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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Luísa Dacosta recebe Prémio Vergílio Ferreira

A Universidade de Évora decidiu distinguir, na 14.ª edição do Prémio Vergílio Ferreira, a escritora Luísa Dacosta. A decisão, tomada por unanimidade, é explicada pelo presidente do júri, José Alberto Machado como sendo “uma grande autora que se notabilizou na literatura infantil, mas também ao nível das crónicas e das autobiografias”.

O professor universitário adiantou “ser esta uma forma de corrigir a ideia de que escreve apenas para o público infantil, chamando-se deste modo a atenção para as suas valias como cronista e diarista”. Foi esta dimensão alargada da sua obra que o júri quis sublinhar.

José Alberto Machado avançou que o prémio será entregue, em cerimónia pública, como é habitual, na Sala dos Actos, no próximo dia 1 de Março, dia em que se assinala o aniversário da morte de Vergílio Ferreira.

Luísa Dacosta nasceu em Vila Real, em 1927, foi professora do ensino oficial, tendo iniciado a sua vida literária em 1995 com a publicação de um livro de contos intitulado “Província”. Publicou mais de três dezenas de livros e vive actualmente no Porto.

O presidente do júri recordou que este galardão foi instituído em 1997 com o objectivo de distinguir, anualmente, escritores da língua portuguesa.

Fonte: PÚBLICO

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

«Fúria Divina» foi o livro mais vendido em 2009

O romance Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos, com a chancela pela Gradiva, foi o livro mais vendido em Portugal em 2009.

Editado em finais de Outubro do ano passado, Fúria Divina conta actualmente com uma tiragem de 160 000 exemplares, terminando o ano na 1ª posição da lista dos livros mais vendidos de 2009, em Portugal.

Fúria Divina é o terceiro romance de José Rodrigues dos Santos que se torna o livro mais vendido do ano em Portugal, depois de proeza idêntica ter sido alcançada por A Fórmula de Deus (2006) e A Vida Num Sopro (2008). É também a primeira vez que um romance de um autor português ultrapassa o número de vendas de um romance de Dan Brown.

O romance Fúria Divina, que incide sobre o fundamentalismo islâmico e foi revisto por um dos fundadores da Al-Qaeda, foi já publicado em Itália e tem os direitos a ser neste momento negociados para vários outros países.

O jornal italiano Il Messaggero publicou no passado sábado uma crítica a este novo romance do autor, referindo que “José Rodrigues dos Santos, hábil narrador, reproduz com realismo palpitante as causas e os efeitos do radicalismo islâmico” e que o romance é “escrito com tal mestria que chega a parecer uma apaixonante reportagem jornalística.”

A página do Il Messaggero pode ser lida na íntegra na Internet aqui .

A obra Fúria Divina foi recentemente galardoada com o Prémio Clube Literário do Porto 2009.

Fonte: Gradiva

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

«Medi-vos, e logo vereis quão pouco fundamento tendes de blasonar, nem roncar»

(…)

