sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pais compreendem medidas tomadas pelo Governo

Reacção às medidas anunciadas pela tutela

Associações de Pais compreendem medidas do Governo para o Ensino Básico

12.08.2011 — 12:17 Por Lusa

A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) compreende o encerramento de escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico e o aumento de 24 para 26 do número de alunos por turma anunciados pelo Governo.

Albino Almeida disse que estas são medidas que a Confap “compreende” apesar de não serem o “ideal”. Relativamente ao movimento da rede escolar, o representante da confederação entende que o encerramento das escolas “decorre do decréscimo do número de alunos” e é uma “situação que se vai agravar”.

O Ministério da Educação e Ciência anunciou na quarta-feira o encerramento de 297 escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico no próximo ano lectivo, a maior parte no norte do país. Em comunicado, a tutela afirma que os alunos das escolas que não vão abrir no próximo ano lectivo serão mudados para “centros escolares ou escolas com infra-estruturas e recursos que permitem melhores condições de ensino”.

“É preciso juntar crianças em centros escolares para que possamos lá ter tudo aquilo que essas crianças necessitam”, defendeu Albino Almeida que entende a “desconfiança” das famílias e reconhece os problemas do acréscimo do custo dos transportes para as autarquias.

“Percebo a ansiedade dos pais, que vêem os alunos mudar para longe da zona de residência, percebo também as dificuldades de algumas autarquias para garantir o transporte, mas o superior interesse das crianças tem de prevalecer. Nós não podemos pensar que uma criança socializa numa escola onde tem cinco, 10 ou menos de 20 alunos”, disse.

O Ministério anunciou igualmente o aumento de 24 para 26 do número máximo de alunos por turma no primeiro ciclo do ensino básico. Albino Almeida afirmou que a Confap já tinha mantido conversas com o anterior Governo “sobre a eventualidade de alargar o número de alunos no 1.º ciclo quando isso pudesse resolver o problema dos alunos estarem todos no mesmo ano de escolaridade”. “Quando há poucas crianças há tendência para agrupar quatro anos de escolaridade numa turma. Isto é brutal”, reconheceu Albino Almeida.

Numa nota publicada quarta-feira no seu portal, a Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular justifica a redefinição do limite máximo de alunos por turma com a “procura excepcional de matrículas” e as “dificuldades sentidas pelas famílias, escolas e agrupamentos de escolas na colocação dos alunos”.

PÚBLICO

«O estado da Educação»

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Crise chega ao apoio social escolar

Carenciados com manuais em risco

Tutela manda escolas informar pais de alunos pobres que terão de pagar e esperar reembolso

Correio da Manhã

Professores de Português propõem soluções

Exames Nacionais

Professores de Português querem mais horas de aulas e menos alunos por Turma

A presidente da Associação de Professores de Português lamentou hoje que a média das notas do 12.º ano continuem baixas nesta disciplina, defendendo um aumento da carga horária e uma redução de alunos por turma.

Apesar de sublinhar que as notas da segunda fase de exames foram melhores do que na primeira fase, Edviges Antunes Ferreira lamenta que o Português continue a ser “descurado”.

“Oitenta por cento dos alunos que chegam à faculdade são do ramo científico. Logicamente dão muito mais importância à Matemática, à Física, à Biologia até porque há testes intermédios destas disciplinas”, referiu à Lusa.

“Os alunos descuram efectivamente o Português. Pensam que como é a língua materna, não é preciso estudar e os resultados estão à vista”, acrescentou.

O número de disciplinas com médias negativas nos exames de segunda fase quase duplicou de 2010 para 2011. Este ano houve médias negativas em onze disciplinas, incluindo Português e Matemática, mais cinco do que no ano passado.

Para a responsável da Associação de Professores de Português, é preciso alterar algumas coisas para conseguir melhor desempenho dos alunos naquela disciplina.

Por um lado, “o aumento da carga horária”, defendeu, lembrando que “isso já foi feito no básico mas ainda não chegou ao secundário”.

