segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Opinião > José Manuel Fernandes: «Ensino público, escolas privadas e justiça social»

José Manuel Fernandes, Director do jornal PÚBLICO assina hoje o Editorial, no qual tece fortes críticas aos responsáveis pela Educação em Portugal.


O problema da escola pública não está nos rankings: está nas políticas do ministério, na falta de autonomia das escolas e nos limites à liberdade de escolha dos pais. Mas até a forma kafkiana como se está a impor a avaliação dos professores está a contribuir para a sua degradação

Como ontem escrevia António Barreto neste jornal, "a publicação de todos os resultados nacionais, seguida da elaboração dos rankings respectivos, transformou-se num hábito, em breve será uma tradição". E o suplemento que hoje editamos, onde à análise dos resultados juntámos testemunhos, opiniões e reportagens, comprova que, devidamente trabalhado, este exercício de transparência lança luz sobre o nosso sistema de ensino, ajuda as escolas e os professores, é apreciado por pais e alunos, estimula as autarquias a terem um papel mais activo e impede o ministério e o poder político do momento de manipular grosseiramente os resultados (mas infelizmente não o tem levado a apoiar mais, como devia, as escolas que mostram mais debilidades).
Mais: ao contrário do que muitos defendem, estas listagens podem ser um instrumento de justiça social. Só é necessário que sirvam para nivelar por cima, não para nivelar por baixo.

O princípio básico da justiça social é que todos nascem iguais - não é que todos são iguais. O que a justiça social procura é garantir que, mesmo tendo nascido em ambientes sociais diferentes, ninguém que tenha talento, que seja trabalhador, que procure ser melhor fique para trás apenas porque nasceu no bairro errado, ou no concelho errado. O que o serviço público de educação visa garantir é que os que mais podem contribuir para a sociedade - como cientistas ou como empresários - não são excluídos. Ou seja, que todos beneficiam das mesmas oportunidades. Uns saberão aproveitá-las, outros não, mas isso faz parte da natureza das coisas. Deste princípio decorre que o sistema de ensino ou as políticas públicas de educação devem garantir que ninguém fica de fora e, ao mesmo tempo, que os melhores podem progredir até ao limite das suas capacidades.

Isto significa que o sistema deve ser igualitário no acesso mas discriminante no sucesso. Exactamente o contrário do que tem sucedido com o nosso sistema de ensino.

Ao contrário do que disse sexta-feira a ministra da Educação, os rankings não resultam de nenhuma "conspiração" contra a escola pública, mesmo revelando que no topo das tabelas surgem sobretudo escolas privadas. O que os rankings mostram, e muitas das respostas aos inquéritos que enviámos a dezenas de escolas confirmam, é que nas escolas privadas há uma flexibilidade de gestão que não existe nas públicas. De uma forma geral, nestas os resultados obtidos pelos estudantes são melhores não porque escolham os alunos (quem se pode dar a esse luxo?), mas porque os pais que podem tendem a preferir as escolas privadas. Porquê? Porque não confiam nas públicas, não em todas, mas em bastantes. Neste caso "poder" significa "poder pagar", e ao permitir que se estabeleça esta diferenciação entre as escolas públicas e as privadas o ministério está a negar a igualdade de oportunidades. Pior: está a agravar as desigualdades.

Ora é necessário perceber por que motivos muitas escolas públicas têm perdido qualidade - e, provavelmente, ainda vão perder mais qualidade. A primeira de todas as respostas está na falta de real autonomia dessas escolas, uma autonomia que as liberte da burocracia imposta de cima para baixo pelo Ministério da Educação e, em contrapartida, as ligue mais às comunidades locais, às autarquias, aos que devem integrar a comunidade educativa.
Não é isso que tem sucedido: a regra é o ministério multiplicar normas e acrescentar trabalhos burocráticos, estabelecendo critérios cegos às realidades locais. Um exemplo acabado disso é o kafkiano processo de avaliação dos professores que está mal não por existir - todos os trabalhadores devem ser avaliados - mas por ter sido construído de forma absurda. Uma das reportagens que realizámos para esta edição apanhou um caso exemplar, o da professora Ana Paula Costa da EB 2,3 e Secundária Pascoal José de Mello, em Ansião. Ela ensina Matemática e conseguiu que os seus 29 alunos alcançassem uma média que os colocou em 10.º lugar a nível nacional. Isto quando a escola, nas oito disciplinas consideradas no nosso ranking, ficou em 362.º lugar. Devia estar orgulhosa, mas, como disse ao PÚBLICO, "'não, não é o orgulho' que lhe faz tremer as mãos, mas a amargura: 'É incrível, mas se o modelo de avaliação do desempenho estivesse em vigor no ano passado, o sucesso dos meus alunos faria com que eu não passasse do 'suficiente'...'"
Incrível de facto. Mas bem possível para quem há anos denuncia o autismo do ministério e, no que toca ao processo de avaliação, critica a arrogância e autoritarismo napoleónico da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
Inutilmente, pois a actual titular da pasta vê números, não vê pessoas nem vê escolas. E, ao seguir cega e surda, mas pouco muda, ignora uma outra realidade detectada pelos jornalistas do PÚBLICO: a deserção de muitos dos melhores professores, pelo menos dos que podem ir para a reforma com um prejuízo mínimo. O que traz instabilidade às escolas, o que degrada a sua qualidade, mas o que também poupa dinheiro. E, por vezes, até agrava as desigualdades já existentes, pois alguns dos bons que desertam são depois acolhidos no ensino privado.