Descendo ao particular, direi agora, peixes, o que tenho contra alguns de vós. E começando aqui pela nossa costa: no mesmo dia em que cheguei a ela, ouvindo os roncadores e vendo o seu tamanho, tanto me moveram o riso como a ira. E possível que sendo vós uns peixinhos tão pequenos, haveis de ser as roncas do mar?! Se, com uma linha de coser e um alfinete torcido, vos pode pescar um aleijado, porque haveis de roncar tanto? Mas por isso mesmo roncais. Dizei-me: o espadarte porque não ronca? Porque, ordinariamente, quem tem muita espada, tem pouca língua. Isto não é regra geral; mas é regra geral que Deus não quer roncadores e que tem particular cuidado de abater e humilhar aos que muito roncam. S. Pedro, a quem muito bem conheceram vossos antepassados, tinha tão boa espada, que ele só avançou contra um exército inteiro de soldados romanos; e se Cristo lha não mandara meter na bainha, eu vos prometo que havia de cortar mais orelhas que a de Malco. Contudo, que lhe sucedeu naquela mesma noite? Tinha roncado e barbateado Pedro que, se todos fraqueassem, só ele havia de ser constante até morrer, se fosse necessário; e foi tanto pelo contrário, que só ele fraqueou mais que todos, e bastou a voz de uma mulher- zinha para o fazer tremer e negar. Antes disso já tinha fraqueado na mesma hora em que prometeu tanto de si. Disse-lhe Cristo no horto que vigiasse, e vindo de aí a pouco a ver se o fazia, achou-o dormindo com tal descuido, que não só o acordou do sono, senão também do que tinha blasonado: Sic non potuisti una hora vigilare mecum? Vós, Pedro, sois o valente que havíeis de morrer por mim, «e não pudestes uma hora vigiar comigo»? Pouco há, tanto roncar, e agora tanto dormir? Mas assim sucedeu. O muito roncar antes da ocasião, é sinal de dormir nela. Pois que vos parece, irmãos roncadores? Se isto sucedeu ao maior pescador, que pode acontecer ao menor peixe? Medi-vos, e logo vereis quão pouco fundamento tendes de blasonar, nem roncar.

Se as baleias roncaram, tinha mais desculpa a sua arrogância na sua grandeza. Mas ainda nas mesmas baleias não seria essa arrogância segura. O que é a baleia entre os peixes, era o gigante Golias entre os homens. Se o rio Jordão e o mar de Tiberíades têm comunicação com o Oceano, como devem ter, pois dele manam todos, bem deveis de saber que este gigante era a ronca dos Filisteus. Quarenta dias contínuos esteve armado no campo, desafiando a todos os arraiais de Israel, sem haver quem se lhe atrevesse; e no cabo, que fim teve toda aquela arrogância? Bastou um pastorzinho com um cajado e uma funda, para dar com ele em terra. Os arrogantes e soberbos tomam-se com Deus; e quem se toma com Deus, sempre fica debaixo. Assim que, amigos roncadores, o verdadeiro conselho é calar e imitar a Santo António. Duas cousas há nos homens, que os costumam fazer roncadores, porque ambas incham: o saber e o poder. Caifaz roncava de saber: Vos nescitis quidquam. Pilatos roncava de poder: Nescis quia potestatem habeo? E ambos contra Cristo. Mas o fiel servo de Cristo, António, tendo tanto saber, como já vos disse, e tanto poder, como vós mesmos experimentastes, ninguém houve jamais que o ouvisse falar em saber ou poder, quanto mais blasonar disso. E porque tanto calou, por isso deu tamanho brado. (…)

Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes

terça-feira, 12 de agosto de 2008

'Retrato' de Agustina - "Dicionário Imperfeito"





O editor de sempre da escritora Agustina Bessa-Luís deu recentemente à estampa uma nova obra sobre esta prolífica escritora, que começou a sua carreira literária com Mundo Fechado (1948) e publicou regularmente até 1997, ano em que foi publicada a obra Um Cão que Sonha. A autora de A Sibila recebe, assim, uma espécie de homenagem com a publicação desta obra – Dicionário Imperfeito –, na qual são compiladas opiniões/ reflexões da escritora sobre os mais variados assuntos.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Mia Couto continua um escritor muito imaginativo

Acabei de ler ontem a obra mais recente de Mia Couto. Confesso que fiquei maravilhado com esta narrativa. Tudo anda à volta da mentira, que as personagens encaram como realidade. Aqui deixo um pouco desta narrativa. Mas o melhor mesmo é lê-la. Não é nenhuma perda de tempo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Vale a pena ler este livro de Mia Couto

Comecei a ler o livro mais recente de Mia Couto, intitulado Venenos de Deus Remédios do Diabo. Já li seis dos dezoito capítulos da referida obra e estou com muita vontade de continuar, pois a narrativa já me conseguiu cativar. Além de ser um livro bem escrito, possui uma linguagem que dá gosto ler, sem nunca se tornar maçador.