No ensino secundário só existem “dois blocos de 90 minutos [por semana] da língua materna enquanto outras disciplinas — matemática, história, geografia, economia — têm 3 blocos. Torna-se difícil o professor testar todas as competências”, justificou.

A segunda medida necessária é a redução do número de alunos por cada turma.

“O facto de haver turmas com 28/30 alunos torna extremamente difícil treinar a oralidade e a escrita”.

Medidas que Edviges Antunes Ferreira quer apresentar ao Governo, tendo a associação pedido já uma audiência com o ministro da Educação, Nuno Crato.

A disciplina de Português, uma das que teve mais exames na segunda fase, comparecendo cerca de 32 mil alunos, teve uma taxa de reprovações de 12 por cento, mais um ponto que o ano passado, mantendo uma média negativa.

Diário de Notícias

Acontecimentos que nos mudam

Altered forever

“It was very strange to get up yesterday and find that people were going to work, and waiting for the bus, and buying their coffees and their papers as if the world had shifted on its axis again and gone back to normal life. I don’t think we have yet returned to normal, however. Perhaps we never will. There is always a loss of innocence involved in these events — policies change, the way we are policed changes, the way we view our communities is altered forever.”

Victoria Summerley in The Independent

terça-feira, 9 de agosto de 2011

«What turns people into looters?»

UK riots: What turns people into looters?

“There have been some extraordinary scenes in London and other cities this week, from burning buildings and running street battles, to people unashamedly walking into a shop and leaving with a flat-screen television under their arms.

Many of the looters have not bothered to cover their faces as they raided electrical stores, sports shops and off-licences.

Some have even posed for a picture afterwards, proudly showing off their haul and posting the images on social-networking sites.

Prof John Pitts, a criminologist who advises several London local authorities on young people and gangs, says some of those taking the lead in the looting will be known to the authorities, while others are swept along.”

BBC

Reflexões sobre a violência que grassa nas ruas de Londres

“There is little to cheer about; the riots will be over soon (we hope), and most of the participants will probably get caught (the thing about modern rioting is that, unless you’re very careful about covering your face and use no technology, then CCTV, phone records and social media make capture almost a certainty). But the riots are only a more vivid display of a wider, more everyday problem British people have got used to – a small minority of lawless, anti-social young men and women who make life unpleasant for everyone else.

British people have mostly internalised this fear, usually adopting a Stockholm Syndrome liberalism; for example, I believe that the reason so many young teachers in inner cities are textbook liberals who blame various institutions and authorities for the bad behaviour of their pupils is because they physically fear those kids, and it is easier to side with the one you fear. In contrast the kids do not fear anyone in authority – not teachers, not churchmen, not policemen or army officers, and especially not fathers. That is because, in essence, the people in authority in Britain have abandoned that authority, for various psycho-political reasons (just look through any John Lennon or Pink Floyd lyrics for a better understanding of babyboomer thinking).

The result is that Britain has among the most unpleasant adolescent population in the world (with all due respects to the majority who aren’t); I have never been anywhere in the world with such problems, and it’s actually embarrassing. For a society that was remarkably well-ordered and peaceful until the 1960s our speedy breakdown is a remarkable achievement.”

► Ed West in The Telegraph

Violência invade as ruas de Londres


Resultados melhoram na disciplina de Português

Apesar da ligeira melhoria dos resultados, a representante da Associação dos Professores de Português diz que parte da culpa das más notas está na pouca importância que os alunos atribuem à disciplina.


Teorias há muitas!...

Onze disciplinas com média negativa na segunda fase dos exames nacionais


Docentes continuam a ‘fugir’ das escolas…

A Função Pública vai perder para a reforma mais 1497 funcionários públicos em Setembro, o que faz com que, em termos acumulados, o número de aposentações no Estado totalize já as 15.376 no final dos primeiros nove meses do ano, ou seja, mais 1691 (12,3 por cento) do que em igual período de 2010, de acordo com as contas feitas pelo PÚBLICO com base nas listagens da Caixa Geral de Aposentações (CGA).