Divulgar os rankings é uma conspiração contra a escola pública? Talvez seja melhor procurar os culpados lá para os lados da Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, onde fica a sede do ministério...

Algumas questões jurídicas que podem ajudar a paralisar o processo de Avaliação do Desempenho dos Docentes

O blogue PROFAVALIAÇÃO publicou algumas questões jurídicas que podem ajudar a paralisar o processo de Avaliação do Desempenho dos Docentes.

Professores da Escola Secundária de Barcelos decidem não entregar objectivos individuais

Os Professores da Escola Secundária de Barcelos reuniram-se em plenário hoje ,reafirmaram a sua discordância em relação ao novo sistema de Avaliação do Desempenho dos Docentes e aprovaram a moção que se segue.

Moção

Os professores da Escola Secundária de Barcelos, reunidos em plenário no dia 3 de Novembro, reiteram o seu total desacordo com os princípios que norteiam a Avaliação do Desempenho Docente proposto pelo Ministério da Educação. Discutiram e votaram a moção que se segue:

Decidiram,

1. Não apresentar os objectivos individuais, previstos no Decreto-Lei 2/2008,

2. Rejeitar a sujeição à avaliação do desempenho docente nos moldes em que está estruturada,

3. Exigir a renegociação do Decreto Regulamentar 2/2008, bem como o Decreto-Lei 15-2007 que lhe dá suporte legal,

4. Propor aos Departamentos que reúnam para assumirem uma posição consentânea em relação à avaliação do desempenho docente.

Nos termos e com os fundamentos seguintes:

1. a excessiva carga burocrática, que o processo de avaliação acarreta, está a prejudicar gravemente o normal funcionamento da actividade lectiva, com a agravante de se estar ainda numa fase inicial;

2. a flagrante desmotivação que todo este processo tem provocado nos professores, desde a desvalorização socioprofissional até uma avaliação de desempenho injusta, parcial, burocrática, inexequível e que não contribui em nada para a melhoria da aprendizagem dos alunos, tem tornado o trabalho na escola insuportável;

3. todo este processo põe em causa, inclusive, os deveres gerais da profissão previstos no artigo 10.º do respectivo Estatuto, nomeadamente, os deveres do rigor, da isenção, da justiça e da equidade, nomeadamente, os deveres de exercício da sua função por critérios de qualidade, nomeadamente, o dever de cooperação;

4. a avaliação do desempenho está orientada para a melhoria estatística dos resultados dos alunos, promovendo eventuais resultados artificiais porque inflacionados, promovendo o facilitismo, despromovendo o rigor e a exigência;

5. este modelo de avaliação promove e incentiva a competição desmedida entre colegas de profissão, inviabilizando o trabalho cooperativo, absolutamente necessário para um exercício de funções com qualidade;

6. a promoção, com os prejuízos supracitados, da divisão entre avaliados e avaliadores, titulares e não titulares, sem qualquer critério de exigência aceitável, apenas pelo exercício de cargos administrativos;

7. o próprio Ministério não dá resposta adequada às recomendações do Conselho Científico para Avaliação dos Professores, mantendo em vigor fichas de avaliação absolutamente desadequadas;

8. o Ministério não dá resposta à questão ética e legal de nesta escola, bem como em muitas outras, não ser possível cumprir o disposto no Decreto Regulamentar n.º 2/2008 de 10 de Janeiro, que determina que a avaliação pondere "o envolvimento e a qualidade científico-pedagógica do docente."

