão seguros na escola? Pode dizer-se que em dias normais os alunos estão tão seguros na escola como o estariam em casa. Em dia de greve de professores e/ou de funcionários, não, com certeza, já que não se sabe se vem a próxima aula ou a refeição, se pode o aluno entregar-se à próxima actividade lúdica. É a incerteza, a confusão. Mais seguros estão quando temos os alunos, professores e funcionários motivados, mobilizados e satisfeitos. Talvez não haja dias ideais, mas a batalha de todos os dias pela educação da infância, adolescência e juventude merece que se repense a escola, de modo que ela seja verdadeira oficina dos saberes e dos afectos e promotora da cultura humanística. É necessário que a escola disponha de tempos de aula e de tempos de apoio. (...)
Vários sistemas educativos da Europa (há quem diga "todos") dispõem de um número equânime de professores com turmas e sem turmas. Compete aos professores sem turmas atribuídas, o trabalho individual ou em pequeno grupo com alunos que exponham dúvidas ou revelem dificuldades quer habituais quer episódicas. Em Portugal, isso, se existisse, seria um luxo a suprimir após a primeira curva da estrada do sistema. Preferimos a sobrecarga da classe docente sacrificada e pacífica!
Repense-se quanto antes, em debate público e franco, a função da escola. Não venha a suceder que, se, por azar da vida ou da organização social, económica e política, os pais não tiverem trabalho, haja a tentação de os meterem nas escolas, a frequentar a cantina e usar um Magalhães fornecido pela Cosa Nostra do Governo que temos ou viermos a ter.
Já agora, a talho de foice, quando é que podemos deixar de avaliar o Governo só através de uma cruzinha? Se o modelo que pretendem impor aos professores, é tão positivo, porque não entregar, no acto eleitoral, uma meia dúzia de fichas a cada eleitor para que todos e cada um se pronunciassem sobre aqueles campos todos, fazendo contas e ditando o veredicto final ministro a ministro, deputado a deputado? Os que não se dessem a esse trabalho, seriam objecto de processo disciplinar; os que não se sujeitassem a essa avaliação, não progrediriam na carreira.
Na última edição da revista Opinião Socialista escreveu um artigo em que salienta que a escola não funciona para dar programas mas sim para assegurar as aprendizagens. Não funciona de modo burocrático e centralizado mas sim com autonomia e com flexibilidade. Não vive esmagada por tarefas administrativas mas centra-se nos alunos… Foi esta a escola que deixou quando, em 2001, saiu do Governo?
Não. Mas era a escola que procurava construir com os professores, com os pais, com os autarcas… Estou absolutamente convicta de que a mudança da escola é muito lenta, mas estávamos na direcção certa. Caminho que foi brutalmente interrompido por um Governo PSD, que empobreceu e tirou sentido às áreas não disciplinares e que atacou e maltratou a situação dos professores e das escolas - com uma problemática colocação dos professores. Depois de todos estes incidentes, seguiu-se um Governo de maioria absoluta do PS, que tem vindo a desenvolver uma política educativa da qual eu discordo em absoluto e que considero ser o maior ataque à escola pública - que eu nunca esperei que viesse do PS.
“Maior ataque à escola pública” em que sentido?
No sentido da centralização e de afrontar os professores, que são os primeiros parceiros na melhoria da qualidade do ensino.Este Governo tem humilhado os professores de uma maneira inacreditável, considerando que são uma corporação e não cidadãos organizados. O Governo impôs uma série de medidas, tanto no estatuto da carreira docente, na direcção das escolas ou no ensino especial, que não são feitas com a comunidade educativa mas contra. O próprio estatuto dos professores, com a questão das quotas, é completamente absurdo. Todos gostaríamos que todos os professores fossem muito bons. Dizer que numa escola só pode haver dois professores excelentes e três muito bons não é uma questão de avaliação mas sim de classificação.
[Extracto de uma entrevista de Ana Benavente, ex-secretária de Estado da Educação, ao jornal SEMANÁRIO]
Em Inglaterra, os ideólogos do sistema educativo defendem que no ensino primário é mais importante ensinar a tecnologia do que os conteúdos tradicionais, propondo uma reformulação dos currículos, informa o jornal de THE TIMES.
Há muito que não saía à rua, ele que foi um homem de acção. Com o lápis, pensou o amor, o sexo, a morte e Deus. Morreu, ontem, em Lisboa. Contava 81 anos
Primeiro a voz, a de um sedutor. Tom baixo, cadenciado, irónico o riso. Depois, o passo, lento, a descobrir o chão. Chamava-se Alçada Baptista e morreu, ontem, ao princípio da tarde, em Lisboa. Tinha 81 anos e viveu em permanente indagação: o amor, o erotismo, Deus e a morte percorreram-lhe a obra, tardia. Disse, um dia: "Viver é a minha razão de escrever."
«Amanhã há-de ser outro dia» diz Chico Buarque de Holanda na sua canção «Apesar de você». A canção surge aqui acompanhada de fotos das manifestações dos Professores, sendo um incentivo para que a vontade de lutar não esmoreça. Enquanto tais pessoas estiverem no Governo da Nação, nenhum Professor poderá sentir-se feliz. E nenhuma atitude desta gente poderá fazer regressar a alegria que roubaram aos docentes deste País!...
Enquanto em Portugal os Professores são maltratados e desconsiderados por aqueles que deveriam dar um exemplo de respeito por uma classe que desempenha uma das funções mais nobres (ensinar), a Junta de Extremadura, deu um belo exemplo de respeito pela respectiva classe docente, ao patrocinar nos meios de comunicação de massas um campanha a favor desta classe profissional, sendo sublinhado o seguinte: "La Educación lo es todo, y es entre todos".
O Português do Manchester United levou a melhor na votação organizada pela revista France Football. Ficou muito à frente de Messi e Torres. Um triunfo largamente merecido, tendo em vista a sua época excepcional.
Os prémios Nobel são tradicionalmente entregues a 10 de Dezembro, data de aniversário da morte de Alfred Nobel, mas, segundo o mesmo ritual, Jean-Marie Le Clézio, prémio Nobel da Literatura 2008, proferiu o seu discurso perante a Academia Sueca, na sala grande do Palácio dos concertos, neste domingo ao fim da tarde em Estocolmo.