As listagens de Setembro saíram já tendo em conta a nova orgânica do actual Governo que levou à fusão de alguns ministérios. O agora Ministério da Educação e Ciência foi o que mais trabalhadores perdeu para a reforma em termos absolutos. Mas foi o da Saúde que registou o maior crescimento relativamente aos primeiros nove meses do ano passado.

Listagem da Caixa Geral de Aposentações

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

FENPROF denuncia despedimento de milhares de docentes

«Despedimento de milhares de docentes contratados e um número inédito de “horários zero” são legado do anterior Governo que o actual adoptou e está a concretizar!»

Equipas de Apoio às Escolas com os dias contados

Escolas ficam sem equipas de apoio das direcções regionais

O que vai acontecer às cinco direcções regionais de educação (DRE) é ainda um segredo bem guardado por Nuno Crato. Que vão deixar de ter o mesmo peso é uma conclusão mais do que evidente desde que o ministro da Educação e Ciência mandou regressar às escolas 320 dos cerca de 400 docentes requisitados. E que esta decisão já implicou mudanças no seu funcionamento é também outra evidência que vai em breve provocar as primeiras sequelas: as 41 equipas de apoio às escolas (EAE) vão ser extintas já em Setembro e há outros serviços e gabinetes das DRE que estão igualmente em risco de encerrar.

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i online

Quem nos avisa nosso amigo é?

Recado online

Primeiro-ministro avisa no Facebook que sacrifícios “não serão suaves”

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assumiu este domingo, que os sacrifícios exigidos aos portugueses não serão suaves nem os resultados serão rápidos, numa mensagem deixada no Facebook antes de ir de férias.

Na sua página da rede social Facebook, o governante deixou uma mensagem escrita, na qual começa por lembrar os portugueses de que a atual “agenda exigente” é imposta pela necessidade de cumprir acordos internacionais e pelos prazos rigorosos que o próprio Governo se impôs.

O nosso ponto de partida é extremamente débil” e a “instabilidade no sistema Financeiro Europeu e Americano são travões para um percurso já de si cheio de sacrifícios”, explica logo de seguida.

É nesse sentido que Pedro Passos Coelho alerta para o “enorme trabalho” que há pela frente e “ao qual todos os portugueses são chamados”.

Contudo, o responsável faz questão de sublinhar o compromisso que tem com o país de “nunca ocultar a realidade”, para que “todos compreendam as razões e os objetivos deste grande esforço coletivo”, e de prestar contas do dinheiro gerido.

VISÃO online

OPINIÃO > Rodrigo Queiroz e Melo: «A crise e o ensino privado em Portugal»

OPINIÃO > Ilídio Trindade: «Reinventar a escola pública»

O que alguns jornais 'descobrem...'

«A batalha feminina ainda está longe de ser vencida»

Depois de cinco décadas debruçado sobre a aplicação da análise econômica aos diversos campos da vida, o senhor depreendeu padrões no comportamento humano? Ao contrário do que se pode supor à primeira vista, a racionalidade exerce um papel crucial na hora de as pessoas tomarem grandes decisões, o que interfere na lógica da própria economia. É curioso notar que isso ocorre mesmo quando as questões são de fundo profundamente emocional, como o casamento, pois esse é um processo decisório em que claramente se levam em consideração aspectos econômicos, como a situação financeira do futuro cônjuge e a perspectiva de o casal prosperar junto em um longo prazo. Tais considerações ajudam a explicar a grande incidência de uniões entre indivíduos de renda e nível de escolaridade semelhantes, especialmente nas classes mais altas. Meus primeiros estudos já demonstravam que também o número de filhos em uma família é determinado por um cálculo em que a razão prevalece.