Assim, os signatários renovam a proposta de suspensão de todas as iniciativas e actividades relacionadas com o processo de avaliação em curso, certos de que, desta forma, contribuem para a melhoria do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos alunos e da qualidade do serviço público de educação.

São subscritores deste documento,

(Já assinaram mais de 80 professores)

Razões para uma 'viagem' à capital...

Sindicatos esperam pelo menos 50 mil Professores em Lisboa

A Plataforma Sindical de Professores espera pelo menos 50 mil docentes na manifestação do próximo sábado, em Lisboa, mas admite que o número possa aumentar durante a semana por isso está a equacionar mudar o local do protesto.

Jean-Louis Fournier e Sandro Veronesi vencem «Femina»

O escritor italiano Sandro Veronesi foi hoje distinguido com o Femina de romance estrangeiro pelo livro Caos Calmo, lançado este ano em Portugal (ASA). Na categoria de autores franceses, o prémio será entregue a Jean-Louis Fournier pelo romance Où on va papa?.

José Riço Direitinho escreveu sobre Caos Calmo na edição de Setembro da revista LER.

Pietro Paladini, o personagem principal deste excepcional romance de Sandro Veronesi (n. 1959, Florença), tem 43 anos e é director de um canal privado de televisão em Milão. Num dos últimos dias das férias estivais salva uma desconhecida de morrer afogada. Atónito por não ter ouvido nenhuma palavra de agradecimento, Pietro encaminha-se para casa. Ao chegar, Lara, a mulher com quem, após anos de coabitação, iria finalmente casar daí a dias, acabara de morrer. Depois deste começo agitado, e perturbante pela simultaneidade dos acontecimentos e pelas descrições vívidas, Sandro Veronesi entra verdadeiramente na «ideia» que o romance encerra; e o feliz oxímoro que o titula, «caos calmo», pode resumir todo um catálogo de preocupações e de fantasmas do ser contemporâneo. E fá-lo, de facto.
Pietro e a filha, Claudia, dias depois do funeral de Lara, que se realiza no mesmo dia para o qual o casamento estivera marcado, tentam retomar as suas vidas quotidianas. Estranhamente (esta estranheza mantém-se até ao final do livro), a morte parece não os ter afectado. Mas Pietro sabe que isto «não é normal», que a «cacetada» que os deitará abaixo poderá vir quando menos a esperarem. E, por precaução, decide deixar-se ficar durante esse dia diante da escola, dentro do carro, ouvindo Radiohead («we are accidents waiting to happen») ou dando uns passos por ali, para que quando a «cacetada» chegar não o encontre entre faxes e reuniões. No dia seguinte faz o mesmo, e no outro e no outro. O que começou como uma precaução torna-se num hábito que durará até ao dia em que a filha o «obriga» a descobrir o valor da sinceridade.
Sandro Veronesi – que com este romance, premiado com o Strega 2006 e com o Mediterranée 2008, se tornou provavelmente no mais importante autor italiano da sua geração – consegue manter a delicada estrutura que lhe permite reflectir intensamente sobre temas como a morte, sofrimento, amor, fidelidade e loucura. O caos calmo que subjaz toda uma sociedade vai desfilando diante do leitor à medida que vários personagens (o patrão de Pietro, o irmão, a cunhada, etc.) o vão visitando diante da escola, não para lhe expressarem as suas condolências mas para lhe confessarem as suas inseguranças e frustrações; o carro transforma-se assim numa espécie de divã e de confessionário da nossa contemporaneidade.
Com registos como o e-mail, a prosa erótica «dura», o monólogo e o diálogo, Caos Calmo é um magnífico retrato geracional e um dos melhores romances por cá publicados este ano.

Sandro Veronesi, Caos Calmo. Traduzido do italiano por Regina Valente. ASA, 396 páginas.

OPINIÃO > José Saramago: «Quando for crescido quero ser como Rita»

Esta Rita a quem quero parecer-me quando for crescido é Rita Levi-Montalcini, ganhadora do Prémio Nobel de Medicina em 1984 pelas suas investigações sobre o desenvolvimento das células neurológicas. Ora, Prémio Nobel é coisa que já tenho, logo não seria por ambição dessa grande ou pequena glória, as opiniões dos entendidos divergem, que estou disposto a deixar de ser quem tenho sido para tornar-me em Rita. De mais a mais estando eu numa idade em que qualquer mudança, mesmo quando prometedora, sempre se nos afigura um sacrifício das rotinas em que, mais ou menos, acabámos por nos acomodar. (...)

FONTE: O Caderno de Saramago

Parecer jurídico sobre consequências da não entrega dos objectivos individuais

O blogue PROFAVALIAÇÃO publicou um parecer jurídico solicitado a um jurista especialista em direito administrativo. Tudo parece indicar que a única sanção para quem não quiser entregar os objectivos individuais é a não progressão na carreira.

Professores do 1.º Ciclo 'nomeados' agentes de vendas do 'Magalhães'

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação criticou a atribuição pelo Ministério da Educação de "tarefas burocráticas e administrativas" aos professores do primeiro ciclo relacionadas com o computador Magalhães, garantindo ter já recebido "centenas de queixas" de docentes.

Segundo Lucinda Manuela, dirigente da FNE, os professores do 1.º ciclo estão a receber orientações da tutela, através de um "guião", para serem os próprios a fornecer os documentos de adesão do computador, validando posteriormente as fichas e os termos de responsabilidade e tratando inclusive de receber e entregar aos encarregados de educação as facturas das operadoras.

FONTE: Jornal de Notícias

domingo, 2 de novembro de 2008

«Mais punitivo do que este sistema não há»

Docentes insatisfeitos com as mudanças no processo de avaliação garantem que "a face humanizada da escola está a ficar completamente destruída". A indignação está à flor da pele.

Indignação. Descontentamento. Uma tristeza que não passa. A insatisfação na área da Educação pode ser contada através de números. A 8 de Março deste ano, cerca de 100 mil professores juntaram-se e percorreram algumas ruas de Lisboa. Há mais uma manifestação marcada para 8 de Novembro na capital e possivelmente acontecerá uma outra no dia 15 do mesmo mês. A mesma insatisfação também é contada através de sentimentos. O EDUCARE.PT falou com alguns docentes e constatou que a dor é grande. O pulso já não bate como antigamente. Hoje fala-se de colegas contra colegas, pedidos de reforma antecipada, ambiente de medo, desconforto, estatísticas para a Europa aplaudir.
FONTE: Educare

POESIA > ANTÓNIO GEDEÃO: «IMPRESSÃO DIGITAL»

POESIA Impressão Digital (António Gedeão)

OPINIÃO > António Barreto: «O milagre»

Eis a crónica de António Barreto na sua habitual rubrica no jornal PÚBLICO intitulada Retrato da semana.

OPINIÃO Ant.º Barreto 'O Milagre' [02.11.2008]

Gato Fedorento - Sketch sobre os professores

OPINIÃO > António Muñoz Molina: «Ensino Público»

António Muñoz Molina publicou na revista VISÃO, a 17 de Fevereiro do ano 2000, o ensaio que se segue. Apesar de já terem passado oito anos desde a sua publicação, o artigo mostra-se ainda actual.

Escolas do distrito de Braga seguem tendência geral

As escolas do distrito de Braga também têm vindo a demonstrar que não concordam com o actual sistema de Avaliação do Desempenho dos Docentes, não fugindo à regra do resto do País.

«O AMOR É» [02/11/2008]: A virgindade

O programa «O AMOR É», de Júlio Machado Vaz, foi hoje dedicado ao tema «A Virgindade».

http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=2403&e_id=&c_id=1&dif=radio

Professores denunciam carga horária ilegal

A carga burocrática faz com que muitos professores trabalhem mais de 40 horas semanais. A FNE está a fazer um levantamento e diz-se inundada de queixas. Cerca de 100 já poderão seguir para tribunal.

É um dos principais ataques ao modelo de avaliação docente. A ligação é, aliás, indissociável para os professores. "A excessiva carga burocrática" e as "reuniões intermináveis", contempladas regularmente, na "componente de trabalho individual", obriga os docentes a prolongarem os seus horários para tempos "ilegais", queixam-se.

FONTE: Jornal de Notícias

Valter Lemos: «Estamos a seguir religiosamente o memorando de entendimento que assinamos com todos os sindicatos»

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantiu ontem à noite que o Ministério está a cumprir o memorando que assinou com os sindicatos e que não vê razões para os professores se manifestarem.

"Estamos a seguir religiosamente o memorando de entendimento que assinamos com todos os sindicatos", afirmou Valter Lemos à Lusa, acrescentando que pode acontecer que "alguns sindicatos tenham mudado de opinião".