Que cálculo é esse? Os casais consideram a disponibilidade de tempo que terão para criar os filhos e quanto realmente desejam investir na educação da prole. Nessa lógica, os mais bem-sucedidos na carreira tendem a registrar taxas de fecundidade mais baixas, pois, além de alimentarem grandes expectativas quanto à formação das crianças, seu tempo custa mais. É por isso que o ingresso e a prosperidade das mulheres no mercado de trabalho têm contribuído decisivamente para a queda dos indicadores de fertilidade. Sobretudo em países mais ricos, onde os custos de uma creche ou de babás são elevados, ter filhos significa deixar a carreira em segundo plano ou mesmo abandoná-la por um tempo.

As mulheres tendem a se tomar economicamente mais poderosas que os homens? Uma análise apressada poderia nos levar a concluir que essa é, sim, uma tendência inevitável, já que o nível educacional das mulheres aumenta muito no mundo todo. Só que elas precisam lidar com duas desvantagens. A primeira diz respeito à maternidade, que as afasta, pelo menos momentaneamente, do mercado. A segunda é o fato de a diferença de renda em relação aos homens ainda ser grande. São dados que indicam que a batalha feminina ainda está longe de ser vencida.

[Extracto da entrevista a Gary Becker, publicada pela revista brasileira Veja (3 de Agosto de 2011]

domingo, 7 de agosto de 2011

Gary Becker: «Espero sinceramente que o bom-senso volte a imperar na condução da economia»

Gary Becker, Prémio Nobel da Economia em 1992, culpa os políticos pela crise da dívida nos Estados Unidos da América e afirma que o suspense produziu um bom momento para repensar a condução da política económica. Uma entrevista a ler com atenção…

A frustração de Bill Gates

Quais são as consequências do abandono do Interior?

Desertificação

Investigadora acredita que o abandono do interior está a contribuir para a crise económica

07.08.2011 — 11:19 Por Lusa

A desertificação do interior está a contribuir para a crise económica no país, acredita uma arquitecta portuguesa que está a desenvolver um projecto multidisciplinar sobre o tema com a Universidade de Manchester (Reino Unido).

A situação económica actualmente tem muito a ver com o abandono total do interior, porque temos um país em que dois terços não estão a produzir o que deviam”, afirmou Cristina Rodrigues à agência Lusa. Na sua opinião, “não está a ser explorado a nível territorial o potencial económico do país”. Rodrigues está convicta de que “se isso for revertido, a situação económica transforma-se”.

Foi da “vontade de trazer mais gente para o interior e combater esta causa” que Cristina Rodrigues começou a colaborar com o Instituto para a Investigação e Inovação na Arte e Design de Manchester (MIRIAD na sigla inglesa).

De contactos casuais com responsáveis da instituição durante viagens profissionais a Inglaterra surgiu um convite há dois anos para dar aulas na Universidade Metropolitana daquela cidade no norte do Reino Unido. Com os alunos, fez um projecto para tentar resolver o problema de Chanca, uma das vilas mais desertificadas do concelho de Penela (Coimbra) que no fim foi oferecido à autarquia local.

Depois desta experiência, o MIRIAD decidiu pedir à portuguesa para continuar. Para Cristina Rodrigues, esta foi uma oportunidade de formar uma equipa multidisciplinar para estudar um tema que a preocupa.

Citando dados da Agência Espacial Europeia, refere que Portugal foi classificado em 2004 como o terceiro país europeu mais desertificado, atrás da Itália e da Turquia e à frente da Grécia e da Espanha. “Prevê-se que, dentro de 20 anos, dois terços de Portugal estarão desertos”, vincou, cenário que ameaça também o resto da Europa do Sul.

Juntamente com artistas, ecologistas, designers, gestores de turismo e antropólogos, quer explorar vias para combater a desertificação do território.

Uma ideia é criar pólos de escritórios mais baratos para jovens empreendedores, que no futuro acabem por se fixar na localidade, ou tentar novas abordagens ao turismo rural.

Além de Penela, vão servir de projectos-piloto Idanha-a-Nova e Alcoutim.

A divulgação do projecto em Portugal será feita em Setembro em Faro, onde Rodrigues irá organizar uma série de seminários na Escola de Hotelaria e Turismo, de 14 a 17.