FONTE: PÚBLICO

«Professores à beira de um ataque de nervos»

O estudo sobre o stresse dos professores a que fiz referência no post anterior, divulgado em Março de 2003 pela revista Pais & Filhos, concluía que o nível de stresse entre estes profissionais era elevado. Volvidos cinco anos, esse problema terá diminuído misteriosamente ou então terá aumentado para níveis assustadores? Inclino-me mais para esta segunda hipótese, por aquilo que tenho observado. Mas gostaria de saber a opinião daqueles e daquelas que visitam este blogue.

Alguém se preocupa com o nível de stresse dos professores?

Um estudo divulgado em Março de 2003 pela revista Pais & Filhos sobre o stresse dos professores, concluía o seguinte:
Quanto ao factor «mudança» que surge no topo das causas de stress dos professores, a equipa do IPSSO tem uma posição clara: «Não parecem ser as mudanças pedagógicas ou curriculares do sistema de ensino em Portugal que, em si, constituem situações de stress dos professores questionados, mas antes o ritmo com que são introduzidas, a amplitude que elas ambicionam, a falta de informação que sempre as acompanham e o aparente distanciamento que afasta quem as planeou de quem, na realidade, tem de as implementar». Sendo assim, a ideia não é propriamente acabar com as inovações, mas sim introduzi-las de forma mais pensada e gradual e, sobretudo, acompanhadas por um maior esclarecimento e apoio àqueles que têm de as implementar no terreno: os professores. Propõe-se a avaliação das ideias inovadoras antes de serem generalizadas, o diálogo entre quem planeia a mudança e aqueles que a executam, bem como o apoio adequado em recursos…

Nota 1: Os destaques são da minha responsabilidade.
Nota 2: Logo que seja possível, publicarei aqui o referido estudo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Académicos espanhóis e americanos ultimam a "Nueva Gramática"

Los académicos de España y de América ponen punto final la próxima semana en Burgos a los trabajos de la nueva Gramática, que durante once años han venido preparando las veintidós Academias de la Lengua Española y que contendrá la más completa descripción del español que se haya hecho jamás. La octava y última reunión de la comisión interacadémica tendrá lugar del 3 al 7 de noviembre, en la sede del Instituto Castellano y Leonés de la Lengua. A ella asistirán representantes de la Real Academia Española y de todas las academias americanas agrupadas en siete áreas lingüíticas: México y Centroamérica, Antillas, Caribe continental, Area Andina, Río de la Plata, Chile y Estados Unidos.

FONTE: El País

Casa Pia: três colégios suspendem avaliação

Os três maiores colégios da Casa Pia decidiram suspender a avaliação de desempenho de professores devido à carga burocrática que se tem imposto às escolas, disse este sábado à Lusa fonte do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa.
Em declarações à Agência Lusa, o vice-presidente do Sindicato de Professores da Grande Lisboa, Óscar Soares, afirmou que foi decidida a suspensão da avaliação de desempenho nos colégios de Pina Manique, Nuno Álvares e Jacob Rodrigues Pereira.

Militares já não disfarçam descontentamento

OPINIÃO > Fernando Madrinha: «O grande embuste»

Artigo de opinião de Fernando Madrinha publicado hoje no Expresso, o qual versa sobre «o extraordinário desempenho dos alunos e das escolas no ano lectivo 2007-2008, decerto o mais glorioso das últimas décadas».
Em matéria de ensino, chegámos àquele ponto em que até as 'boas notícias' nos entristecem. Foi o caso da confirmação oficial dessa suspeita que vinha dos exames de Junho e que esta semana ficou consagrada em todos os títulos de jornal: o extraordinário desempenho dos alunos e das escolas no ano lectivo 2007-2008, decerto o mais glorioso das últimas décadas.
Professores e especialistas que, no Verão, leram os enunciados dos exames já nos tinham avisado de que o insucesso ia acabar, nomeadamente em Português e Matemática. Não se imaginava era a dimensão dos progressos - nessas duas disciplinas: quase todas as escolas com exames do 9.º ano (97 por cento) apresentaram resultados positivos, quando, há um ano, só 66 por cento o tinham conseguido.
O milagre das notas é fácil de entender e os professores explicaram-no em devido tempo: não foram os alunos que passaram a ser geniais de um ano para o outro, foram os pontos de exame que ficaram mais fáceis e ajustados à necessidade política de se apresentarem resultados no combate ao insucesso. Por isso esta boa notícia é uma notícia triste. Ela não significa que os alunos estão mais bem preparados e que a realidade mudou; significa apenas que foi mascarada.
Ora, para evitar este mal disfarçado embuste – ou melhor, para o embuste ser completo –, nada melhor do que adoptar com urgência e sem discussão a mais recente proposta do Conselho Nacional de Educação: a de que se acabe de vez com as reprovações na escolaridade obrigatória. Assim fica tudo mais claro e acaba-se com a discriminação dos reprovados. No fim do 9.º ano, os alunos recebem todos o mesmo diploma de 'frequência' e pronto. Fica a escola mais 'democrática', pois deixa de haver diferenças entre quem estudou e quem andou por lá.
Quanto aos que quiserem mesmo aprender, preparar-se para a vida e distinguir-se dos que passeiam pela escolaridade obrigatória – o que só acontece em larga escala na escola pública, porque nas privadas sai demasiado caro -, os «rankings» indicam-lhes o caminho: colégio. Caro? Pois é. Mas quem não tem dinheiro não tem luxos, que é no que está a tornar-se o ensino em Portugal: um luxo a que só os ricos podem aceder.