PÚBLICO

Não há mais «Novas Oportunidades» para Luís Capucha


sábado, 6 de agosto de 2011

«Ser professor é uma profissão digna, não podem destruir isso»

Na Educação, agora que até há um novo ministro que vem da área da matemática, há esperanças?

Não conheço o ministro. Já ouvi falar muito bem dele, mas não o conheço. Pelo que me parece, as principais medidas na educação prendem-se com a avaliação dos professores. Querem andar a avaliar os professores de todas as formas. Ser professor é uma profissão digna, não podem destruir isso. Um professor está lá para ensinar, para ir aprendendo, para ler... não para passar a vida a preencher papéis. Trabalhei bastante no Ministério da Educação, che- guei a desmaiar no meu gabinete de tanto cansaço. Sei que os ministros têm muito trabalho e que o trabalho não é fácil. Esperemos que este saiba o que está a fazer.

E em relação à avaliação dos alunos. Por uns anos ninguém chumbou neste País...

Isso, pois é, tem estado muito mal. Empurram-se os problemas para a frente... foi assim durante muitos anos. Nos ministérios só querem saber de números, e assim não chumba ninguém. É somente isso que lhes interessa: estatísticas.

[Extracto de uma entrevista de José Hermano Saraiva publicada pelo semanário O Diabo (2 de Agosto de 2011)]

Dicionário Terminológico introduz novos termos na Gramática

Gramática tem novos termos

06.08.2011 — 14:10 Por Clara Viana

Da terminologia adoptada pelo novo programa de Português para os conteúdos gramaticais desaparecem, nas funções sintácticas, os complementos circunstanciais, mas são introduzidos um complemento oblíquo e um modificador.

Entre várias outras alterações, o sujeito para além de simples ou composto, também poderá passar a ser identificado como nulo. Neste caso, pode ser nulo expletivo (“Choveu muito”), subentendido (“Vamos embora”) ou indeterminado (Dizem que vai chover”).

Estes e muitos outros termos estão fixados no chamado Dicionário Terminológico, um documento que só está acessível on-line e que foi concluído em 2008 na sequência da revisão da Terminologia Linguística para os Ensino Básico e Secundário (TLEBS), que reduziu em cerca de 40 por cento a listagem inicial de mais de 700 termos.

A TLEBS, adoptada no ensino secundário desde o ano lectivo de 2001/2002, foi aprovada por decreto-lei dois anos depois para substituir a nomenclatura gramatical adoptada em 1967. Na sequência de um amplo movimento de opinião contra a sua adopção, o Ministério da Educação optou, em 2007, por determinar a sua revisão e suspender a generalização da experiência no ensino básico. Mas em várias das escolas que já tinham adoptado a nova terminologia esta continuou a ser utilizada.

“Uma terminologia só faz falta quando não há entendimento sobre os termos a usar numa determinada área e esse tem sido o estado do ensino do português”, desde há cerca de 20 anos, contrapõe João Costa, professor da Universidade Nova de Lisboa e um dos autores da revisão da TLEBS. João Peres, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e um dos principais críticos da nova terminologia, também considera que “era importante rever” a nomenclatura de 1967, “mas de uma forma rigorosa bem articulada e quanto possível exaustiva”. “Ora, não foi isso o que se fez com a TLEBS, revista ou não”, acrescenta.

Este docente admite que a versão revista “é mais aceitável”, mas insiste que também esta “abunda em termos não definidos, definições circulares, designações arbitrárias e erros crassos”. Em 2008, João Peres foi um dos signatários de uma carta enviada à então ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, apelando à não homologação da nova terminologia.

Devido a todo o trabalho que entretanto foi desenvolvido, nomeadamente na formação de professores, João Peres considera agora que “seria absurdo recuar neste momento” na sua adopção. “Apenas acontecerá que, onde tínhamos uma má nomenclatura (a de 1967) passamos a ter uma Terminologia má, mas podemos conviver com isso, Uma vez mais, será o tempo a encarregar-se de separar o trigo do joio”, prevê.

João Costa insiste que o facto de persistirem dificuldades neste campo, como ficou mais uma vez demonstrado no último exame nacional do 12.º ano, “”revela que há muito trabalho a fazer para que os alunos aprendam gramática e que tudo isso vai muito além da terminologia”.

PÚBLICO

Novo Programa de Português gera polémica

Entra em vigor em Setembro

Novo programa de Português tem na base documento que Nuno Crato considera inútil

06.08.2011 — 13:49 Por Clara Viana

O novo programa de Português do ensino básico, que entra em vigor em Setembro, incorpora as orientações estipuladas há 10 anos num documento — “Currículo Nacional do Ensino Básico, Competências Essenciais” — que o actual ministro da Educação e da Ciência, Nuno Crato, considera “inútil, mal organizado, palavroso e repleto de orientações pedagógicas que são caducas”, segundo reafirmou em Julho passado.

É um documento “contra o qual eu tenho bramado e continuo a bramar”, acrescentou.

Nuno Crato já anunciou que pretende fazer reformas profundas nos programas de Português e de Matemática, embora tenha frisado que tal não será possível para já. No ensino básico, para ambas as disciplinas foram homologados, nos últimos anos, novos programas para substituírem os que estavam em vigor desde o início dos anos 90. Um dos principais objectivos desta revisão foi o de adaptar os programas ao Currículo Nacional do Ensino Básico, aprovado em 2001, o último ano do segundo governo de António Guterres.

Em resposta a questões do PÚBLICO, o gabinete de imprensa do ministério indicou, num primeiro momento, que o novo programa de Português estava a ser avaliado e confirmou depois que entraria em vigor na data prevista ou seja, em Setembro, no arranque do próximo ano lectivo.

A adopção do novo programa de Matemática foi generalizada no último ano lectivo. O de Português deveria também ter entrado em vigor nessa altura, mas a então ministra Isabel Alçada decidiu adiar por um ano, alegando que este necessitava de ser adequado às metas de aprendizagem que estavam a ser definidas para cada ciclo de ensino.

O programa entrará agora em vigor para o 1.º, 5.º e 7.º ano de escolaridade, os primeiros dos três ciclos do ensino básico. Foi elaborado por uma equipa coordenada pelo ex- reitor da Universidade Aberta, Carlos Reis, e uma das suas principais novidades é a revalorização do estudo da gramática, que no Currículo Nacional do Ensino Básico é apontada como uma “competência essencial”. O que não sucedia no programa até agora em vigor. Neste recomendava-se também que o estudo da gramática devia ser feito sempre em contexto e não autonomamente.

A designação “Funcionamento da Língua”, que até agora integrava esta componente, é substituída por “Conhecimento Explicito da Língua”. Paulo Guinote, autor do blogue A Educação do meu Umbigo e professor de Língua Portuguesa do 2.º ciclo, foi um dos muitos docentes que recebeu formação prévia com vista à implementação do novo programa. Confirma que uma das vantagens deste “passa por se leccionar os conteúdos do conhecimento explicito da língua enquanto ‘matérias’ facilmente identificáveis e individualizáveis”. “São matérias de estudo e não apenas conteúdos que “brotam” dos textos lidos”, como sucedia até agora, precisa.

Duplo desafio
O falhanço dos alunos do 12º ano nas questões de gramática incluídas no último exame nacional confirma uma “maleita” ” identificada nos estudos preparatórios que levaram à elaboração do novo programa de Português. Concluiu-se ali, por um lado, que, em final de ciclo, os alunos continuam a ter dúvidas e dificuldades na resolução de problemas e exercícios que envolvam conhecimento de gramática. E, por outro que “muitos docentes consideram que o trabalho sobre gramática é menos útil do que o trabalho sobre competências de leitura, escrita e produção e expressão oral”.