Professores desafiam ministra a visitar 40 escolas sem condições

No documento hoje [31/10/2008] enviado à Assembleia da República, o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) acusa o Governo de fugir aos problemas e de tentar passar ao lado de uma realidade feita de escolas sem segurança nem condições, camuflada com o 'Magalhães' e uma ou outra obra.

"Escolas degradadas, almoços servidos às crianças sem condições de higiene, transportes escolares sem segurança, falta de auxiliares de acção educativa, escolas encerradas sem ouvir as populações, actividades a funcionar em contentores e falta de pessoal de apoio a crianças portadoras de deficiência", são alguns dos problemas elencados na lista que hoje [31/10/2008] segue para a Assembleia da República.

Fonte: Expresso

«Fim dos chumbos até ao 9.º ano nas mãos do Governo»

Um artigo de Madalena Queirós publicado no Diário Económico do passado dia 29 de Outubro sublinha que o fim dos chumbos na escolaridade obrigatória está nas mãos do Governo. Depois de ter sido divulgado o parecer do Conselho Nacional de Educação que defende o fim das reprovações das crianças até aos 12 anos, é agora lançada a discussão sobre o mesmo assunto abrangendo os alunos até ao 9.º Ano, o fim da escolaridade obrigatória.

«Diário da Finlândia»

Diário da Finlândia - dia I
Alimentação Saudável e Boas Maneiras

No princípio deste mês comemoraram-se os 60 anos de uma refeição quente, gratuita, para todas as crianças, em todas as escolas finlandesas. Nas comemorações evocou-se a necessidade de uma alimentação saudável de um ponto de vista nutritivo e de aprender a ter boas maneiras.

Amanhã iniciamos uma semana de visitas a escolas básicas deste país.

Ana Maria Bettencourt, Maria Armandina Soares, Maria Emília Brederode Santos

Um belo e claro exemplo de inclusão

A última crónica de Miguel Ángel Santos Guerra versa sobre a inclusão, relatando uma experiência a que assistiu recentemente na Colômbia.
Un viaje de trabajo me llevó hace semanas a la maravillosa ciudad de Cartagena de Indias (Colombia). Y en ese incomparable escenario fui testigo de un hecho que quiero compartir con el lector. Era una tarde calurosa cargada de nubes. En la plaza de Simón Bolívar, al pide de la imponente estatua ecuestre del libertador, un grupo de chicos y chicas, ataviados con trajes regionales, bailaban descalzos al ritmo frenético de los tambores. Los danzantes se movían con una agilidad asombrosa. Las parejas de bailarines competían en ritmo y acrobacias. Al finalizar, el típico sombrero de la zona se convertía en plato petitorio. Muchos espectadores agradecían la belleza y el esfuerzo de los artistas con pequeñas donaciones. (...)

A crise económica está a mudar os hábitos dos Portugueses

As dificuldades económicas estão a mudar os hábitos dos Portugueses. As refeições fora de casa, as saídas nocturnas e os passeios ao fim-de-semana são cada vez menos.

Para aqueles que não lêem...

Para aqueles que não lêem ou não estão atentos às iniciativas dos sindicatos, criticando amiúde a sua actuação, aqui fica um vídeo que demonstra como os sindicatos unidos na Plataforma Sindical dos Professores continuam a fazer uma defesa dos anseios dos docentes.