O novo programa pretenderá responder a estas lacunas, mas vários docentes apontam-lhe um ponto nevrálgico que poderá, segundo eles, comprometer este objectivo. Um dos documentos essenciais para a sua implementação, que dá pelo nome de Dicionário Terminológico, resulta da revisão da polémica Terminologia Linguística para os Ensino Básico e Secundário (ver texto nestas páginas). Apesar de simplificado por comparação à TLEBS, continua a ser de “excessiva complexidade”, afirma Guinote. Fátima Gomes, professora de Português do ensino secundário, confirma: “Nasceu torto e em muitas questões não há, claramente, adequação ao nível de ensino”.

Já para João Costa, um dos autores da revisão da TLEBS e coordenador da comissão de acompanhamento da implementação do novo programa de Português, o que se passou no exame do 12.º ano veio precisamente mostrar que não é a mudança da terminologia “que está em causa”: numa das questões onde se registaram mais erros o que se pede é a identificação de um sujeito, “ termo que está inalterado desde Aristóteles e que devia ser conhecido dos alunos desde o 3.º ou 4.º ano de escolaridade”.O novo programa é construído em função de uma matriz comum aos três ciclos. Os seus autores frisam que se espera, assim, “anular o risco de eles serem considerados momentos de ensino e aprendizagem estanques”. Esta articulação entre os ciclos “é positiva e necessária”, frisa Fátima Gomes.

Na prática, os alunos do 5.º e 7.º ano vão ter pela frente, já a partir de Setembro, um duplo desafio. À semelhança de todos os outros estudantes terão de reaprender a escrever segundo as regras do Acordo Ortográfico, que também a partir deste ano lectivo passará a ser a “escrita” oficial das escolas. E, acrescenta Guinote, com uma nova terminologia linguística “terão também de ‘desaprender’ certas designações com as quais estavam familiarizados e substituí-las por outras”.

PÚBLICO

A irritação provocada por aqueles que falam sobre aquilo que conhecem mal

A coragem de combater hábitos ancestrais

Web faz 20 anos

AGOSTO DE 1991: O NASCIMENTO DA WWW.

Há 20 anos, a 6 de Agosto de 1991, Tim Berners-Lee, do laboratório europeu de pesquisa de física de partículas CERN, revelou um projecto chamado World Wide Web, que tinha como objectivo a definição dos métodos de acesso à informação. Este projecto nasceu da necessidade de partilhar informação entre cientistas que realizavam as suas investigações em instalações distantes umas das outras.

O conceito de World Wide Web combinava várias tecnologias existentes, como o DNS (Domain Name Server), que traduz os nomes em linguagem mais ou menos corrente para endereços IP), o protocolo de transmissão de informação HTTP (Hypertext Transmission Protocol) e a linguagem HTML, para descrever a estrutura de uma página contendo texto e elementos gráficos, que depois é interpretada pelo programa de acesso, a que se convencionou chamar web browser.

A primeira página Web, a qual só continha texto, foi colocada online num computador NeXTcube e continha informação sobre a própria web, como obter um browser e como montar um servidor de páginas.

Foi, provavelmente, a mais importante revolução da história da humanidade dos tempos modernos, pois facilitou o acesso, generalizado e rápido, a todos os tipos de informação. Esta revolução no acesso à informação mudou a forma como fazemos compras, como acedemos aos serviços públicos, como nos relacionamos com outras pessoas, como nos divertimos, como são preparados crimes e até como nos relacionamos com quem nos governa. Actualmente há cerca de 50 mil milhões de páginas web.

OPINIÃO > Lya Luft: «A dor do mundo»

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Honda chama 2,25 milhões de veículos

O construtor automóvel japonês Honda anunciou hoje a chamada de 1 500 000 de veículos nos Estados Unidos da América e cerca de 750 000 na China, devido a um problema no sistema de transmissão automática, nomeadamente nos modelos Odyssey e Accord.

LE FIGARO

Estará iminente a saída de um iPhone 5?

A substituição do iPhone 4, lançado há mais de um ano, está iminente. Apesar de a Apple não se ter referido ao assunto, os indícios multiplicam-se.

LE FIGARO

«Impossível ADD…»

“…tem de se enterrar o mito que a ADD é o instrumento por excelência da valorização do mérito e promoção das qualidades do ensino e das aprendizagens dos alunos (ou seja, o mito da avaliocracia); tem de se ver que uma coisa é a avaliação ao serviço da compreensão dos problemas e da melhoria das práticas (e aqui tem toda a vantagem em ser interna, competente, formadora, capacitadora...) e outra coisa é a classificação, quotas e progressão na carreira. Sem fazer esta distinção, não há avanço possível. Porque a peregrina ideia de manter (aparentemente) o modelo, mandando avaliadores de outras escolas para não criar ambientes destrutivos no interior da própria escola, é uma ficção que só [é] possível de enunciar por manifesto desconhecimento das culturas profissionais e escolares.»

Terrear

FNE antevê falta de professores nas escolas

Declarações da vice-secretária-geral da Federação Nacional da Educação

Escolas sem professores é “erro gravíssimo”

A vice-secretária-geral da Federação Nacional da Educação, Lucinda Dâmaso, admitiu esta quarta-feira, à Lusa, que “será um erro gravíssimo” as escolas ficarem sem professores devido aos cortes orçamentais.

Lucinda afirma que as escolas perdem, deste modo, a capacidade para enfrentar “problemas de ordem pedagógica”, considerando que “num país onde a taxa de abandono escolar é tão elevada, onde o insucesso é tão elevado, todos os professores são precisos para minimizar estas situações.

O ministro Nuno Crato afirmou na passada terça-feira que vai haver “bastantes” professores não colocados e “muitos” sem horários.

Relativamente à avaliação dos professores, a dirigente da FNE espera que dia 12 de Agosto surja uma proposta de diploma para que comece a ser discutida na primeira ronda negocial com o Governo e prefere aguardar mais informações sobre a opção pelo ensino particular em contrato de associação com o Estado.

No que diz respeito às dúvidas do Ministro da Educação, Nuno Crato, relativamente ao programa Novas Oportunidades, a sindicalista defende a realização de um estudo sobre as repercussões da iniciativa: “A avaliação é fundamental, é necessária, não só nas novas oportunidades, como em todas as outras situações. Parece-nos que depois de uma avaliação correcta e de uma avaliação profunda há que fazer as alterações que podem ser necessárias e há que deixar aquilo que está bem.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Eu tenho cá as minhas dúvidas!...

A 12 de Agosto “tudo será conhecido”, diz Crato

Novo modelo irá diminuir custos de avaliação externa de professores

02.08.2011 — 20:34 Por Lusa

O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou hoje que o novo modelo de avaliação de desempenho dos professores terá “soluções” para resolver os custos da avaliação externa dos professores.

Numa audição na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, Nuno Crato indicou que a avaliação externa — que se traduz nas aulas assistidas — tem “algumas limitações”, só se fazendo “em alguns escalões” e “para quem a requeira”.

Em declarações aos jornalistas no fim da audição, o ministro destacou que “as aulas assistidas têm custos” e que no modelo que o Governo irá apresentar a 12 de Agosto “tudo será conhecido”.

O ministro destacou ainda que o trabalho na proposta concreta de modelo de avaliação continua e que essa proposta será depois sujeita a “discussão pública”.

Reiterou que o novo modelo visará, entre outros objectivos, “desburocratizar” o processo de avaliação de desempenho.

Nuno Crato referiu que “nem tudo vai correr tão bem para os [professores] contratados” como o Governo desejaria, mas quis deixar “uma palavra de esperança e trabalho” aos docentes.

Temos que estar preparados porque estamos com dificuldades”, apontou, apelando aos professores para que “se inscrevam” e garantindo que “as direcções das escolas estão a funcionar de forma clara”.

Decreto-lei n.º 94/2011 aprova a revisão curricular dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico

Decreto-Lei n.º 94/2011. D.R. n.º 148, Série I de 2011-08-03

Ministério da Educação e Ciência

Revê a organização curricular dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, procedendo à quarta alteração do Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro